quinta-feira, fevereiro 22, 2007

sexta-feira depois das cinzas

Nós não sabemos o que havemos de pedir,
para rezarmos como deve ser;
mas o próprio Espírito intercede por nós
com gemidos que não se podem explicar.
(cf. Rom 8,26-27)


Nós todos, quando oramos, somos discípulos de Cristo, não porque repetimos as palavras que Ele uma vez nos ensinou — palavras sublimes, conteúdo completo da oração. Somos discípulos de Cristo, mesmo quando não usamos essas palavras. Somos seus discípulos já, só porque ora-mos: «Escuta o Mestre que ora; aprende tu a orar. Para isto, de facto, orou Ele, para nos ensinar a orar», afirma Santo Agostinho (Sto. Agostinho, Enarrationes in Ps., 56, 5) E um autor contemporâneo escreve: «Uma vez que o termo do caminho da oração se perde em Deus, e ninguém conhece o caminho senão Aquele que vem de Deus, Jesus Cristo — é necessário (...) fixarmos os olhos n'Ele só. É o caminho, a verdade e a vida. Só Ele percorreu o caminho nas duas direcções. É preciso meter-mos a nossa mão na sua e partirmos» (Y. Raguin, Chemins de la contemplation, Desclée de Brouwer, 1969, pág. 179). Orar significa falar com Deus. Atrever-me-ia a dizer mais: orar significa encontrarmo-nos naquele Único eterno Verbo, por meio de quem fala o Pai, Verbo que fala ao Pai. Este Verbo fez-se carne, para nos ser mais fácil encontrarmo-nos n'Ele, mesmo com a nossa palavra humana de oração. Pode esta palavra às vezes ser muito imperfeita, poderá até mesmo faltar-nos de todo. Mas a incapacidade das nossas palavras humanas completa-se continuamente no Verbo que se fez carne para falar ao Pai com a plenitude daquela união mística que forma com Ele cada homem que ora; que todos quantos oram, formam com Ele. Nesta particular união com o Verbo está a grandeza da oração, a sua dignidade, e em certo modo, a sua definição.
É preciso sobretudo compreender bem a grandeza fundamental e a dignidade da oração. Oração de cada homem. E ainda de toda a Igreja orante. A Igreja, em certo modo, chega tão longe como a oração: até onde haja um homem que ore.

(João Paulo II, 14 Março 1979)


dá(r) que pensar...

Sem oração não há convicção, não há verdade, não há profundidade.
O que é para mim rezar? Como rezo?...


Pão para o caminho...

Senhor,
Aqui estou uma vez mais.
Eu sei que rezar é falar conTigo, é amar-Te,...e deixar-me amar.
Mas sabes, às vezes é difícil,
Venho a Ti habitualmente para pedir...
pedir coisas...sobretudo no tempo da dificuldade.
Outras vezes, rezo a correr, com a desculpa de que há muito para fazer.
Há momentos em que também não Te rezo...
Em todos estes momentos sinto que ando a fugir de Ti,
Ou melhor, talvez ande a fugir de mim,
Com medo de me olhar com mais profundidade e verdade.
Hoje estou aqui,
Tão simplesmente para Te agradecer
Por seres o meu Deus, por me amares sem preconceitos,
Por me revestires na fragilidade com a Tua bondade e consolação,
E por me desafiares a dar passos concretos na intimidade contigo.
Hoje estou aqui para que rezes em mim e comigo...

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Quinta-feira depois das cinzas

Jesus disse:
Se alguém quer seguir-me, renuncie a si mesmo,
tome cada dia a sua cruz e siga-me.
(cf. Lc 9,18-24)

Ser discípulo de Cristo supõe empenhamento e é exigente, como recorda o próprio Jesus no trecho evangélico: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 16, 24). Renunciar a si mesmo e aceitar a cruz significa morrer para o orgulho pessoal e confiar totalmente em Deus, vivendo como Cristo na dedicação total ao Pai e aos irmãos.
São Paulo, ao escrever aos cristãos de Roma faz eco ao ensinamento de Jesus, exortando-os a não se conformarem com a mentalidade do mundo, mas antes a oferecerem toda a sua existência em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (cf. Rm 12, 1-2). O seguimento de Cristo requer um itinerário assinalado muitas vezes por incompreensões e sofrimentos. Ninguém se iluda: hoje, como ontem, ser cristão significa ir contra a corrente em relação à mentalidade deste mundo, procurando não o próprio interesse e o louvor dos homens, mas unicamente a vontade de Deus e o verdadeiro bem do próximo.

(João Paulo II, Angelus 29 Agosto 1999)


? dá(r) que pensar...

Ser Cristão pode significar em muitas circunstâncias “ir contra a corrente”.
Que significa para mim carregar a cruz de todos os dias?
E eu, carrego a minha cruz ou arrasto-a?...

Pão para o Caminho...


Senhor,
Hoje venho a Ti,
Não para te dizer muitas coisas,
Mas para estar contigo no silêncio de um coração agradecido.
Bem sabes como às vezes é difícil carregar a cruz de todos os dias...
Quantas vezes me apeteceu deixá-la...encurtá-la...
ou até colocá-la aos ombros dos outros.
É por isso também que estou aqui:
Quero pedir-te perdão por todas essas vezes em que não deixei que o teu amor fosse a minha força
E quero dar-Te graças por não teres desistido de mim,
E por, na fidelidade de todos os dias,
Me repetires ao meu coração:
“Se queres ser feliz...se queres ser meu discípulo...coloca nos teus ombros a cruz e segue-Me!”.
Eis-me aqui Senhor
para seguir-Te até ao calvário
Pois só assim poderei ressuscitar contigo.

Quarta-feira de Cinzas - 2007

É assim que te vou seduzir ao deserto para te falar ao coração

(cf. Oseias 2, 16)



A história da Salvação deu ao deserto um significado religioso e profundo. Conduzido por Moisés e mais tarde iluminado por outros profetas, o Povo eleito pôde, através de privações e sofrimentos, experimentar a presença fiel de Deus e da sua misericórdia; alimentou-se com o pão descido do céu e extinguiu a sede com a água que brotava da rocha; o Povo de Deus cresceu na fé e na experiência do evento do Messias redentor.
Foi também no deserto que João Baptista pregou e as multidões acorreram a ele para receber, nas águas do Jordão, o baptismo de penitência: o deserto foi um lugar de conversão para acolher Aquele que vem para vencer a desolação e a morte ligadas ao pecado. Jesus, o Messias dos pobres que ele cumula de bens (cf. Lc 1,53), deu início à sua missão assumindo a condição daquele que tem fome e sede no deserto.
Amados irmãos e irmãs, convido-vos, ao longo desta Quaresma, a meditar a Palavra de vida deixada por Cristo à sua Igreja a fim de que ilumine o itinerário de cada um dos seus membros. Reconhecei a voz de Jesus que vos fala, especialmente neste tempo de Quaresma, no Evangelho, nas celebrações litúrgicas, nas exortações dos vossos pastores. Escutai a voz de Jesus que, aflito pela fadiga e pela sede diz à Samaritana junto da fonte de Jacó: "dá-me de beber" (Jo 4,7). Contemplai Jesus pregado na cruz, expirando, e escutai a sua voz apenas perceptível: "Tenho sede" (Jo 19,28). Hoje Cristo repete o seu apelo e revive os tormentos da sua agonia nos nossos irmãos e nos pobres.
Convidando-nos, com a vivência da Quaresma, a percorrer os caminhos do amor e da esperança traçados por Cristo, a Igreja ajuda-nos a compreender que a vida cristã comporta o desapego dos bens supérfluos, a aceitação da pobreza que nos liberta e que nos dispõe a descobrir a presença de Deus e a acolher os nossos irmãos com solidariedade cada vez mais activa e em comunhão cada vez mais ampla.
Recordai, pois, a palavra do Senhor: "Quem der, nem que seja um copo de água fria a um destes pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa" (Mt 10, 42). Meditai com todo o coração e com esperança naquelas outras palavras: "Vinde, benditos de meu Pai,... pois tive sede e me destes de beber" (Mt 25, 34-35). (João Paulo II, in Mensagem Quaresma 1993)


A quaresma é essencialmente um tempo de esperança. Um tempo para fazer memória do essencial e um tempo para abrir-se sem medo ao futuro, a um futuro onde Deus é o protagonista, o centro. Que caminho quero trilhar nesta quaresma? Como vou passar da superficialidade à profundidade?...


Senhor,
Venho a Ti, como tantas outras vezes,...
Também eu quero que me fales ao coração,
Quero que me ajudes a ouvir a Tua voz com mais profundidade, a acolher com mais alegria e entusiasmo a Tua Boa Nova de Salvação.
Bem sabes que nem sempre me deixo conduzir pelo teu amor… muitas vezes é o desânimo que me conduz,
a tentação de cruzar os braços e de dizer: “não vale a pena!”,…
mas, mesmo aí, não desistes de mim!
Por isso, Senhor, venho a Ti, mais uma vez,
mais determinado a amar-Te e a acolher-Te,
a deixar-me abraçar por Ti
na certeza de que a tua ternura e compaixão
me hão-de ensinar quais os trilhos a seguir neste tempo que é Teu,
neste tempo de graça e de verdade, de alegria e de esperança,
neste tempo favorável a mudar o coração, a mudar de vida.Venho a Ti Senhor… para estar contigo…para estar em Ti.




segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Porque Ela está a chegar...

Ela está quase a chegar, provocadora como sempre e com aquele olhar de encanto que nos deixa seduzidos e nos leva a segui-la com determinação...falo naturalmente da Quaresma!
Para alguns é o tempo mais aborrecido do ano. Aquele tempo em que "os chatos dos católicos" se restringem a seguir umas "normas esquisitas" de jejum, oração mais intensa e partilha de bens...olhada assim a quaresma não é mais do que uma norma que constrange e não liberta...aliás, aqueles que olharem assim a quaresma não verão nela mais do que a "proibição" de comer carne às sextas-feiras!?.
recuso-me a olhar assim este tempo!
A quaresma de enfadonha tem muito pouco, ou melhor, não tem nada!
Ela é uma interpelação a "voar mais alto para ver mais longe", é uma provocação a abandonar as banalidades e o ritmo muitas vezes superficial em que vivemos para assumir o risco da profundidade, de uma profundidade em Deus, com Deus. A quaresma é essencialmente o tempo em que eu me descubro como único, como amado e perdoado...um tempo eu que eu percebeo radicalmente que sou "o tesouro de Deus".
Por tudo isto, e para que este tempo seja o que deve ser, este espaço da blogosfera terá aqui "pistas" diárias para a oração(que também posso enviar para o vosso mail, é só dizerem), meditação e procurará ser uma interpelação a uma caridade mais autêntica, a um amor fraterno mais ousado.
este caminho que aqui partilho é o caminho que farei (entre outras coisas) com a minha rapaziada aqui de casa
escolhi como lema para esta caminhada quaresmal de 2007 uma frase do profeta Oseias:
É assim que te vou seduzir ao deserto
para te falar ao coração
(cf. Oseias 2, 16)
Falaremos mais do que ela significa ao longo deste tempo, para já, deixo aqui um pequeno excerto de um texto que pode ajudar-nos a preparar o coração para fazer deste tempo um tempo de intimidade maior com Deus e de comunhão fraterna com a humanidade, com os que nos rodeiam:

"De que servirá fugir aos banquetes, se ocupamos com discórdias os nossos dias? De que servirá não comer do pão que nos cabe, se tirarmos a comida da boca do pobre? O jejum para o cristão deve preparar a paz e não as lutas. de que te serve não comer carne, se da tua boca se soltam injúrias piores do que qualquer tipo de alimento? De que te serve santificar o estômago com jejuns, se as mentiras te mancham a boca? em verdade te digo, meu irmão, que não tens o direito de entrar na Igreja se continuas enredado e envolvido nas malhas mortais da usura voraz, que não tens o direito de invocar o teu Senhor se as tuas orações vêm do teu coração invejoso, que não tens o direito de bater no peito se nele se escondem os teus maus desejos. A moeda que deres ao pobre só será justa, quando fores pobre também" (S. Máximo de Turim)

Bom Caminho!

domingo, fevereiro 11, 2007

Pela Vida, SEMPRE!


40, 75%
Este post é uma homenagem a todas aquelas e aqueles que com determinação,serenidade, respeito pela diferença e perseverança, não se deixaram ir na onda e continuam a afirmar que a Vida vale mais que as palavras de pura demagogia "socratiana" e "louçanista" expressas em soluções de cartola em noite de "vitória, modernidade e entrada a sério no séc. XXI"!?


O trabalho continua agora ainda com mais determinação, alegria e entusiasmo! Obrigado a todos os leigos que dando do seu tempo não se pouparam a esforços para que a causa da vida não fosse uma questão marginal ou secundária no debate para este referendo. Rezo (ainda mais) por todos e por cada um.


Um terno abraço deste vosso irmão

domingo, fevereiro 04, 2007

Já tá pronto!!!

Está desde hoje disponível em algumas livrarias do centro do país um pequeno contributo que elaborei para a compreensão da Vocação, Espiritualidade e Missão da Pessoa portadora de uma deficiência no seio das comunidades cristãs.
Tal contributo nasce da minha experiência pessoal de proximidade, partilha de vida e acompanhamento espiritual de algumas pessoas portadoras de uma deficiência...

Este modesto contributo intitula-se "Deus Num Rosto desfigurado", é editado pelas Edições CVS. Todos os resultados das vendas revertem na totalidade para os Silenciosos Operários da Cruz. Podes encontrar mais informações
aqui.

Deixo aqui, para além da capa, um pequeno excerto de um dos sub-capítulos... quem sabe talvez te atrevas a comprar o livro:





O Rosto do Crucificado-Ressuscitado é um Rosto belo, um Rosto que devemos contemplar, pois nele vemos desvelada a resposta às nossas inquietações mais profundas. É um Rosto que para nós é agora Palavra dita e redita ao coração, Palavra de apelo à conversão do coração. É aquela Palavra dita não mais como profecia mas como presença dinamicamente acolhida, celebrada e vivida.É um Rosto que é Pão da vida humana e eterna de Deus, alimento e força para o caminho. Consolação na tristeza e festa no tempo da Alegria. Por isso, esse Rosto Belo aparece-nos como o Rosto de uma vida em liberdade que vence o egocentrismo e que nos convida a vivermos como ressuscitados, como ressuscitadores, isto é, que nos convida constantemente a sairmos de nós para irmos ao encontro dos que precisam de ser descidos da cruz, ou seja, porque ressuscitado eu devo caminhar/viver ressuscitando e provocando ressurreição. É por isso que a beleza do Rosto do Crucificado-Ressuscitado é irresistível, atrai, pois tal contemplação leva-nos a passar das trevas à luz, do abandono à consolação, da dúvida à fé. Esta é a provocação que nos lança Cristo que nas mãos do Pai entrega o seu espírito (cf. Lc 23, 46).Quando falamos de Cristo, da beleza do Seu Rosto, falamos dum Rosto, dum Corpo que, embora ressuscitado, leva as marcas da cruz. Não falamos por isso da beleza efémera que hoje se cultiva, mas da beleza eterna e universal com que Deus, desde a criação, marcou todo o homem e mulher, a beleza do coração, ou se preferirmos na linguagem de Antoine Saint-Exupéry, a beleza do essencial.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Loucos pelo Evangelho!...


2 de Fevereiro! a Igreja celebra o dia da Apresentação de Jesus no Templo.
Neste dia celebramos também o "dia do consagrado", isto é, o dia dedicado a todos aqueles e aquelas que, deixando-se interpelar profundamente pelo Evangelho, descobriram a beleza e a alegria de serem cristãos e assim decidiram entregar a Deus toda a sua vida para servirem na fé, na alegria e na humildade os Irmãos.
Por isso, o post de hoje é dedicado a todos estes Loucos pelo Evangelho, os loucos de Deus e por Deus, esses que sabem que Cristo é caminho nas nossas incertezas, que Ele é a Verdade diante das nossas "máscaras", Ele é a única Vida na qual a nossa ganha sentido e sabor.
Ontem, e a este propósito, alguém me perguntou:
"o que é que leva alguém jovem, com a vida pela frente e cheio de sonhos, a entregar assim a vida a Deus? não será um disparate? uma frustração?"
Para mim a resposta é clara: Deus!
Sim esse Deus próximo e fiel, o Deus Santo e santificador, o Deus todo misericordioso e Alegre, o Deus que ri comigo e para mim, o Deus que é consolação no tempo da angústia, refúgio seguro quando tudo parece perdido...o Deus-connosco, o Deus-comigo, o Deus-contigo...Jesus o Rosto divino do Homem e Rosto humano de Deus.
Aliás esta "loucura" só faz sentido assim! se não fosse por Deus, em Deus e com Ele os consagrados na vida da Igreja seriam uma "associação filantrópica", um grupo de "bem fazer"....seriam, na pior das hipóteses, um grupo de "encalhados" que esquizofrenicamente se dedicariam a uma vida de "caridadezinha"...A vida consagrada não é isto! Consagrar-se a Deus não significa isto! E os que se consagram não são "encalhados"!
São isso sim homens e mulheres livres que se entregam por amor a uma vida que so tem razão de ser no Amar...sem medida...sempre...por Ele, com Ele, n'Ele.
é por Eles e com eles que rezo hoje na simplicidade de quem sente que as palavras não dizem tudo:

Deus da ternura e da misericórdia,
Deus de toda a consolação,
eis-me aqui diante de Ti
trago-te todos aqueles e aquelas
que continuas a chamar pelo nome...
Eis-me aqui
para te agrdecer o dom que é para a Tua Igreja
a vida destes homens e mulheres
que descobriram em Ti razão de ser para as sua vidas.
Protege-os no tempo da dificuldade
e sê para eles um refúgio seguro;
Ampara-os no tempo da dúvida
e sê par eles a certeza serena
de que vale a pena continuar o caminho,
a entrega, as noites perdidas, as lágrimas...
Reveste-os Senhor com a Tua misericórdia
para que no tempo da fragilidade
eles possam ser no mundo
sinal do Teu amor terno...paterno...materno!
Que brilhe neles a Tua luz
para que a humanidade ao vê-los creia
que Tu és a Vida, Tu és o Amor, Tu és Deus!...
A todos os consagrados que conheço um forte e terno abraço deste vosso irmão que muito vos admira e estima!
Coragem. "Não tenham medo"!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

isto é p'ra vocês!...

Eu já tinha prometido à B...... e à H.... que um destes dias havia de dedicar-lhes um espaço aqui no Coração...por isso mesmo hoje decidi ir à pesca ao meus (muitos) papéis pequeninos onde vou escrevendo várias coisas...como sou muito organizado(?!) percebem logo que foi dificil "pescar" aquilo que procurava. quero por isso dedicar-lhes as palavras que se seguem por tudo o que elas são:
pelo seu sorriso terno e contagiante,
pela sua serena proximidade e profundidade
e também pela simplicidade das suas lágrimas.

Por isso miguitas aqui fica, na simplicidade das palavras (que não dizem tudo!), o gesto de quem agradece com um coração terno e simples a amizade que vamos construindo, passo a passo, na esperança e na alegria da fé no nosso "Deus Alegre, Louco de amor pela humanidade e esbanjador de Misericórdia":

A amizade
É um pedaço de céu que me invade e me transforma,
que quebra as fronteiras do infinito
e me leva por trilhos nunca antes percorridos…
É um grito na noite dos sem esperança
que ousa transformar a treva em dia
e devolver aos céus o sol roubado pela angústia.
É uma tela onde cabe qualquer cor
desde que a primeira seja amor.
Ela é o terno abraço que te envolve
E te diz que onde eu estou tu estás em mim…
É este tesouro em vasos de barro
que vou regando com as lágrimas da esperança
para que produza em nós frutos de eternidade.
(Leiria, Fevereiro 2006)

Ser Silêncio...


Depois de uns dias muito intensos humana e espiritualmente (pois o meu pai teve um grave acidente de trabalho!...) aqui estou de novo a dar espaço à escrita soltando os sonhos que aqui se transformam em palavras...

Neste tempo pude experimentar a consolação dos amigos e de Deus...telefonaram, escreveram, rezaram...
Dei por mim tão simplesmente a acolher e a agradecer, quase sem dizer nada...pois ao amor e à ternura também se pode responder com a gratidão de um coração em silêncio.

Entre as muitas coisas em que pensei nestes dias,
dei também por mim tantas vezes diante de Deus em silêncio, tão simplesmente para estar com Ele, não lhe queria pedir nada, apenas estar...

Foi assim que uma vez mais descobrir a importância de acolher em silêncio, de estar em silêncio, de "ser silêncio"...
foi assim que ao longos destes dias me abeirei de Deus e mergulhei n'Ele:


"Meus Deus,
venho a Ti no silêncio,
para estar em Ti e conTigo
sei que és o meu refúgio e a minha consolação,
por isso eis-me aqui..."
Sei que para muitos pode parecer pobre rezar assim...mas para mim foi de uma extraordinária riqueza perceber que Ele é mesmo a minha força e o meu refúgio, minha paz e minha consolação, o Meu Deus, a minha Alegria!
p.s. um agradecimento terno e fraterno ao meu caro irmão mais velho Migalhas! Ele sabe porquê...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

mas...por onde é que ele anda?

Olá!
BOM 2007 para toda a comunidade da "blogoesfera"
(isto começa bem, logo a inventar um termo!!!)
Aqui estou renovado interiormente para mais um ano de Coração a pulsar!
Alguns amigos enviaram vários mails a perguntar a causa da "arritmia do Coração"...não dei noticias pelo natal, depois veio o novo ano e nada...
Só agora foi possível regressar depois de um Natal pleno de Deus passado com a Familia e depois de uns dias (26/12 a 01/01) em Retiro em França.
Para os curiosos ficam a saber que estive precisamento no local (pareço quase o José Hermano Saraiva) do Coração de Deus, exacto, estive aqui... daqui a mais uns dias partilharei convosco algumas das muitas coisas que por lá vivi e escrevi, por agora, fica apenas uma ponta do véu levantada:

Ò Deus de Ternura,
quiseste por misericórdia
dar-nos o Teu coração,
agora que aqui me tens,
enche-me da Tua paz,
faz-me experimentar
a Tua bondade e consolação,
e se de mim precisares
para anunciar no mundo a Tua Alegria e compaixão,
aqui me tens como Teu instrumento,
se for da Tua vontade envia-me,
sou Teu!
(Paray, 27 Dezembro 2006, 01h28)

Na segunda-feira parto para a Casa de Saúde do Telhal, da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus, onde estarei até dia 16 com aqueles de quem já aqui falei vai ser um tempo bastante intenso de partilha de vida com todos aqueles que ali vivem...

sábado, dezembro 16, 2006

“a Menina que vê mais longe”...

"Lá nos encontrámos uma vez mais..."
Assim começa mais uma bela história da minha vida. é a história de mais um encontro que me marcou.
Fui para celebrar o natal com elas, sabia que alguém queria conversar comigo antes e celebrar o encontro com o "Deus esbanjador de misericórdia" no sacramento da reconciliação. Assim aconteceu.
Começou a festa: jantar melhorado, sinais exteriores de festa, grande algazarra na casa...foi então que depois disto subimos à sala de cima, e não é uma metáfora bíblica para aludir á ultima ceia, foi assim de facto. Subimos para no piso superior celebrarmos a eucaristia, o encontro com o Deus da simplicidade, da ternura, com o Deus-Connosco.
ela entrou, discreta como sempre...fixei nela o olhar...algo se passava...mais do que estar triste ela tinha a tristeza no olhar, o peso dos dias ou noites mal dormidas e mal amadas, trazia no olhar a marca da cruz e da dor, um olhar triste e perturbado, inquieto...distraído e confuso! Assim estava "a menina dos olhos tristes" (vamos chamar-lhe assim!).
no fim da eucaristia prendas para todos, oferta da casa. todas começavam a sair e eu chamei-a pelo nome: "..., podes chegar aqui!". por momentos senti que ela paralisou...talvez para ela tenha parado o mundo...ou se calhar talvez agora ele tivesse começado a girar...
Disse-lhe: "estou aqui! se quiseres falar sobre os teus olhos tristes...estou disponível para te ouvir", e acrescentei: "lembras-te do livro que te prometi? trouxe-o comigo, chama-se "o caminho da imperfeição", é a tua prenda de Natal”.
Naquele momento senti, embora a medo, que ela se tornou um barco que levantou a âncora e agora queria começar uma viagem: não para longe ou perto, mas para dentro"...lá nos sentámos...falámos muitos (eu procurei sobretudo ouvir!).
Ela estava um pouco atrapalhada pois não sabia bem se tratar-me por “tu” se por “sr. Padre”, no meio da confusão lá decidimos que o “sr.” É outro e que eu não sou mais do que um irmão, daí que o tu seja o mais acertado!
Entre alguns desânimos, algumas angústias e medos, lá fomos lendo o livro da vida...disse-me que já nem tinha força para chorar...que para ela já não havia solução...estranhamente quando falava das coisas simples e belas, das histórias de cumplicidade e de ousadia, esboçou um sorriso, mais adiante outros... chorou também breves lágrimas, pouco mais que duas, enquanto partilhava o vazio, o medo,...no final de tudo dei-lhe então um abraço demorado e terno, disse-lhe que estava disposto a fazer caminho com ela...e a “menina dos olhos triste”, com um ar confiante de uma “criança que começa a dar os primeiros passos” lá me disse: “vamos tentar! Vou tentar!”. Cá fora já alguém nos esperava. No frio da noite (ou melhor, do dia que já tinha começado há algum tempo!) ela foi descansar e eu lá me enfiei no carro a caminho de casa. Eu estava radiante, Feliz!
Enquanto viajava rezei, cantei também(só um louco é que faz isto!!!), e percebi como sou cada vez mais feliz por, na minha pobreza e simplicidade, dar tempo e coração à escuta.
Com a “Menina dos olhos tristes” apanhei uma vez mais um “banho” de humildade... A menina dos olhos tristes ensinou-me a ser pequenino, aprendi com ela a estar mais atento aos dramas de quem tendo tudo se sente nada...aprendi sobretudo a deixar-me surpreender por este Deus que habita no coração dos homens e mulheres que ele vai colocando no meu caminho.
A “menina dos olhos tristes” tem agora um outro brilho no olhar: a esperança de quem sente e sabe que não está só! Desde esse dia que a “baptizei” como “a Menina que vê mais longe”...é assim que carinhosamente irei tratá-la e acompanhá-la!

quarta-feira, dezembro 13, 2006

um coração que já não espera!?...(ainda a propósito do advento)


Como Criança, sentado à beira mar,
eis-me aqui, ò Deus,
a contemplar-Te no silêncio...
sabes muitas vezes ando quase esquizofrenicamente
a correr de um lado para outro,
pensando que sou eu a salvação que tantos anseiam e esperam...
e bem sabes como nesses dias é o meu umbigo o centro do mundo!
outras vezes, ò Deus, o meu coração já não sabe esperar em Ti, já não tem tempo para esperar em Ti...
e no entanto vem-me sempre à lembrança a convicção de que
um coração que já não espera é um coração que deixou de amar,
que deixou de estar aberto à surpresa,
é um coração que perdeu o encanto pelas coisas pequenas...
Por isso, uma vez mais conTigo e diante de Ti,
aqui me tens:
contemplativo no silêncio,
na expectativa de quem sabe esperar,
a viver este tempo da Esperança
na alegria e na simplicidade
de uma criança que se senta à beira mar
e que sabe que, ao longe, o horizonte
é apenas um ponto de chegada para uma nova partida...

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Imaculada e Senhora do Advento


Virgem.
Sempre Virgem.
Sem pecado concebida.
A Ti, Jovem donzela de Nazaré,
Em quem vem habitar o Deus da Vida,
Chegam estes rogos, estes prantos…
São clamores e cantos,
São gritos de uma fé firme,
São hinos de uma voz trémula.
A Ti, Senhora do Advento,
Confio todos os meus tormentos,
O que sou e o que hei-de ser…
Em Ti, eu quero ver
O meu Redentor Vivo,
Feito homem,
Deus-Menino…
Ele, Princípio e Fim,
Fruto do amor de Deus
Que incarna com teu SIM!

quinta-feira, novembro 30, 2006

O 1000 está aí!


Carissimos irmãos do Coração de Deus estarei fora até domingo à noite a participar na equipa de mais um Convivio Fraterno.
é o 1000!

Um número simbolico, significativo,...especial!
lá estarão muitos novos a descobrir este Deus "Louco, Esbanjador de Misericórdia e Enamorado por Aqueles que criou à Sua imagem e semelhança". (as maiúsculas são propositadas!!!)

Rezem por nós e rezem connosco:



Deus de toda a consolação
que nos chamas a servir-Te nestes nossos irmãos
dá-nos a graça de Te Anunciarmos com simplicidade e alegria,
de Te testemunharmos com profundidade e verdade,
para que assim,
marcado pela Esperança do Evangelho,
possamos ser para eles, e no mundo,
sinal do Teu Amor Misericordioso,
da Tua Alegria e Bondade
da Tua Ternura e Compaixão

segunda-feira, novembro 27, 2006

Sento-me com medo de me ajoelhar...
vejo-te aí, uma vez mais,
na simplicidade de um Pão que se parte e reparte
e eu faminto, aqui estou, perto de Ti.
não sei o que Te dizer pois sabes tudo,
conheces os meus silêncios,
os meus medos,
a minha noite e o meu dia...
Sim,
Tu que me inquietas e me provocas,
Tu que fizeste de mim um simples pescador...
sabes bem que às vezes sinto o medo de lançar as redes,
chego a pensar que não vale a pena...
às vezes ficar na praia é bem mais confortável!
Mas Tu és mais forte e desarmas a minha angústia,
as minhas canseiras e desânimos
com a beleza do Teu amor,
com o silêncio da Tua presença
com a ternura da Tua misericórdia.

Obrigado por seres assim
Meu Deus,
meu Cristo,
meu Senhor...

(Pampilhosa [Mealhada], 25/11/2006 01h17)

terça-feira, novembro 21, 2006

segunda-feira, novembro 20, 2006


Deus Santo e Fonte de Vida
que aqui nos congregas para diante do Pão do teu amor,
Teu Filho Jesus Cristo, Te adorarmos em Espírito e Verdade.
Sabes que nem sempre é fácil para mim reconhcer-Te
e deixar que sejas só Tu o centro da minha vida,
dos meus gestos, das minhas palavras,
dos meus silêncios...
Sendo eu um simples ramo desta videira fecunda que é a tua Igreja,
às vezes também sou este ramo seco que não produz fruto de vida porque deixou de estar unido a Ti,
de permanecer em Ti,
de ser para Ti, sendo com os irmãos.
Bem sabes como tantas vezes a minha teimosia (disfarçada de perseverança!!!)
não reconhece que sem Ti nada posso ser ou fazer,
sem Ti as minhas palavras tornam-se vazias,
os gestos são formalismo ritualista
e o testemunho,
esse torna-se um "papaguear" do "já dito", do "já feito"...
Neste dia em que Te confio a minha fragilidade e quero que sejas também, e sobretudo,
o Deus da minha debilidade,
peço-Te que me ensines a permanecer em Ti,
que me ensines a deixar permanecer em mim a Tua Palavra,
que me ensines a pedir-Te sempre e só o que for da Tua vontade.
Por isso, ó Deus,
visita-me com a Tua Paz,
renova-me com o "vinho novo" da consolação,
fortalece-me com a Tua misericórdia,
reveste-me da Tua Ternura e Alegria.

(Enc. Padres Nossos 30 Out. 2006)

segunda-feira, novembro 13, 2006

estou vivo!

Tenho recebido alguns mails a perguntarem se ainda estou vivo, claro que sim! Vivo e vivaço como sempre.
Ultimamente têm-me sido impossível passar por cá:
com o inicio de Novembro veio também um grande desafio, estive durante 5 dias a orientar um retiro a dois irmãos meus padres, e ainda por cima do mesmo ano que eu. Para mim foi um tempo de benção! um tempo forte de partilha da minha simplicidade com a riqueza que é cada um deles, dois grandes padres, sem dúvida. Um tempo em que Rezámos e Rimos, um tempo em que revisitámos o essencial....partimos diariamente para a nossa reflexão sempre guiados pelo tema do retiro:
"Padre para amar com ternura e caminhar humildemente"
um tema inspirado no profeta Miqueias.
Claro que as duas semanas que antecederam o retiro foram de uma especial dedicação a este trabalho o que motivou a minha ausência temporária.
Entretanto chegaram também mais 4 seminaristas aqui a casa vindos da diocese do Mindelo (Cabo Verde), agora está o grupo completo: 14!
Deles falarei num outro post.
por agora Já chega de informações!
Estou de regresso,
estou vivo,
e certamente que a "arritmia" destes dias vai ser superada com alguns post que tenho em atraso mas que conto publicar.
Como sempre, uma vez mais me lanço nesta imensidão que é o coração de Deus.

domingo, novembro 12, 2006

CF 1000 - Coimbra (preparação) parte 1

Há já algum tempo que a "seita do CF1000 se anda a preparar!" .
este fim de semana estivemos juntos em Outil (Cantanhede) para afinar alguns pormenores. Fomos acolhidos na casa do meu irmão JPV que como sempre nos faz sentir na nossa casa.

Como andava por lá um paparazzi, aqui ficam alguns registos...


O Vitor e as suas brincadeiras....







O Pe. Fernando como sempre a por "ordem na caserna e a comandar as tropas"...

A Nossa maestrina espiritual Adriana com um ar de quem vai comer os bolinhos de uma vez!!!

Gand'a Sol Marisa!!!

e claro o nosso Marco, a estrela da companhia a par do nosso Paulo Nuno, o nosso primeiro!!! (toda a gente em sentido!)

e claro a nossa Soraia para "botar" respeito a tudo isto!

Claro que o resto do pessoal também merece destaque até porque sem eles esta familia não faz sentido, aqui ficam alguns dos "momentos fotográficos do milénio":

Libânia

Isabel

Inês e Dina

Rique


e claro um padre muito ocupado!!!

quiçá a receber um amensagem divina!...

...talvez do PT que já tinha ido embora e que por isso não consta deste "álbum apócrifo da seita"...mas em breve ele também estará aqui nesta montra

Este fim de semana foi também uma oportunidade para na partilha fraterna e oração fortalecermos os laços que nos unem, a fé que nos anima e a esperança que nos desassossega constantemente para o bem, o belo e a Verdade, por isso rezamos com Santo Inácio de Loyola:

Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade,

a minha memória, o meu entendimento e toda a minha vontade,

tudo o que tenho e possuo;

Vós mo destes; a Vós, Senhor, o restituo.

Tudo é vosso, disponde de tudo, à vossa inteira vontade.

Dai-me o vosso amor e graça, que esta me basta.

sábado, outubro 28, 2006

Basta-me!...


hoje basta-me a certeza de me sentir amado,
basta-me o calor do afecto com que me envolves,
esse "beijo" com que ternamente me aqueces o coração
e me transformas num louco de amor,
num louco para amar,
num louco para dizer que És assim,
só Podes ser assim:
Um louco de Amor!
Tu o Deus que me inquieta e me transforma,
o Deus que me renova e me perdoa,
o Deus que me chama e ama!
o Deus que me envia sem bolsa nem alforge,
o Deus de uma outra lógica que me convida a Crer para Ver!

(um desbafo a propósito do Evangelho deste domingo)

segunda-feira, outubro 23, 2006

Um País de contrastes...


Vamos lá nós entendê-los?!!!
Primeiro queixam-se que o país está envelhecido e é preciso incentivos à natalidade, o que é que fazem a seguir? encerram maternidades!
logo a seguir, como já era esperado, vem então mais um referendo sobre a "interrupção voluntária da gravidez" a pedido e como direito da mulher, ora se é uma interrupção significa que pode ser algo retomado mais tarde, certo?...
concluo que vivemos num país de contrastes!...

ficam aqui expressas as razões apresentadas pelos nossos bispos pelas quais um católico deve dizer sim à Vida e votar não no próximo referendo:

1ª. O ser humano está todo presente desde o início da vida, quando ela é apenas embrião. E esta é hoje uma certeza confirmada pela Ciência: todas as características e potencialidades do ser humano estão presentes no embrião. A vida é, a partir desse momento, um processo de desenvolvimento e realização progressiva, que só acabará na morte natural. O aborto provocado, sejam quais forem as razões que levam a ele, é sempre uma violência injusta contra um ser humano, que nenhuma razão justifica eticamente.

2ª. A legalização não é o caminho adequado para resolver o drama do “aborto clandestino”, que acrescenta aos traumas espirituais no coração da mulher-mãe que interrompe a sua gravidez, os riscos de saúde inerentes à precariedade das situações em que consuma esse acto. Não somos insensíveis a esse drama; na confidencialidade do nosso ministério conhecemos-lhe dimensões que mais ninguém conhece. A luta contra este drama social deve empenhar todos e passa por um planeamento equilibrado da fecundidade, por um apoio decisivo às mulheres para quem a maternidade é difícil, pela dissuasão de todos os que intervêm lateralmente no processo, frequentemente com meros fins lucrativos.

3ª. Não se trata de uma mera “despenalização”, mas sim de uma “liberalização legalizada”, pois cria-se um direito cívico, de recurso às instituições públicas de saúde, preparadas para defender a vida e pagas com dinheiro de todos os cidadãos.
“Penalizar” ou “despenalizar” o aborto clandestino, é uma questão de Direito Penal. Nunca fizemos disso uma prioridade na nossa defesa da vida, porque pensamos que as mulheres que passam por essa provação precisam mais de um tratamento social do que penal. Elas precisam de ser ajudadas e não condenadas; foi a atitude de Jesus perante a mulher surpreendida em adultério: “alguém te condenou?... Eu também não te condeno. Vai e doravante não tornes a pecar”.
Mas nem todas as mulheres que abortam estão nas mesmas circunstâncias e há outros intervenientes no aborto que merecem ser julgados. É que tirar a vida a um ser humano é, em si mesmo, criminoso.


4ª. O aborto não é um direito da mulher. Ninguém tem direito de decidir se um ser humano vive ou não vive, mesmo que seja a mãe que o acolheu no seu ventre. A mulher tem o direito de decidir se concebe ou não. Mas desde que uma vida foi gerada no seu seio, é outro ser humano, em relação ao qual tem particular obrigação de o proteger e defender.

5ª. O aborto não é uma questão política, mas de direitos fundamentais. O respeito pela vida é o principal fundamento da ética, e está profundamente impresso na nossa cultura. É função das leis promoverem a prática desse respeito pela vida. A lei sobre a qual os portugueses vão ser consultados em referendo, a ser aprovada, significa a degenerescência da própria lei. Seria mais um caso em que aquilo que é legal não é moral.

Pedimos a todos os fiéis católicos e a quantos partilham connosco esta visão da vida, que se empenhem neste esclarecimento das consciências. Façam-no com serenidade, com respeito e com um grande amor à vida. E encorajamos as pessoas e instituições que já se dedicam generosamente às mães em dificuldade e às próprias crianças que conseguiram nascer.

Lisboa, 19 de Outubro de 2006

quinta-feira, outubro 19, 2006

um ano depois....!


hoje estou radiante!
o meu sobrinho e afilhado Rodrigo faz um ano!
como padrinho "babado" aqui fica a simplicidade da minha gratidão a Deus, à minha irmã e cunhado por esta grande alegria.

(Há um ano ele era assim)


Ò Deus que disseste que cada vida é preciosa aos teus olhos,
envolve com a tua ternura esta criança com que alegras a nossa família
e fá-la experimentar todos os dias da sua vida a tua benevolência e consolação. Ámen.

segunda-feira, outubro 16, 2006

O coração...em festa!

Hoje é um dia muito especial para o Coração, a Igreja celebra a memória de Santa Margarida Maria. è uma mulher que viveu num tempo conturbado da Igreja, começava a difundir-se o Jansenismo, um acorrente que põe Deus tão longe que o homem se torna incapaz de estar com Ele, aliás isso é impossível.
Mas como o Bom Deus vira do avesso as nossas lógicas(!) Cristo revela-se a esta mulher como o Deus que tem coração, um coração que ama e quer amar mais, um coração que vibra e sente com o coração dos homens, um coração que expressa a ternura de Deus.

Este é pois um dia de festa para o blog pois mergulhar no coração de Deus é experimentar em cada dia a bondade e a ternura de quem se sabe amado e perdoado, acolhido e provocado a ser mais com Deus, em Deus, no seu coração...

A Santa Margarida Maria disse-lhe o Coração de Jesus :
"Se alguém quiser agradar-me confie em Mim. Se quiser agradar-me mais, confie mais. Se quiser agradar-me imensamente, confie imensamente em Mim".
Amén!

quinta-feira, outubro 12, 2006

Vou a Fátima...


Hoje, como muitos outros homens e mulheres, também eu vou a Fátima...
Sei que este para alguns é um assunto controverso:
há os que não vêm mais nada do que a senhora vestida de Branco e há por outro lado aqueles que rejeitam completamente a mensagem e o facto das aparições.
Quanto aos primeiros é pena que não percebam que o essencial em Fátima não é a Senhora mas a mensagem de conversão, de contemplação do mistério amoroso deste Deus feito um de nós em Cristo...Aliás basta para isso recordar as bodas de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Quantos aos segundos é pena também que não percebam (ou não queiram perceber) que Deus não segue a nossa lógica e que em cada tempo Ele nos surpreende pela simplicidade, pela humildade, e irrompe mais uma vez na história dos homens por sítios e factos que não esperaríamos...e que em Fátima “não se adora uma Deusa” nem se faz a apologia do sofrimento ou da ignorância do Povo de Deus, mas antes em todos os espaços e propostas orantes se fala sempre de Cristo, do seu amor por nós, da necessidade de centrarmos o nosso coração com o d’Ele.
Hoje também eu vou a Fátima! Como homem de fé faço-me peregrino com todos os outros, comungo das suas esperanças e alegrias, dos seus sofrimentos e angústia e com eles ao fitar o olhar na senhora mais brilhante que sol sentir-me-ei desafiado a mudar o coração, a eliminar os preconceitos e as medidas curtas com que tantas vezes vivo e olho os outros...

quinta-feira, outubro 05, 2006

em retiro...


"Tu pertences-me!
coloca-te nas minhas mãos
e dá-me as tuas"
é este o ponto de partida para três dias de silêncio, oração e intimidade com o Mestre.
Desde hoje e até sábado é dentro deste horizonte que lançarei algumas pistas para a oração aos "os meus rapazes" aqui em casa. Para eles e para mim será certamente um tempo de benção, um tempo em que face a face com Ele seremos e sairemos naturalmente transformados.
A ti que passas pelo Coração de Deus peço-te que nos acompanhes na oração e na alegria,
hoje somos nós (os felizardos!) que nos abeiramos desta fonte inesgotável de amor, alegria e misericórdia que é o nosso Deus Trindade...
Amanhã chegará a tua vez, será Ele a convidar-te!Escuta a Sua voz...

domingo, outubro 01, 2006

Eles já chegaram!...


Eles já chegaram!
São 14 rapazes entres os 18 e os 66 anos.
Homens livres que querem entregar-se por amor, com amor, no amor ao Deus Amor.
Durante este ano vão parar para rezar, para amadurecer e discernir o que Deus quer fazer neles e com eles.
Será um tempo de benção, um tempo para crescer na intimidade e proximidade com este Deus que "loucamente os ama" e por isso os chama a serem o rosto do seu amor, da sua ternura, da sua alegria.
Hoje a Igreja faz memória de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, mais conhecida como Santa Teresinha, Ela descobriu que a Igreja tem um coração e por isso dizia a propósito da sua vocação que "no coração da Igreja ela queria ser o amor".
É isto que motiva, desafia, provoca e reúne aqui estes rapazes! É para isto que eles fazem esta experiência de Seminário: Um tempo e um espaço onde estarão com Ele, onde serão os Seus amigos, para depois anunciarem que também neles o Senhor fez maravilhas.
Com eles e por eles também eu rezo a oração com que D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, conclui a sua recente carta pastoral sobre a beleza e alegria da vocação cristã:

Senhor Jesus,
Torna-me atento e vigilante
No discernimento da vontade do Pai
Para que eu possa em tudo
realizar a vocação
Com que Ele, desde sempre,
me quis e amou.
Na hora da dúvida e da provação,
Dá-me a certeza de não estar só,
Mas de saber e querer-Te próximo
Para viver contigo a minha oferta,
Seguindo-te humilde e confiadamente
No serviço da Tua Igreja e do mundo
Ámen!

terça-feira, setembro 26, 2006

"PADRES NOSSOS"...

Partilho convosco um caminho conjunto que tenho percorrido com alguns Irmãos meus e que me tem ajudado muito a crescer na simplicidade, na alegria, na serenidade. é o grupo dos "Padres nossos".
Não, não é um grupo de beatas que se junta no adro da Igreja para cortar na casaca a quem sai da missa ou a quem nem sequer lá pôs os pés!
Falo de um grupo que existe desde 27 Março 2006 (acabou de nascer!) contudo, ontem foi dia de "baptismo"(Um nome confere sempre identidade!!!).
O nosso JPV, que como sempre é um poço de alegria, com a sua espontaneidade e naturalidade baptizou este grupo de "padres nossos". provavelmente podes perguntar-te: "mas o que é isso então? Alguma seita nova?". Nada disso!
Os "Padres nossos" não são mais do que um pequeno grupo de padres(mais concretamente 10) que mensalmente se reúnem para rezar, fazer revisão de vida e crescer no aprofundamento da sua identidade e missão como padres.
Num tempo em que a voragem do tempo nos arrasta para a superficialidade, para a aparência, para o caminhar sem metas, para a correria...é fundamental parar! parar para retemperar forças, parar para serenar e escutar, parar para perceber que "quem cresce sozinho não cresce, isola-se!".
Ontem foi dia de reflectirmos a nossa relação com a Palavra e com a Reconciliação.
Foi tempo para rezarmos e percebermos que não somos "papagaios" que debitam umas coisas para outros fazerem, devemos ser em primeiro aqueles que escutam a Palavra, que a meditam e a vivem...
Somos peregrinos e por isso também nós somos visistados pela tentação do desânimo, da superficialidade, do "profissionalismo"...daí a provocação de Deus e nos deixarmos envolver pela sua misericórdia, pela sua ternura, pelo seu afecto.
deixo aqui as palavras que escrevi enquanto rezava com eles e por eles:
"Ò Deus da minha fragilidade,
Deus Belo e Santo.
Quiseste reunir-nos neste dia em redor de Ti,
converte-nos ao Teu amor,
à Tua vida, à Tua santidade
e torna-nos transparência da Tua beleza e salvação.
Ò Deus da minha debilidade
Sê o nosso refúgio e a noss aforça
Sê para nós...
Sê em nós a alegria e a paz, a ternura e a beleza,
para que a nossa vida seja cada vez mais
um sinal resplandecente de que
Sem Ti nada podemos fazer. Ámen"

Deus sabe como!...


Estes últimos dias foram particularmente preenchidos, Ainda bem!
O fim de semana que passou foi para mim, uma vez mais, a certeza serena de que é Ele que vai conduzindo esta barca de fragilidade que sou eu. A "família" do SDPV esteve reunida no "bunkker" de Souselas. Depois de muitas vicissitudes este fim de semana acabou por ganhar uma configuração diferente daquela que estava prevista inicialmente e transformou-se no fim de semana "bora lá ao trabalho!".
Foi um tempo para rir, para trabalhar, sobretudo dialogar, partilhar a vida, os sonhos, o projecto comum...percebendo sempre que em tudo o que fizermos o protagonismo será sempre o d'Ele e cada um de nós será sempre instrumento.
A diferença e a diversidade de experiências enriqueceu-nos e enriqueceu-me! Não rezámos assim tanto como inicialmente previ, mas como diz o ditado: "Deus escreve direito..."
O Deus das surpresas, o Deus da minha pequenez, ali esteve a provocar-me para dar mais atenção, para acolher mais e melhor, para ser mais humilde e tolerante...da cozinha às diferentes salas de reunião, dos "recém-chegados" à equipa até aos "veteranos"...e assim a noite de sábado terminou já tarde (à 01h já é Domingo!!!). Diante dEle coloquei todos os meus medos, todos os nossos sonhos, o sofrimento de alguns que ali estavam...
Na manhã de domingo o encontro com os nossos irmãos que se reuniam em comunidade à volta do altar...uma vez mais é Ele qu eme surpreende:
uma velhinha, daquelas aparentemente chatas e que apenas nos vão "torrar a paciência", abeirou-se de mim, pequenina, com um rosto sulcado pelas rugas (sinais do tempo que passou e das agruras da vida), com uma mantilha na cabeça, abeirou-se de mim, beijou-me e disse-me: "gostei de o ouvir! obrigado! Sabe, estive na sua ordenação. Nesse dia pedi a Deus uma só coisa, que o fizesse a si e aos seus dois colegas padres "segundo o evangelho" e sabe, hoje agradeci-Lhe..."(e foi-se embora!). Eu não a conheço, ma suma vez mais, e logo depois da Eucaristia, Ele ali estava provocador como sempre!!!
O dia lá continuou e depois de casa arrumada uma outra casa nos acolheu, agora já não estavamos todos...ficámos 5. Foi um tempo de graça! diante dEle feito Pão da Vida rezámos, cantámos, calámos...e deixámos que fosse Ele a "contemplar-nos", a olhar-nos com o seu amor o nosso coração...naturalmente que fomos saciados nesta fonte de salvação e de alegria.
Por isso, Este post não é mais do que uma prece balbuciada a Deus e a cada um deles, pois ao aceitarem "correr este risco" ensinam-me a mim cada vez mais que a Igreja se constrói na comunhão, na corresponsabilidade, na partilha da alegria e da esperança:
Ò Deus, minha esperança e minha consolação, coloco-me na Tua presença e quero bendizer-te por seres o Deus das surpresas, o Deus pequenino, o Deus criança, o Deus da ternura e da misericórdia. Ao agradecer a cada um destes meus irmãos é também a Ti que agradeço.
Obrigado Frei Tibério porque és para mim sempre um sinal de espontaneidade e profundidade.
Obrigado Martinho e Joana pelo vosso testemunho de amor matrimonial simples, discreto e alegre.
Obrigado Pedro por seres para mim um irmão mais novo e constante apelo a uma entrega quotidiana sempre humilde e confiante.
Obrigada Ana Maria por me ajudares com a tua candura a olhar com olhos novos este Deus Connosco.
Obrigado João Pedro e Francisco pela jovialidade, pela audácia e pela humildade com que acolhem a nossa sede de levar a todos este Deus loucamente enamorado pela humanidade.
Obrigada Ana Rita pelo apelo a olhar com mais atenção aqueles que de forma escondida e como grão de trigo se vão gastando ao serviço do reino.
Obrigada Marina e Isabel pela determinação em se organizarem para nos enriquecerem com a vossa presença generosa.
Obrigada Lucinda por me ajudares a compreender que mesmo no tempo da cruz e do deserto continua a valer a pena olhar o horizonte com a esperança do Evangelho.
Obrigado Otília e São Vieira porque mesmo na rectaguarda continua a ser para mim sinal de uma fidelidade criativa.
Obrigado Padre Fernando por seres como és: simples, alegre e testemunha serena da bondade e gratuidade do amor misericordioso de Deus.

sábado, setembro 16, 2006

"Quem diz a Verdade...merece castigo!"


A deturpação fruto de uma leitura emotiva (e que explora também essa mesma emoção!) das palavras do Papa Bento XVI na sua "aula" na passada terça-feira na Universidade de Regensburg, estão a provocar tudo aquilo a que estamos a assistir nestes dias: queimam-se fotografias do Papa, ataca-se o cristianismo, exige-se um pedido de desculpa da parte do vaticano, Igrejas são atacadas...tudo "em nome de Deus"!
Esquece-se no entanto o fundamental:
ler com objectividade e honestidade intelectual aquilo que disse o Papa, o que ele citou e como citou. (fica a versão em Ingês pois ainda não está disponivel a tradução portuguesa)
Mas é isso que não interessa, não vale a pena, o que importa é deixarmo-nos também nós levar nesta onda de emoção e acharmos que um Papa "velho, e conservador" (como ainda alguns o definem) se virou agora contra o Islão. Aliás que o Cristianismo é contra o Islão, e portanto faz-se deste momento mais uma "pedrada" da Igreja Católica aos muçulmanos...Os Cristãos podem ter inimigos mas não são inimigos de ninguém! Aliás o cristianismo não é "contra o homem" mas sempre a favor dele, pois acreditamos que o Deus Connosco, Cristo Jesus, se fez homem e assumiu por dentro a nossa condição.Penso sobretudo que as palavras do Papa são um convite, uma interpelação, a pensarmos a relação profunda entre a fé e a razão, entre a relação dos homens uns com os outros e a relação com Deus. São uma provocação a que o nosso tempo assuma um compromisso com a verdade, com a paz, com o respeito pela dignidade da pessoa humana, com o respeito pela diversidade, que em vez do confronto deve criar pontes de unidade, de comunhão, de diálogo.
Recomendo por isso a leitura do artigo de opinião escrito por Judite de Sousa, Jornalista da RTP, no JN e que a meu ver coloca o essencial da questão de maneira muito objectiva.
Num tempo em que o impacto das palavras retiradas do contexto para servirem de pretexto tem mais força que a verdade, pois essa não interessa, é caso para afirmar que temos que corrigir o povo no velho ditado, afinal "quem diz a verdade é que merece castigo!"...

segunda-feira, setembro 11, 2006

Ensina-nos de novo...


Segundo os velhos parâmetros da normalidade eu debitaria nas linhas que se seguem algumas considerações sobre o 11 de setembro e sobre a viragem que deu a nossa história.
Quem me conhece sabe que gosto da surpresa e de surpreender.
Por isso mesmo não vou lançar nenhum anátema a Bin Laden e seus seguidores, também não vou fazer a exaltação do patriotismo americano, vou tão simplesmente recordar (ou seja: trazer ao coração) que no meio de tudo isto houve "irmãos" meus que partiram, de raças e credos diversos, vou recordar que há familias para quem os dias continuam a ser pesados, vou recordar os orfãos e as viúvas, vou recordar todos os que nas duas torres tentaram salvar da morte outros e que acabaram também por sucumbir, e mais do que acrescentar palavras ocas ao livro das lamentações (que já não precisa de mais capítulos), gostaria de partilhar convosco a oração, as palavras, que fui rezando ao longo deste dia:

Ò Deus da minha debilidade,
olho de novo este mundo que amas até ao fim,
peço-Te que continues a visitar-nos quotidianamente com o Teu Perdão,
com a Tua Ternura, com a Tua Paz...
Dá-nos um coração misericordioso,
um coração capaz de amar e perdoar os inimigos,
um coração que vibra e sente segundo a medida do evangelho.
E quando o ódio, o desespero, a incomprensão e a sede de vingança nos visitarem
envolve-nos ternamente com Teus braços estendidos na cruz
e ensina-nos de novo o que é o Amor, o que é a Vida, o que é a Esperança...
Ámen.