quarta-feira, agosto 16, 2006

Quem vive de Deus escolhe amar...


Fazer memória dos que partem significa para mim reafirmar que eles continuam no meu coração. É isso que hoje sinto ao lembrar este meu irmão mais velho que há um ano atrás foi assassinado.
Ao lembar aqui o Irmão Roger de Taizé fica para além do gesto o desejo de também eu rezar e trabalhar mais pela unidade e reconciliação da humanidade, afim de que cada homem e mulher descubram a Bondade, a Ternura, a Misericórdia e Alegria do Deus de Cristo Jesus, O Ressuscitado.
Que as palavras do ir. Roger nos estimulem a viver o Dom da Fé com mais ousadia e com mais alegria:

«Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz»: que paz é esta, que Deus dá?
É antes de mais uma paz interior, uma paz do coração. É ela que permite lançar um olhar de esperança sobre o mundo, mesmo se ele é tantas vezes dilacerado por violências e conflitos.
Esta paz de Deus é também um apoio para que possamos contribuir, muito humildemente, para a construção da paz onde ela se encontra ameaçada.
A paz mundial é tão urgente para aliviar o sofrimento, em particular para que as crianças de hoje e de amanhã não conheçam a angústia e a insegurança.
No seu Evangelho, numa fulgurante intuição, São João exprime quem é Deus em três palavras: «Deus é amor.» Basta compreendermos estas três palavras para podermos ir longe, muito longe.
O que nos cativa nestas palavras? É encontrar nelas esta certeza luminosa: Deus não enviou Cristo à terra para condenar quem quer que seja, mas para que todo o ser humano se saiba amado e possa encontrar um caminho de comunhão com Deus.
Mas por que razão há pessoas que o amor deslumbra, que se sabem amadas, realizadas? Por que razão há outras que julgam ser desprezadas?
Se cada um de nós compreendesse: Deus acompanha-nos mesmo na nossa solidão mais insondável. Ele diz a cada um de nós: «És precioso aos meus olhos, eu estimo-te e amo-te.» Sim, Deus só pode dar o seu amor, aí se encontra todo o Evangelho.
O que Deus nos pede e nos oferece é que recebamos a sua infinita misericórdia.
Que Deus nos ama é uma realidade por vezes pouco acessível. Mas quando descobrimos que o seu amor é antes de tudo perdão, o nosso coração encontra sossego e acaba por transformar-se.
Eis que nos tornamos capazes de confiar a Deus o que perturba o nosso coração: encontramos então uma fonte onde buscar nova vitalidade.
Estaremos bem conscientes? Deus confia tanto em nós que dirige a cada um de nós um chamamento. O que é esse chamamento? É o convite a amar como ele nos ama. E não há amor mais profundo do que ir até ao dom de si próprio, por Deus e pelos outros.
Quem vive de Deus escolhe amar. E um coração decidido a amar pode irradiar uma bondade sem limites.
Para quem procura amar com confiança, a vida enche-se de uma beleza serena.
Quem procura amar e dizê-lo através da sua vida é levado a interrogar-se sobre uma das questões mais prementes: como aliviar as penas e o tormento daqueles que estão próximo ou longe?
Mas o que é amar? Será partilhar o sofrimento dos mais maltratados? Sim.
Será ter uma bondade infinita de coração e esquecer-se de si próprio por causa dos outros, de forma desinteressada? Sim, certamente.E ainda: o que é amar? Amar é perdoar, viver reconciliados. E a reconciliação é sempre uma Primavera da alma."


(excerto da carta por Acabar)

segunda-feira, julho 31, 2006

chegaram as (merecidas!!!!) Férias...

Amiguinhos,
chegou também a hora de eu, como muita gente nesta altura, gozar do merecido tempo de férias. Embora o coração de Deus não sofra de arritmia,
é natural que durante alguns dias não haja por aqui muitas novidades.
Vou de férias à Polónia... mas regresso!!!

regressarei com mais animo, mais garra, mais alegria e mais esperança!

Na Polónia, Junto da Virgem no santuário de Jasna Gora ( http://www.jasnagora.pl/) rezarei por todos vós: pelos que me visitam, pelos que me amam ou odeiam, por todos os que deixaram de saber esperar, ou sorrir,...lá pedir-lhe-ei que vos leve a todos ao coração de Deus
BOAS FÈRIAS!!!
...como sempre, NO CORAÇÃO DE DEUS!

quarta-feira, julho 26, 2006

Para que serve o horizonte?...


Ontem encontrei-me com uma pessoa amiga que é paraplégica. Sorridente como sempre! (sim um sorriso mais bonito do que o da Julia Roberts em "o sorriso de Mona Lisa"!).
um familiar dizia-me: "para que serve a vida? valerá a pena?".
Trouxe-a comigo para a porta de casa e sentamo-nos nos degraus...(pensei que esta subtileza fizesse com que a minha amiga não ouvisse a nossa conversa...!).
Em silêncio procurei escutar mais atentamente o seu rol de longos desabafos, canseiras, desesperos,
falou-me dos dias em que chora,...no fim de tudo, sem saber o que dizer, dei-lhe um abraço ( quase tão demorado quanto a eternidade).

A certa altura contei-lhe uma história que me tinham enviado há já algum tempo:

Certa vez alguém chegou ao céu e pediu para falar com Deus porque, segundo o seu ponto de vista, havia uma coisa na criação que não tinha nenhum sentido.
Deus atendeu-o de imediato, curioso por saber qual era a falha que havia na Criação.
"Senhor Deus, a criação é muito bonita, muito funcional, cada coisa tem sua razão de ser, mas no meu ponto de vista, tem uma coisa que não serve para nada - disse a pessoa para Deus.
"- E que coisa é essa que não serve para nada?" - perguntou Deus.
"- É o horizonte. Para que serve o horizonte? Se eu caminho um passo em direcção ao horizonte, ele afasta-se um passo de mim. Se caminho dez passos, ele afasta-se outros dez passos. Se caminho quilómetros em direção ao horizonte, ele afasta-se os mesmos quilómetros de mim.Isso não faz sentido! O horizonte não serve pra nada." Deus olhou para aquela pessoa, sorriu e disse:
"- Mas é justamente para isso que serve o horizonte, para te fazer caminhar meu filho."

No fim da história ficámos em silêncio quase um minuto.
Depois foi ela que me abraçou e disse-me: "reza comigo..."
Entrámos e fomos rezar juntos os três.
Antes de começarmos a rezar, a minha amiga paraplégica rompe o silêncio e diz-nos:
" eu continuou a caminhar pois são vocês o meu horizonte!..."
por fim, abraçados, rezámos os três dando cada um graças a Deus pela vida...e pelo horizonte que Ele colocou nela!

domingo, julho 23, 2006

Deus é Paz! e Tu,...?


Muitas vezes esqueçemos que a paz não é somente a ausência de guerra!
há muita paz que é destruida com os nossos preconceitos, invejas, ódios,...
A paz é fruto da bondade de coração, de uma bondade que vê para além das aparências
e que tem sempre como ponto de partida o diálogo, a reconciliação, a verdade, a humildade...
só um coração em paz pode fazer a paz, levar paz, dar paz...
Quem entra no coração de Deus sente e sabe que a paz é fruto da comunhão,
da intimidade partilhada, da aceitação serena das diferenças.
Por Tudo isto Deus é Paz! porque nos aceita como somos e se deixa surpreender por cada passo que damos neste caminho de intimidade, de comunhão com Ele.
Como homem de fé eu procuro construir a paz, dar a paz. Nem sempre o consigo, mas tento.
Como peregrino recomeço todos os dias...com a certeza de que Ele vai á frente.
e Tu? levas paz, dás a Paz?...
Hoje o Papa Bento XVI pede a todos os crentes para que rezem pela Paz no médio Oriente, e pede-lhes que este dia seja um dia de Oração intensa e de penitência.

Unidos a todos os que invocam o Deus da Paz e da misericórdia, rezemos com esta oração atribuída a S. Francisco pedindo para o mundo, e para nós, o dom da Paz, da paz de coração:

Senhor,
fazei de mim um instrumento da vossa paz!
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
Onde houver discórdia, que eu leve a união
Onde houver dúvida, que eu leve a Fé
Onde houver erro, que eu leve a verdade
Onde houver desespero, que eu leve a esperança
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria
Onde houver trevas, que eu leve a luz
Senhor,
que eu procure mais consolar que ser consolado,
compreender que ser compreendido,
amar que ser amado;
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se ressuscita para a vida eterna.


"Oração da Paz", atribuída a S. Francisco de Assis

terça-feira, julho 18, 2006

Deus é Ternura!...


Tenho encontrado muita gente que de Deus tem uma imagem aterradora.
vem isto a propósito de uma conversa que tive ontem com uma pessoa amiga ao telefone e que repetia à saciedade "não sei que mal fiz eu a Deus para merecer isto...".
A conversa lá se desenrolou, e depois de algumas lágrimas partilhadas, veio a serenidade.
A certa altura partilhei a minha experiência de fé e de vida, que essa pessoa bem conhece, e disse-lhe que vou descobrindo cada vez mais que "Deus é ternura" mesmo que esteja no meio de uma tempestade (e recordámos algumas já passadas! e bem dolorosas...).
Percebi que do outro lado a pessoa tinha estremecido... ficou algum tempo em silêncio...a conversa lá continuou mais uns minutos e essa pessoa termina o telefonema a dizer-me: "sabes, tenho cada vez mais a certeza que Deus é bom! obrigado por me recordares isso e por teres semeado no meu coração uma vez mais a esperança". Fiquei em silêncio depois de desligar o telemovel.
Dei por mim a pensar mais tarde, enquanto rezava, que alguns olham ainda hoje para Deus como de um juiz se tratasse, sempre pronto a castigar cada passo mal andado, cada palavra maldita(é de propósito o "erro"), cada gesto,...(quantos de nós não aprendemos isto em pequenos, quantas vezes não nos disseram que a trovoada era Deus a ralhar!!!!)
Outros há que olham para Deus como um bombeiro que deve estar sempre pronto para apagar as suas aflições.
Há também o grupo dos negociadores/accionistas, que quase lançaram uma OPA a Deus, e que lhe dão algo em troca se Ele lhes fizer o que desejam (e que às vezes outra coisa não se não o de confirmar o seu egoismo, a sua injustiça,...).
Há também quem olhe para Deus como um alvo a abater!
dizem que ele tira liberdade ao homem, e alguns chegam até a afirmar que ele tira aos crentes a capacidade e a liberdade de pensar, sentir, falar, amar...
Depois de me ter vindo à memória tudo isto enquanto rezava por aquela pessoa e pelo drama que estava a viver (alguns dirão que isto não é oração!!! e o que é rezar afinal? será o despejar palavras ocas ou será partilhar os dramas e os sonhos com a convicção de que eles são também os dramas e os sonhos de Deus?) sentia que no dia em que cada um de nós descobrir que Deus é ternura então a nossa vida ganha outro sabor, outra alegria, outra determinação. E isto faz-se na intimidade, na proximidade com Deus, na oração, na vida de todos os dias...
Quem descobre que a Ternura de Deus habita o coração dos homens e mulheres, descobre naturalmente uma nova esperança, uma razão para ser e para viver...descobre afinal que Deus não é contra o Amor mas é Amor. Descobre que todos e cada um de nós estamos no coração de Deus, mesmo os que duvidam!

segunda-feira, julho 17, 2006

A amizade...(a propósito dos amigos e dos conhecidos!)


Há pouco encontrei-me com ele no msn.
Estava um pouco em baixo e dizia-me que "hoje já ninguém valoriza a amizade..."
se calhar ele acordou apenas e só um pouco pessimista, no entanto, não deixa de ser engraçado ouvir um "puto" com esta conversa, e com a seriedade com que ele colocava algumas questões.
Afinal quem são os amigos? o que significa ser amigo?
será que alguma vez na vida teremos mesmo "amigos"?
Para mim ser amigo significa estar disposto a dar a vida pelo outro.
Significa arriscar sempre mais na atenção ao outro, no acolhimento, na compreensão.
Significa que os tesouros que o outro me confia, que são no fundo a sua intimidade, serão sempre para mim o tesouro mais importante do mundo, aquele que eu devo guardar, preservar, acarinhar,...
Por isso a amizade é sempre caminho e nunca meta,
é sempre descoberta e nunca conquista.
A amizade é como um poema é sempre intimidade acolhida, segredada,...
Esta é, para mim, a diferença entre os amigos e os conhecidos, esta é no fundo a diferença entre a banalidade e a profundidade. Amigos poucos, conhecidos muitos!
por tudo isto:

A Amizade... é um pedaco de céu que me invade e me transforma,
que quebra as fronteiras do infinito e me leva por trilhos nunca antes percorridos...
É um grito na noite dos sem esperanca que ousa transformar a treva em dia e devolver aos céus o sol roubado pela angústia.
É uma tela onde cabe qualquer cor
desde que a primeira seja amor.
Ela é o terno abraco que te envolve
e te diz que onde eu estou tu estás em mim...
é este tesouro em vasos de barro
que vou regando com as lágrimas da esperança
para que produza frutos de eternidade.


(poema/prenda para o aniversário de uma amiga)

segunda-feira, junho 19, 2006

ouvir ou escutar?...


ontem alguém me dizia, brincando um pouco,
que tenho o hábito de dar muita atenção às pessoas,
que gosto de as ouvir, de conversar, e me demoro muito tempo nisso...
ouvi isto e tomei-o como uma provocação!
Dei por mim a perguntar-me se o que tenho feito é ouvir ou escutar?
é que há uma diferença substancial nas duas atitudes:
eu posso ouvir sem escutar, mas não posso escutar sem ouvir.
Confesso que sou um apaixonado pelas pessoas, por cada pessoa, gosto de estar com elas, gosto de me deixar surpreender por elas, gosto de as ouvir, mas sobretudo de as escutar, gosto de no meio da multidão ver cada rosto como único,...
Para mim cada pessoa é um pedaço do infinito, de eternidade, de esperança e por isso disponho-me a "perder tempo", a estar, a escutar...vivemos tudo de maneira tão fugaz que temos de (re)aprender a arte de escutar. Escuta quem deseja estar, escuta quem deseja aprofundar, quem deseja ir além da superficialidade, quem deseja ver para além do tempo...
Escutar significa dispor-me a acolher, a compreender, a eliminar preconceitos, a vencer a incomunicação em que tantas vezes vivemos, que tantas vezes promovemos...
Escutar tornou-se por isso uma missão que assumo todos os dias em cada relação que estabeleço, em cada gesto que pratico, ...
Nem sempre tem sido fácil, nem sempre o consigo, nem sempre me disponho a tal, mas caminho...e escuto, parafraseando Sophia, como quem é olhado e amado e em cada escuta ponho solenidade e risco.

sábado, junho 03, 2006

A (des)propósito?!...



Está aí celebração do Pentecostes!
De entre as muitas coisas que tenho reflectido e rezado, e diante da “confusão” que ultimamente se pretende gerar na inteligência e no coração dos cristãos, a propósito da deturpação de alguns aspectos da vida de Jesus e da vida da Igreja, chego à conclusão que, no meio de tudo isto, o Espírito Santo tem sido muito mal tratado!

Muitos (até crentes mais “esclarecidos”) continuam a confundir o Espírito Vivificador com poder, com domínio. Outros há que O confundem com uma “energia positiva” que nos impele para o futuro e que nos faz (aparentemente) mais felizes. Não posso aqui esquecer os que, numa atitude mais “piegas”, quase querem obrigar o Espírito Santo a ser o salvador da sua incompetência e preguiça em aprofundar a fé. Por isso, tudo o que deviam fazer ou dizer e não fizeram ou disseram é interpretado, na sua lógica pseudo-profética, como um sinal de que o Espírito de Deus não quer “isto” ou “aquilo”. Há outros ainda, e não são assim tão poucos, que dispensam o Espírito Santo pois são possuidores de “tão grandes capacidades” que, se o Espírito do Ressuscitado se manifestasse, poderia ocultar o que eles são e valem…quem anda por estes caminhos anda enganado e anda a enganar-nos!
Provavelmente quem optou por ler as constatações que ficam ditas atrás pode perguntar-se: “mas a que propósito são feitas tais constatações?”. Para alguns elas podem ser apenas a expressão do “despropósito” de um cristão que é padre e que provavelmente estaria mal disposto no dia em que escreveu isto, ou, por outro lado, de um pessimista pronto a lançar um “anatema sit” aos homens e mulheres deste tempo. Quem assim pensar estará enganado.
Para mim a constatação de tudo isto constitui uma provocação a pensar e a repensar a forma como em Igreja estamos a anunciar, viver e celebrar a nossa fé. Significa assumirmos um dinamismo mais de escuta e acolhimento, de Deus e dos homens e mulheres com quem partilhamos o nosso quotidiano, do que de condenação ou de preconceito. Significa entendermos que uma fé sem compromisso eclesial não é fé. Significa que temos de assumir corajosa e definitivamente um compromisso de formar na fé com solidez, profundidade, audácia e alegria aqueles que baptizamos, para não corrermos o risco de termos comunidades construídas com base numa “fé débil”, que se assustam sempre com aqueles que gritam mais alto, e que não têem argumentos e seriedade nas propostas que apresentam.
Para que isto aconteça, precisamos de nos calar mais para melhor ouvirmos a voz de Deus, a voz do Espírito Santo. Precisamos de deixar que seja o Espírito Consolador a marcar o nosso ritmo enquanto Igreja, comunidades e crentes. Precisamos de acolher com mais alegria e mais esperança o Espírito da Verdade e da Vida que Deus uma vez mais nos quer conceder. Precisamos tão simplesmente de deixarmos que o Espírito de Cristo seja o protagonista nas nossas palavras, nos nossos gestos,… Só assim a nossa vida, a nossa Igreja, as nossas comunidades serão mais proféticas, mais testemunho, mais dom de Deus.
Que a confusão não nos “confunda”, nem nos iluda.
Não vale a pena o caminho da superficialidade, de nada valem as nossas correrias, os nossos muitos projectos e sonhos, se não nascerem no cenáculo, na intimidade de um coração e inteligência humilde e simples que se deixam comover e “desconcertar” pelo mistério amoroso deste Deus Trindade que se manifestou plenamente em Jesus Cristo, e que nos continua a amar e animar pelo Espírito Santo, o Senhor que dá a verdadeira Vida.
De nada nos adiantará pedir “Vem Espírito Santo…” se não estivermos dispostos a correr estes riscos. É isto que peço e rezo neste Pentecostes.

sexta-feira, junho 02, 2006

da confusão à ternura...

Há dias alguém me chamava a atenção para a necessidade dos padres darem mais tempo do seu ministério ao sacramento da reconciliação e dizia-me:
" andam sempre tão ocupados! nós nem os vemos, mas precisamos de desabafar, de falar, de alguém que nos ouça, e os psicólogos não são a solução. há coisas que só com um padre eu consigo falar"
Que estranho, pensei, num tempo em que parece não haver lugar para Deus na vida dos homens e mulheres, sou surpreendido por um jovem que me interpela assim.
Dois dias depois uma catequista numa paróquia queria á força levar uma biblia na procissão de entrada da missa de domingo, pois era hábito!!! e eu deveria esperar mais cinco minutos pois uma outra tinha ido buscar uma biblia. De repente aparece-me de novo a dizer que já podiamos começar pois tinha ido arranjar ali um outro livro que substituia a biblia. fiz-lhe um reparo dizendo: "sabe que livro tem na mão?" ela disse-me: não, mas este serve. Eu retorqui: "esse que serve, é uma biblia, está um pouco em mau estado, mas é aquilo que procurava" olhou-me como se eu tivesse dito uma asneira grave!!!!
no dia seguinte, Deus surpreende-nos sempre, tive um encontro de partilha de vida com 9 irmãos meus no ministério. Falámos da ternura, do afecto, da capacidade de amar com um coração universal...
Dois dias depois o Deus da ternura surpreende-me uma vez mais, aquela minha amiga que agora anda "à procura da fé..." encontrou-me num aniversário muito especial, uma casa de mulheres que há 125 anos se dedicam a tratar doentes mentais.

Ela Estava diferente. Tenho a certeza de que agora começou a "encontrar-se a si própria", falei-lhe do coração de Deus e de como me tinha marcado o último encontro que tivemos...mais tarde visitou este espaço e percebi que estva a dar passos novos, importantes, decisivos, tinha descoberto o rumo da terra da alegria.
disse-me no msn que tinha passado por cá...tentei agradecer-lhe o comentário. mas como a net tb falha, ela já não recebeu esse agradecimento.
Tentei dizer-lhe que foi bom vê-la passar da confusão à ternura.
Nesse mesmo dia, olhei para trás e vi que nesta semana uma vez mais Ele me surpreendeu.

Falou-me do amor que sabe ouvir e que reconcilia, do amor que é paciente quando há confusão, do amor que é ternura e acolhimento na redescoberta da dignidade da pessoa, do amor que impele à mudança, que aponta caminho...
Também Ele me disse que vale a pena passar da confusão à ternura...como sempre no coração de Deus.

quinta-feira, maio 25, 2006

à Procura da Fé...

Ontem estive com ela!...
Já não a via há algum tempo, mas na sexta-feira passada, disse-me, citando Sophia de Melo B., que "ao contrário dos outros mascarava-se e dizia o que não era..." e que tinha passado "uma fase má, que estava agora a superar!". Isto para mim foi um sinal de Alerta!!! Tinhamos de falar, tinha de me organizar simplesmente para estar com ela e ouvi-la...assim fiz. Combinámos um café (coisa banal para tratar de assunto sério!).
Lá nos encontrámos. Assim que me viu sorriu largamente, ela que é introvertida!?...
enquanto caminhámos até ao café fomos falando de coisas banais para mim, mas para ela profundamente significativas: o mundo da música!!!(aí eu sou pouco mais do que um zero à esquerda!) no meio da conversa fiquei comovido, como é que alguém tão novo sofre tanto...(não tinha sido fácil esta etapa da vida dela...).
A certa altura disse-me, ao seu jeito simples, que tudo lhe tinha passado pela cabeça...até o disparate de "resolver tudo de uma vez para sempre"...Mais um alerta, para o caso de eu estar distraido. Mas não estava. Comoveu-se e mudou de assunto...
Depois falámos sobre as alegrias e as dificuldades do tempo que já lá vai. Falámos também dos projectos do presente...e para meu espanto olhou o futuro com esperança!
Disse-me no entanto uma coisa que me deixou perturbado...No caminho da fé que estava a fazer perdeu tudo! Durante algum tempo, disse-me, celebrava a Eucaristia mas só racionalmente entendia que aquele pão era O Cristo...por isso não comungava, e agora anda à procura da Fé!
Quer fazer várias experiências, ver várias coisas, conhecer vários grupos e formas de viver este Cristo...no fim da conversa levei-a a casa!

Ao deixá-la, e relembrando oq ue lhe tinha ouvido,estremeci!!! dei por mim a pensar a "minha" Fé, onde é que anda? Será que pelo facto de me sentar diariamente "à mesa do amor" esta mesa e O que nela se dá a comer não se tornaram banais para mim?...
Depois de a ter deixado em casa, e de me ter questionado no caminho,fui rezar...
Quis uma vez mais falar com "o meu" Cristo e dizer-lhe simplesmente que O amo.
Bem sei que é ao meu jeito simples, às vezes tosco, desajeitado...mas é a forma que tenho para lhe expressar "a minha" Fé, a Fé que Ele todos os dias renova e alimenta. A Fé que Ele constantemente me oferece como Dom e que me faz caminhar, ser peregrino, samaritano da esperança...
Depois de tudo isto saí convicto de que agora ela e eu somos mais peregrinos!
Ela porque anda à procura, de uma forma simples mas séria...
eu porque continuo a aceitar a "loucura da fé" da entrega serena e confiante nas mãos do Pai... e dela faço a razão de ser dos meus dias, da minha vida, do meu ser...

Amiga....., Se alguma vez leres este texto, ficas a saber que te agradeço profundamente a tua partilha da vida e das dificuldades, agradeço-te também a provocação, que insconscientemente me lançaste...Agradeço-te por me despertares do "sono" em que muitas vezes caio de dar por adquirido o caminho que ainda falta fazer.
Rezo por Ti, rezo contigo...Ao "nosso" Cristo!

terça-feira, maio 23, 2006

Dessarrumar a nossa seguranças...


hoje logo, pela manhã (7h15) celebrei eucaristia com os meus...
a palavra provoca-nos hoje a deixarmos partir o Filho, de forma a que regressando ao Pai nos envie como consolador o Espírito Santo.
perguntei-me a mim mesmo:
"nós, os crentes, andamos a pedir a Deus que envie o Espírito Santo, para quê? para quem?
Pedimos mesmo?...
Como pedimos?..."

Alguns pedem que o Espírito Santo venha de preferência só para confirmar os seus egoismos, a sua mesquinhez, as suas medidas curtas...
Outros há que têm "tanto amor aos outros" que pedem para esses outros o Espírito Santo para que correspondam sempre às suas expectativas e não ao que devem ser realmente...

Quanto a mim,
apenas peço para que o Espírito Santo venha quando e onde quiser,
sobre quem o quiser receber,
peço-lhe que "desarrume" de tal forma as nossas "seguranças" de modo que sejamos cada vez mais humildes, mais alegres, mais humanos...mais santos.
Só assim seremos mais de Deus, mais com Deus, mais em Deus...
Que o Espirito Santo seja sempre este dom de Deus
que nos desassossega continuamente para o bem, para a verdade, para...

sábado, maio 20, 2006

Ao começar...


"no-coracao-de-Deus"

...um nome...uma missão!
é isto que pretende ser este blog:
um espaço onde com simplicidade, de forma descomplexada, humilde e alegre se partilha a vida, as alegrias e as tristezas...

um blog onde a esperança conduz a escrita,
as palavras e os silêncios...
um espaço onde são legitimas todas as perguntas e todas as respostas desde que feitas ou dadas com verdade, com honestidade, com profundidade,

como os viandantes que passo a passo
vão caminhando
até ao destino que traçaram...
guia-nos a certeza de que cada chegada

será sempre um novo começo...
Bem-Vindo ao Coração de Deus.