sexta-feira, março 09, 2007

Quarta-feira II Quaresma 2007

Perdoa ao teu próximo o mal que ele te fez.
Pois, se um homem guarda rancor contra outro,
como poderá pedir a Deus que o cure?
(cf. Ben Sirá 27,30-28,7)

Procurar a reconciliação e a confiança exige uma luta dentro de si mesmo. Não é um caminho de facilidade. Nada de grade, de durável se constrói com facilidade. O espírito de reconciliação não é ingénuo, mas é alargamento do coração, profunda bondade, não escuta as suspeitas. Em meados do século XX, um homem chamado João teve uma intuição límpida, o sonho da reconciliação dos cristãos. Ao anunciar o Concílio, João XXIII disse em Janeiro de 1959: “Não faremos um processo histórico, não procuraremos saber quem errou e quem teve razão, apenas propomos: reconciliemo-nos!”. (…) A reconciliação nunca é preguiçosa. Para o Evangelho, ela é imediata. Não perde o seu tempo a elaborar um processo de intenções. Está atenta para não dramatizar as situações. Podemos ter o dom de falar em nome de Deus, uma fé que move montanhas, mas se não tivermos amor, isso não serve de nada.
Não amas aqueles que te amam? Todos são capazes de fazer isso, sem ter necessidade de conhecer o Evangelho. Jesus Cristo chama-nos a amar mesmo aqueles que nos fazem mal e a rezar por eles. Quando rezamos por eles e nada parece acontecer, a nossa oração não é atendida? Não há oração sem realização. Quando confiamos a Deus aqueles que nos feriram, talvez alguma coisa se venha a modificar neles, mas nesse momento o nosso próprio coração já está no caminho da paz.
Ferido, humilhado, quem iria até ao limite das suas forças para perdoar e perdoar de novo? Aqui está o amor extremo. Não há milagres na terra? O amor que perdoa é um milagre.
(Irmão Roger Schutz, Comunidade ecuménica de Taizé )

Dá(r) que pensar...

O Evangelho convida-nos diariamente a deixarmo-nos inundar pelo perdão de Deus para que, saradas as nossas feridas mais profundas, possamos também ir ao encontro de todos os que anseiam pelo perdão, pela paz de coração.
E tu, és daqueles que abrem caminhos de tranquilidade e de reconciliação?...

Pão para o caminho...

Senhor Jesus,
Tu vieste não para julgar o mundo,
Mas para que, através da Tua Ressurreição,
O mundo soubesse que Deus nos ama e quer salvar-nos.
Por isso, Senhor,
Hoje venho a Ti para Te pedir
Que inundes o meu coração
Com sentimentos de reconciliação e de paz,
De perdão e de unidade…
Ajuda-me com a força do Teu Espírito santificador
a vencer a tentação de olhar os outros a partir do preconceito,
a perdoar sobretudo aqueles que me ferem e humilham,
a perdoar sempre, mesmo quando achar que já não vale a pena,
Para que, marcado pela Tua infinita misericórdia,
eu possa ser no mundo sinal de consolação, proximidade e perdão…

Terça-feira II Quaresma 2007

Como bons administradores das várias graças de Deus,
cada um de vós ponha ao serviço dos outros o dom que recebeu.

(cf. 1 Ped 4,7-11)

A comunhão fruto do Espírito Santo é alimentada pelo Pão eucarístico (cf. 1 Cor 10, 16-17) e exprime-se nas relações fraternas, numa espécie de antecipação do mundo futuro. Na Eucaristia, Jesus alimenta-nos, une-nos a Si, com o Pai, o Espírito Santo e entre nós, e esta rede de unidade que abraça o mundo é uma antecipação do mundo futuro neste nosso tempo. Precisamente assim, sendo antecipação do mundo futuro, a comunhão é um dom também com consequências muito reais, que nos faz sair das nossas solidões, dos fechamentos em nós mesmos, e nos torna partícipes do amor que nos une a Deus e entre nós.
É fácil compreender como é grande este dom, se pensarmos nas fragmentações e nos conflitos que afligem os relacionamentos entre os indivíduos, os grupos e inteiros povos. E se não existe o dom da unidade no Espírito Santo, a fragmentação da humanidade é inevitável. A "comunhão" é verdadeiramente a boa nova, o remédio que Deus nos doou contra a solidão, que hoje ameaça todos, o dom precioso que nos faz sentir acolhidos e amados em Deus, na unidade do seu Povo reunido no nome da Trindade; é a luz que faz resplandecer a Igreja como sinal elevado entre os povos: "Se dizemos que temos comunhão com Ele, mas caminhamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Pelo contrário, se caminhamos na luz, com Ele, que está na luz, então temos comunhão uns com os outros" (1 Jo 1, 6 s). A Igreja revela-se assim, apesar de todas as fragilidades humanas que pertencem à sua fisionomia histórica, uma maravilhosa criação de amor, feita para aproximar Cristo de cada homem e mulher que queira verdadeiramente encontrá-lo, até ao fim dos tempos. E na Igreja, o Senhor permanece sempre nosso contemporâneo. A Escritura não é uma coisa do passado. O Senhor não fala no passado, mas no presente, fala hoje connosco, dá-nos luz, mostra-nos o caminho da vida, dá-nos comunhão e assim nos prepara e abre para a paz.

(Bento XVI, 29 Março 2006)

Dá(r) que pensar...

Ser sinal de comunhão na partilha fraterna dos dons recebidos é o desafio que o Senhor sempre nos faz. A comunhão com Deus e a comunhão fraterna não são uma utopia. Um coração disposto a amar, a servir, é já um coração em comunhão, em sintonia...
No meu dia a dia com que gestos é que torno real/visível esta comunhão com Deus e com os irmãos?...

Pão para o caminho...

Senhor,
Eis-me aqui diante de Ti como em tantas outras vezes...
hoje não quero dizer-Te muitas coisas
Venho para estar conTigo no silêncio,
na simplicidade de quem quer escutar para poder amar,
na humildade de quem reconhece que cada passo dado
compromete, desafia e entusiasma a dar mais passos...
Olho o futuro e vejo-o marcado pela esperança,
vejo-o como um tempo que me dás
para ser tudo em Ti e todo para Ti,
e, por isso,
aqui me tens prostrado diante de Ti,
para que me fales ao coração, me preenchas com o Teu amor,
E me leves a ter a coragem de, em cada dia,
percorrer sem medo os trilhos dos homens e mulheres deste tempo
que anseiam por sentido, serenidade, profundidade e alegria...

Segunda-feira II Quaresma 2007

Jesus disse: Não vos preocupeis quanto à vossa vida. Quem de vós, com inquietar-se, pode acrescentar um côvado à extensão da sua vida?
(cf. Lc 12,22-31)


Agradecer a Deus pelas coisas boas que acontecem na vida é fácil, mas agradecer por tudo na nossa vida - tanto pelas coisas boas como pelas ruins, pelos momentos de alegria e pelos de tristeza, pelos sucessos e pelas falhas, pelas recompensas e pelas rejeições - requer muito trabalho espiritual.
Só seremos pessoas que vivem verdadeiramente a gratidão quando pudermos agradecer por todas as coisas que nos conduziram até ao momento presente. Enquanto dividirmos a nossa vida entre eventos e pessoas que gostaríamos de lembrar e aqueles que preferiríamos esquecer, não poderemos pensar na plenitude do nosso ser como dom de Deus pelo qual devamos ser gratos.
Não tenhamos medo de olhar para tudo o que nos trouxe para onde estamos agora e confiar que, em breve, veremos nisso a mão condutora de um Deus amoroso.

(Henri Nouwen)

Dá(r) que pensar...

Às vezes andamos de tal forma ansiosos, nervosos, que aquilo que mais nos preocupa é “o que não tivemos”, “o que não fizemos”, “o que não fomos”...Hoje Jesus desafia-nos a viver a vida em atitude de profunda gratidão quer pelo caminho andado, quer pelo caminho que ainda falta percorrer.
A minha relação com Deus manifesta já esta atitude profunda da gratidão ou, pelo contrário, ainda “regateio o amor”?...

Pão para o caminho...

Senhor,
Muitas vezes dou por mim olhar a vida de uma perspectiva estatística,
A fazer contas do que já amei ou fui amado,
Do que dei ou do que me deram...
Enfim, a perceber se “o saldo da minha vida” é positivo ou negativo.
É por tudo isso que hoje venho a Ti,
Ao rever o caminho andado,
Neste tempo de graça e de retorno a Ti,
Vejo-me muitas vezes a “regatear o amor”,
A pensar “narcisisticamente” que sou eu
quem deve decidir quando é “o momento mais oportuno” para amar, servir,...
por todas essas vezes,
em que o Teu amor não foi mais forte em todas as minhas opções,
eu Te peço com o coração, a inteligência e a vontade:
Filho de Deus, tem Misericórdia de mim.



Domingo II Quaresma 2007

Levando Consigo Pedro, João e Tiago, Jesus subiu ao monte para orar. Enquanto orava, modificou-se o aspecto do Seu rosto e formou-se uma nuvem que os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que disse: Este é o Meu Filho dilecto, escutai-O.

(cf. Lc 9,28-36)

Olhar o rosto de Jesus crucificado é abrir-se ao insondável amor com que Deus nos ama. Porque a morte de Jesus, o Filho de Deus, é a mais radical expressão do amor de Deus por nós, contemplar o Crucificado é o caminho mais directo para nos abrirmos a esse amor infinito. Também aí, sobretudo aí, Cristo é o caminho para o Pai.
Que Deus nos ama, é objecto da nossa fé. Começamos por acreditar nesse amor. Mas o amor de Deus por cada um de nós pode tornar-se experiência vivida e mesmo sentida. A generosidade absoluta desse amor comove-nos; a ânsia que Deus manifesta de nos amar e de receber o nosso amor, desperta dinamismos profundos, escondidos no nosso coração. Não é só Deus que se sente atraído por nós; no mais íntimo de nós mesmos sentimo-nos atraídos por Deus e essa é uma atracção de amor. A dimensão esponsal com que as imagens bíblicas nos apresentam o amor de Deus pelo seu Povo, revela-nos o mais profundo desejo de Deus: ser comunhão connosco. Para o conseguir, enviou o seu Filho, isto é, deu-no-l’O para nos amar com um amor humano, que é divino, e dar a maior prova de amor, deixar-se amar por nós.
Ao preparar a Páscoa deste ano, não desviando o olhar do rosto de Cristo crucificado, identifiquemos todos os sinais da nossa atracção por Deus, demos-Lhe o nosso amor manifestado em gestos simples de vida, que vão da adoração ao amor fraterno, e demos, neste tempo, à Cruz do Senhor um lugar especial na nossa vida, com muita gratidão e de ternura. E nunca esqueçamos que amá-l’O é cumprir a sua vontade obedecendo aos seus mandamentos, pois há formas de viver que abafam em nós essa experiência do amor de Deus.

(D. José Policarpo, Mensagem Quaresma 2007)

Dá(r) que pensar...
Hoje é Domingo. A Igreja reúne-se para celebrar o dom da Vida nova eterna que nos é oferecida em Jesus, uma Vida Transfigurada! Hoje a Palavra convoca-nos a contemplar Jesus, Deus pede-nos que O escutemos. E eu, como respondo a este apelo de Deus?...

Pão para o caminho...


Senhor,
Hoje venho a Ti
Com todos os meus irmãos
que desejam ver-Te, tocar-Te, contemplar-Te,
Trago-Te todos aqueles que se sentem “indignos de Ti”...
Aqueles e Aquelas que em vez de verem transfigurada a sua existência
A vêem denegrida, explorada, maltratada...
Estes querem escutar-Te e amar-Te,
Mas, tal como eu,
Também muitas vezes não sabem como, de que forma, onde...
Dá-nos, Senhor,
A graça de Te desejarmos acima de todas as coisas,
De Te amarmos com todo o nosso coração
E de Te adorarmos como O único
Que dá razão de ser a cada amanhecer, a cada instante, a cada vida...

Sábado I Quaresma 2007

Os que olham para Deus ficarão radiantes,
no seu rosto já não haverá amargura.
(Salmo 34)

O que podemos dizer sobre o amor de Deus? Podemos dizer que ele é incondicional. Deus não diz “eu amo-te se...”. Não há nenhum “se” no coração de Deus. O Seu amor por nós não depende do que fazemos ou dizemos, da nossa aparência ou inteligência, do nosso sucesso ou popularidade. O amor de Deus por nós existiu antes do nosso nascimento e existirá depois da nossa morte. Ele dura por toda a eternidade e não está ligado a nenhum evento relacionado com o tempo ou circunstâncias. Isso significa que Deus não se preocupa com o que fazemos ou dizemos? Não, porque o Seu amor não seria real se Ele não se preocupasse. Amar sem condição não significa amar sem preocupação. Deus deseja relacionar-se connosco e quer que o amemos em troca.
Ousemos entrar em íntimo relacionamento com Deus sem medo, confiantes de que receberemos amor e sempre mais amor.
(Henri Nouwen)
Dá(r) que pensar...
O amor de Deus, por todos e cada um de nós, reconcilia, traz a novidade do amor a uma vida amargurada, egoísta...é neste contexto que Deus se revela em Jesus como um “esbanjador de misericórdia”. Diante de tudo isto sou interpelado a questionar-me: Como vai a minha relação com o sacramento da reconciliação?...

Pão para o caminho...

Senhor,
Hoje venho a Ti
Com todos os meus medos,
Angústias e fragilidades...
Sabes, eu sei que Tu és perdão,
Mas há tantas vezes em que sinto medo
de me reconciliar contigo e com os irmãos...
como se tivesse que ter medo do Amor!
É por isso, Senhor, que estou aqui
Venho uma vez mais a Ti para Te pedir:
Toca-me com a Tua graça e misericórdia,
Para que eu reconheça com verdade as minhas fragilidades
E como tantos outros ao longo das estradas da Galileia
Eu clame com fé:
Filho de Deus, tem misericórdia de mim.

Sexta-feira I Quaresma 2007

O Senhor encontrou o seu povo numa terra árida, num deserto solitário.
Cercou-o, cuidou dele e guardou-o, como se fosse a menina dos seus olhos.
(cf. Deut 32,8-11)
Como se nos manifesta o Deus-Amor? Estamos no segundo momento do nosso itinerário. Mesmo se já na criação são claros os sinais do amor divino, a revelação total do mistério íntimo de Deus verificou-se com a Encarnação, quando o próprio Deus se fez homem. Em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, conhecemos o amor em todo o seu alcance. De facto, "a verdadeira novidade do Novo Testamento escrevi na Encíclica Deus caritas est não consiste em ideias novas, mas na própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos um realismo extraordinário" (n. 12). A manifestação do amor divino é total e perfeita na Cruz, onde, como afirma São Paulo, "é assim que Deus demonstra o seu amor para connosco: quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós" (Rm 5, 8). Portanto, cada um de nós pode dizer sem receio de errar: "Cristo amou-me e entregou-se a Si mesmo por mim" (cf. Ef 5, 2). Redimida pelo seu sangue, vida humana alguma é inútil ou de pouco valor, porque todos somos amados pessoalmente por Ele com um amor apaixonado e fiel, um amor sem limites.
(Bento XVI Mensagem JMJ 2007)



Dá(r) que pensar...

Neste itinerário para a Páscoa cada dia é uma provocação a dar passos, a voltar a Deus. O que mudou desde o inicio desta quaresma? Onde é que já houve conversão? Sinto-me a ser guiado e amado por Deus?...


Pão para o caminho...
Senhor,
Hoje venho a Ti para dar graças
Pelo dom de sermos o Teu povo,
Aquele Povo que não abandonas ao acaso
Mas que amparas, cuidas, proteges, amas...
Nem sempre é fácil reconhecer que é no meio deste Povo,
Escolhido, amado e enviado,
Que eu devo dar passos concretos...
Às vezes acho que é melhor caminhar sozinho,
Que só eu é que sei o rumo,
só eu é que tenho força para chegar à meta...
Hoje, venho a Ti, Senhor,
Para te pedir perdão
Por todas aquelas vezes em que, para os meus irmãos e irmãs,
eu não fui solidário no tempo da festa e consolação no tempo da dificuldade...

Quinta-feira I Quaresma 2007

Luta no bom combate da fé;
faz por conquistar a vida eterna, para a qual foste chamado.
(cf. 1 Tim 6,11-16)

Jesus Cristo é um caminho simples e acessível para todos os que buscam Deus, porque é um caminho humano; a Sua palavra é uma palavra humana, o amor a que nos convida é um amor humano, que n’Ele tem a densidade do amor absoluto, que vive na intimidade do seu amor filial com Deus Pai. Amando Jesus Cristo, nós experimentamos que o amor é um só, que não há uma fronteira intransponível entre o amor humano e o amor divino.
Caminho ao nosso alcance! O evangelista São João exprime esta especificidade do caminho cristão para chegar a Deus, logo no início do seu Evangelho: “Nunca ninguém viu Deus; o Filho Único que está no seio do Pai deu-O a conhecer” (Jo 1,18) […] Jesus torna Deus mais próximo e acessível. E essa proximidade proporciona aos homens criarem intimidade com Deus, pois esse é também o grande desejo de Deus, que levou a que o seu próprio Filho encarnasse e se fizesse homem. Ao revelar-nos a sua intimidade filial com Deus Pai, Cristo abre-nos as portas à filiação divina, onde experimentaremos, também nós, essa intimidade filial com Deus. Ouçamos, ainda, o testemunho do Apóstolo São João: “A quantos O receberam, aos que n’Ele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo. 1,12).
Esta é a grande surpresa existencial da fé cristã: ao sentirmo-nos filhos de Deus, tudo muda na nossa vida. É como se nascêssemos de novo, como se uma vida nova nos fosse dada, participação da vida nova do Ressuscitado. Esse é o testemunho de Deus acerca de seu Filho: “Deus deu-nos a vida eterna e esta vida está no seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida, quem não tem o Filho não tem a vida” (1Jo. 5,11-12).
(D. José Policarpo, 7 Março 2004)
Dá(r) que pensar...

Eternidade…Vida eterna… Um horizonte de vida que me lança na intimidade de Deus. Um desafio a perceber que em Cristo sou convidado a “nunca sair de Deus”.
O que significa para mim “vida eterna”?...Sou um “buscador do eterno”? Os meus gestos semeiam eternidade no tempo?...



Pão para o caminho...

Senhor Jesus,
Rosto terno e misericordioso de Deus,
Hoje venho a Ti com poucas palavras,
Venho sobretudo para Te agradecer…
No imenso amor que me tens,
e que tens a todos os Teus irmãos e irmãs,
Quiseste presentear-me com o dom da eternidade.
Tu que escancaraste as portas da eternidade,
E assim revelaste a intimidade de Deus,
Chamas-me agora a semear eternidade no tempo.
Eis-me aqui,
Serena e confiadamente
entrego-Te a minha vontade e o meu coração,
são inteiramente teus,
para que, revestidos da Tua ternura e consolação,
possam ser no tempo sinal da Vida plena…


Quarta-feira I Quaresma 2007


Feliz o homem que não se desiludiu da sua esperança.
Para quem será bom aquele que é mau para si mesmo?
(cf. Ben Sirá 14,1-6.14-16)


Poderá a fé subsistir sem a esperança? Infelizmente é essa, tantas vezes, a nossa situação de crentes. Sempre que adiamos a conversão, hesitamos na resposta a dar às interpelações do Espírito, deixamos para amanhã a nossa fidelidade ou recusamos um chamamento que Deus nos dirige, na Igreja, num primeiro momento, o que falha não é a nossa fé, mas a prontidão da nossa esperança...Mas se a nossa fé permanecer longo tempo sem a coerência da esperança, ela própria acabará por enfraquecer, naquela luz que nos faz sentir atraídos pela promessa. É que a fé, sem esperança, afasta-se também da caridade, pois é a esperança que mediatiza a caridade.
(D. José Policarpo)

Dá(r) que pensar...

Esperança…esperar…Para muitos a esperança, ou o esperar, é apenas e só um sinal de resignação de quem cruzou os braços e se limita a viver acriticamente a realidade quotidiana. A esperança cristã não é uma alienação! Ela é um “grito comprometido” de que é possível, neste que é o nosso tempo e o nosso mundo, ser feliz segundo a proposta do Evangelho de Cristo Jesus.
Em quem espero? Como espero? Com quem espero?...



Pão para o caminho...

Senhor Jesus,
Fonte de esperança e de vida nova,
Hoje venho a Ti trazendo-te todos aqueles que já não sabem esperar,
Que já não querem esperar, que preferem viver uma vida superficial,
Vazia, sem sentido…
Sabes, às vezes também eu, diante da realidade do mundo
e dos homens e mulheres deste tempo,
desespero, revolto-me, angustio-me…Quantas vezes também eu não sei esperar!
Hoje estou aqui,
com a minha inteligência e o meu coração,
para que sejas Tu a ensinar-me a saber esperar em Ti.
Ensina-me, Senhor, a ver todo o tempo e todas as situações
Como um tempo de profecia, de promessa, de novidade.
Ensina-me a olhar o passado com serenidade,
o presente com humildade
E o futuro com aquela esperança que não desilude…

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Terça-Feira I Quaresma 2007

Acima de tudo, mantende entre vós uma intensa caridade,
porque o amor cobre a multidão dos pecados.

(1 Ped 4,7-11)


A nossa vocação é a de ir incendiar o coração dos homens, fazer aquilo que fez o Filho de Deus, Ele que veio trazer o fogo ao mundo para o incendiar com o seu amor. Que outra coisa podemos desejar se não que arda e consuma tudo?
É portanto verdade que eu sou enviado não só para amar Deus mas para fazer com que o amem.
Não me basta amar Deus se também o meu próximo não o ama. Devo amar o meu próximo como imagem de Deus e objecto do seu amor, e fazer de tudo para que, por sua vez, os homens amem o seu Criador que os reconhece e considera como seus irmãos e que os salvou; e procurar que, com a caridade recíproca, se amem por amor a Deus, o qual tanto os amou, ao ponto de, por eles, abandonar o seu próprio Filho à morte. Portanto, este é o meu dever.
Ora bem, se é verdade que somos chamados a levar, longe ou perto, o amor de Deus, se devemos incendiar as nações, se a nossa vocação é espalhar este fogo divino em todo o mundo, se assim é, e repito, se assim é, irmãos, quanto devo eu mesmo arder deste fogo divino!
Como daremos aos outros a caridade se ela não existe entre nós? Observemos se existe, não em geral, mas em cada um, se existe no devido grau, porque se não está acesa em nós, se não nos amamos uns aos outros como Jesus Cristo nos amou e se não praticamos acções semelhantes às suas, como poderemos esperar de difundir um tal amor em toda a terra? Não é possível dar aquilo que não se tem.

S. Vicente de Paulo (Conferenza 207).


Dá(r) que pensar...


O amor não é abstracto. Amar o outro significa iniciar um caminho sem retrocesso onde as palavras servem (apenas e só) para dar profundidade aos gestos de todos os dias. A quem amo? Como amo?...


Pão para o caminho...


Jesus,
Filho de Deus e minha salvação,
Bem sabes como me é difícil às vezes
Amar sem preconceitos, sem medidas curtas...
É mais fácil, mais cómodo,
dizer apenas que determinada pessoa ou situação estão mal,
que tal acontecimento devia ter sido diferente...
contudo, ao contemplar-te como fonte de todo o amor,
pedes-me tão simplesmente que ame
com um coração terno e misericordioso,
com um coração universal, cristalino, puro...
é por isso que bato, uma vez mais, à porta do Teu coração.
Vem a mim, Senhor,
monta a Tua tenda no meu coração,
e permanece aí, com docilidade e paciência,
para que, mergulhado no Teu amor,
eu renasça com um coração novo, um coração de carne...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Segunda-feira I Quaresma 2007

Jesus cumpre o que fora anunciado pelo profeta Isaías:
Ele não discutirá nem gritará;
não apagará a mecha que ainda fumega.
Todas as nações depositarão nele a sua esperança.

(cf. Mt 12,14-21)




Evangelizar é dar testemunho acerca de Jesus Cristo. O cristianismo é uma fé religiosa, ou seja, uma manifestação da relação do homem com Deus. Não há verdadeira religião sem fé em Deus. Mas o carácter específico do cristianismo é o facto de o homem viver a sua relação com Deus na sua relação com Jesus Cristo, um homem como nós e Filho de Deus. Reconhecer em Jesus o Deus Vivo, porque Filho de Deus Pai, é o elemento decisivo da fé cristã. Não preciso de procurar Deus por outros caminhos; Ele é o caminho. Segui-Lo como discípulo é percorrer, com Ele, o caminho que me leva a Deus; amá-Lo é fazer a experiência insondável do amor divino; comungar da Sua experiência de Filho de Deus, é descobrir Deus como um Pai, deixar que Ele me conduza à intimidade da comunhão trinitária; aceitar o seu desafio de amar os outros como Ele os ama, é descobrir que o amor a Deus nos conduz à fraternidade cristã, como comunhão de amor.
Jesus Cristo basta-nos: podemos unir-nos a Ele como nosso irmão, e ser por Ele introduzidos no mistério da intimidade de Deus, de que Ele nos dá testemunho como Filho. Jesus Cristo é um caminho próprio para encontrar Deus: Ele só é resposta para quem procura Deus; devemos receber o seu testemunho de intimidade com o Pai, e descobrir a Igreja como uma comunhão de filhos de Deus, “filhos no Filho” e perceber que esse dom da filiação divina é o mais maravilhoso fruto da redenção.
(D. José Policarpo, 7 Março 2004)



Dá(r) que pensar...



Deus ao manifestar-se “na carne” em Jesus desconcerta a nossa inteligência e comove o nosso coração…Esperava-mos, como o povo de Israel, um grande guerreiro e Deus manifesta-se na simplicidade, na fragilidade…
Diante de tudo isto: Quem é Jesus para mim? Como anda a minha relação com Ele?...



Pão para o caminho...



Senhor Jesus,
Rosto divino do homem e rosto humano de Deus,
Venho a Ti como todas as outras vezes,
Para Te dizer que creio,
com toda a minha inteligência e com todo o meu coração,
Que Só Tu és o caminho, a verdade e a vida,
Só Tu és a minha luz e salvação,
Só Tu és o meu refúgio e o meu abrigo…
Há momentos e circunstâncias
em que reconhecer-Te como o meu Deus e o meu Tudo não é fácil,
diante das dificuldades muitas vezes o meu coração fica inquieto e longe de Ti…
Mas, eu sei Senhor,
Que Tu és clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade,
E que sempre me acolhes como se fosse a primeira,

a única e a última vez…
Por isso venho a Ti, uma vez mais,
E batendo à porta do Teu coração, peço-Te uma vez mais:
Permanece em mim…pois sem Ti a minha alegria não é plena.

domingo, fevereiro 25, 2007

I Domingo Quaresma

Jesus disse ao tentador:
Está escrito:
«Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele prestarás culto.»
(cf. Lc 4,1-13)

O judeo-cristianismo é a religião que mais valoriza a experiência de amor, exactamente porque nos revela Deus como Pessoa que ama e quer ser amada, com quem o homem pode estabelecer uma verdadeira intimidade de amor e comunhão. E se é possível ao homem ser amado por Deus e abandonar-se a Ele, numa resposta de amor, essa experiência influencia todas as experiências humanas de amor. O amor do próximo brota do amor de Deus; a comunhão com Deus dá ao homem a força e o dinamismo de progredir continuamente, em qualidade, em todas as suas experiências do amor.
Do amor à caridade, enuncia-nos o itinerário do crescimento do amor, onde as capacidades naturais de amar, enfraquecidas pelo pecado, são redimidas e potenciadas pela força do Espírito de Deus, isto é, pela energia amorosa que nos vem do facto de sermos amados por Deus e de o procurarmos amar, mais que todas as outras realidades humanas. É um tema que nos situa no âmago da relação entre a nossa natureza humana e o dom da graça divina, pois a caridade significa aquele grau de perfeição do amor que só é possível ao homem com a força do Espírito Santo. A caridade acontece naqueles que fizeram da sua experiência de amor a Deus, a fonte de toda a sua capacidade de amar. “Amar a Deus sobre todas as coisas” e seguir o mandamento novo de Jesus “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”, só é possível ao homem, com a força de Deus. Mas sendo sobrenatural, é também a plena realização das nossas capacidades naturais de amar. A caridade é a verdade plena do amor, porque é o amor ao ritmo do Espírito de Deus.

D. José Policarpo, 17 Fevereiro 2002

dá(r) que pensar...

A Palavra de Deus neste Domingo é uma provocação a repensar a vida segundo a lógica de um Deus que é ponto de partida e ponto de chegada. Este é o tempo de (re)conversão das nossas metas...é tempo de começar a fazer as perguntas essenciais: Quem é Deus para mim?...

Pão para o caminho...

Senhor,
Com todos os meus irmãos na fé,
Aqui estou diante de Ti,
para fazer memória do imenso amor com que sempre vens ao meu encontro.
Hoje convidas-me a deixar os meus ídolos,
Pedes-me uma fidelidade criativa, ousada, alegre...
Uma fidelidade enraizada na certeza de que só Tu me bastas.
Eu sei que nem sempre tem sido fácil este caminho,
Às vezes falho, algumas vezes vem o medo de não ser capaz, outras vezes mesmo estando Tu ao meu lado penso que estás longe...sinto-me só.
Hoje venho a Ti,
Para Te dar graças por não desistires de mim, mesmo quando Te abandono.
Venho a Ti, Senhor, para que me enchas da Tua consolação,
Para que sares as minhas feridas com o óleo da alegria,
E faças despontar em mim aquele amor fiel e santo
Que não se deixa abalar no tempo da dificuldade
E que anseia por uma profundidade maior no tempo da alegria.

sábado, fevereiro 24, 2007

Sábado depois das cinzas

Jesus disse:
Quando deres um banquete, convida os pobres,
os aleijados, os coxos e os cegos.
E serás feliz por eles não terem com que te retribuir.
(cf. Lc 14,1-14)
O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se o não torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente. E por isto precisamente Cristo Redentor, como já foi dito acima, revela plenamente o homem ao próprio homem. Esta é — se assim é lícito exprimir-se — a dimensão humana do mistério da Redenção. Nesta dimensão o homem reencontra a grandeza, a dignidade e o valor próprios da sua humanidade. No mistério da Redenção o homem é novamente «reproduzido» e, de algum modo, é novamente criado. Ele é novamente criado! « Não há judeu nem gentio, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher: todos vós sois um só em Cristo Jesus ». O homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente — não apenas segundo imediatos, parciais, não raro superficiais e até mesmo só aparentes critérios e medidas do próprio ser — deve, com a sua inquietude, incerteza e também fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo. Ele deve, por assim dizer, entrar n'Ele com tudo o que é em si mesmo, deve «apropriar-se» e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para se encontrar a si mesmo. Se no homem se actuar este processo profundo, então ele produz frutos, não somente de adoração de Deus, mas também de profunda maravilha perante si próprio. Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se «mereceu ter um tal e tão grande Redentor , se «Deus deu o seu Filho , para que ele, o homem, «não pereça, mas tenha a vida eterna».Na realidade, aquela profunda estupefacção a respeito do valor e dignidade do homem chama-se Evangelho, isto é a Boa Nova. Chama-se também Cristianismo. Uma tal estupefacção determina a missão da Igreja no mundo, também, e talvez mais ainda, «no mundo contemporâneo».
João Paulo II, Redemptor Hominis nº 10 (1979)
dá(r) que pensar....
Sou convidado por Jesus a entrar na lógica de Deus, a viver o “evangelho dos últimos”, isto é, a ter uma predilecção especial pelos mais frágeis, pelos “desamados”(pois o amor não é abstracto!).
Como é a minha relação com “os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos...”deste que é o meu tempo?...
Pão para o caminho...

Senhor,
Hoje trago à Tua presença
todos os que vêem ferida a sua dignidade mais profunda,
todos os que são explorados, marginalizados,...
sabes, às vezes também eu, com os meus preconceitos,
não sou capaz de Te reconhecer nestes que são
“pequenos, pobres, coxos,...”
também eu, às vezes, me deixo ir na onda de escolher as “boas companhias”,
os “influentes”,...seguindo uma outra lógica que não é libertação,
verdade ou profundidade.
Por isso, Senhor, hoje venho a Ti, com toda a multidão de homens e mulheres
que mesmo estando à margem Tu não deixas de convidar para o Teu banquete.
Venho para fazer festa contigo e com eles,
Venho para Te dar graças por me teres ensinado a ver nos seus rosto
O Teu rosto belo, a formosura de um amor simples, que se deixa tocar...
A formosura que se fez Pão para que também eu me sente à mesa e saboreie este amor terno, doce e misericordioso.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

sexta-feira depois das cinzas

Nós não sabemos o que havemos de pedir,
para rezarmos como deve ser;
mas o próprio Espírito intercede por nós
com gemidos que não se podem explicar.
(cf. Rom 8,26-27)


Nós todos, quando oramos, somos discípulos de Cristo, não porque repetimos as palavras que Ele uma vez nos ensinou — palavras sublimes, conteúdo completo da oração. Somos discípulos de Cristo, mesmo quando não usamos essas palavras. Somos seus discípulos já, só porque ora-mos: «Escuta o Mestre que ora; aprende tu a orar. Para isto, de facto, orou Ele, para nos ensinar a orar», afirma Santo Agostinho (Sto. Agostinho, Enarrationes in Ps., 56, 5) E um autor contemporâneo escreve: «Uma vez que o termo do caminho da oração se perde em Deus, e ninguém conhece o caminho senão Aquele que vem de Deus, Jesus Cristo — é necessário (...) fixarmos os olhos n'Ele só. É o caminho, a verdade e a vida. Só Ele percorreu o caminho nas duas direcções. É preciso meter-mos a nossa mão na sua e partirmos» (Y. Raguin, Chemins de la contemplation, Desclée de Brouwer, 1969, pág. 179). Orar significa falar com Deus. Atrever-me-ia a dizer mais: orar significa encontrarmo-nos naquele Único eterno Verbo, por meio de quem fala o Pai, Verbo que fala ao Pai. Este Verbo fez-se carne, para nos ser mais fácil encontrarmo-nos n'Ele, mesmo com a nossa palavra humana de oração. Pode esta palavra às vezes ser muito imperfeita, poderá até mesmo faltar-nos de todo. Mas a incapacidade das nossas palavras humanas completa-se continuamente no Verbo que se fez carne para falar ao Pai com a plenitude daquela união mística que forma com Ele cada homem que ora; que todos quantos oram, formam com Ele. Nesta particular união com o Verbo está a grandeza da oração, a sua dignidade, e em certo modo, a sua definição.
É preciso sobretudo compreender bem a grandeza fundamental e a dignidade da oração. Oração de cada homem. E ainda de toda a Igreja orante. A Igreja, em certo modo, chega tão longe como a oração: até onde haja um homem que ore.

(João Paulo II, 14 Março 1979)


dá(r) que pensar...

Sem oração não há convicção, não há verdade, não há profundidade.
O que é para mim rezar? Como rezo?...


Pão para o caminho...

Senhor,
Aqui estou uma vez mais.
Eu sei que rezar é falar conTigo, é amar-Te,...e deixar-me amar.
Mas sabes, às vezes é difícil,
Venho a Ti habitualmente para pedir...
pedir coisas...sobretudo no tempo da dificuldade.
Outras vezes, rezo a correr, com a desculpa de que há muito para fazer.
Há momentos em que também não Te rezo...
Em todos estes momentos sinto que ando a fugir de Ti,
Ou melhor, talvez ande a fugir de mim,
Com medo de me olhar com mais profundidade e verdade.
Hoje estou aqui,
Tão simplesmente para Te agradecer
Por seres o meu Deus, por me amares sem preconceitos,
Por me revestires na fragilidade com a Tua bondade e consolação,
E por me desafiares a dar passos concretos na intimidade contigo.
Hoje estou aqui para que rezes em mim e comigo...

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Quinta-feira depois das cinzas

Jesus disse:
Se alguém quer seguir-me, renuncie a si mesmo,
tome cada dia a sua cruz e siga-me.
(cf. Lc 9,18-24)

Ser discípulo de Cristo supõe empenhamento e é exigente, como recorda o próprio Jesus no trecho evangélico: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 16, 24). Renunciar a si mesmo e aceitar a cruz significa morrer para o orgulho pessoal e confiar totalmente em Deus, vivendo como Cristo na dedicação total ao Pai e aos irmãos.
São Paulo, ao escrever aos cristãos de Roma faz eco ao ensinamento de Jesus, exortando-os a não se conformarem com a mentalidade do mundo, mas antes a oferecerem toda a sua existência em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (cf. Rm 12, 1-2). O seguimento de Cristo requer um itinerário assinalado muitas vezes por incompreensões e sofrimentos. Ninguém se iluda: hoje, como ontem, ser cristão significa ir contra a corrente em relação à mentalidade deste mundo, procurando não o próprio interesse e o louvor dos homens, mas unicamente a vontade de Deus e o verdadeiro bem do próximo.

(João Paulo II, Angelus 29 Agosto 1999)


? dá(r) que pensar...

Ser Cristão pode significar em muitas circunstâncias “ir contra a corrente”.
Que significa para mim carregar a cruz de todos os dias?
E eu, carrego a minha cruz ou arrasto-a?...

Pão para o Caminho...


Senhor,
Hoje venho a Ti,
Não para te dizer muitas coisas,
Mas para estar contigo no silêncio de um coração agradecido.
Bem sabes como às vezes é difícil carregar a cruz de todos os dias...
Quantas vezes me apeteceu deixá-la...encurtá-la...
ou até colocá-la aos ombros dos outros.
É por isso também que estou aqui:
Quero pedir-te perdão por todas essas vezes em que não deixei que o teu amor fosse a minha força
E quero dar-Te graças por não teres desistido de mim,
E por, na fidelidade de todos os dias,
Me repetires ao meu coração:
“Se queres ser feliz...se queres ser meu discípulo...coloca nos teus ombros a cruz e segue-Me!”.
Eis-me aqui Senhor
para seguir-Te até ao calvário
Pois só assim poderei ressuscitar contigo.

Quarta-feira de Cinzas - 2007

É assim que te vou seduzir ao deserto para te falar ao coração

(cf. Oseias 2, 16)



A história da Salvação deu ao deserto um significado religioso e profundo. Conduzido por Moisés e mais tarde iluminado por outros profetas, o Povo eleito pôde, através de privações e sofrimentos, experimentar a presença fiel de Deus e da sua misericórdia; alimentou-se com o pão descido do céu e extinguiu a sede com a água que brotava da rocha; o Povo de Deus cresceu na fé e na experiência do evento do Messias redentor.
Foi também no deserto que João Baptista pregou e as multidões acorreram a ele para receber, nas águas do Jordão, o baptismo de penitência: o deserto foi um lugar de conversão para acolher Aquele que vem para vencer a desolação e a morte ligadas ao pecado. Jesus, o Messias dos pobres que ele cumula de bens (cf. Lc 1,53), deu início à sua missão assumindo a condição daquele que tem fome e sede no deserto.
Amados irmãos e irmãs, convido-vos, ao longo desta Quaresma, a meditar a Palavra de vida deixada por Cristo à sua Igreja a fim de que ilumine o itinerário de cada um dos seus membros. Reconhecei a voz de Jesus que vos fala, especialmente neste tempo de Quaresma, no Evangelho, nas celebrações litúrgicas, nas exortações dos vossos pastores. Escutai a voz de Jesus que, aflito pela fadiga e pela sede diz à Samaritana junto da fonte de Jacó: "dá-me de beber" (Jo 4,7). Contemplai Jesus pregado na cruz, expirando, e escutai a sua voz apenas perceptível: "Tenho sede" (Jo 19,28). Hoje Cristo repete o seu apelo e revive os tormentos da sua agonia nos nossos irmãos e nos pobres.
Convidando-nos, com a vivência da Quaresma, a percorrer os caminhos do amor e da esperança traçados por Cristo, a Igreja ajuda-nos a compreender que a vida cristã comporta o desapego dos bens supérfluos, a aceitação da pobreza que nos liberta e que nos dispõe a descobrir a presença de Deus e a acolher os nossos irmãos com solidariedade cada vez mais activa e em comunhão cada vez mais ampla.
Recordai, pois, a palavra do Senhor: "Quem der, nem que seja um copo de água fria a um destes pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa" (Mt 10, 42). Meditai com todo o coração e com esperança naquelas outras palavras: "Vinde, benditos de meu Pai,... pois tive sede e me destes de beber" (Mt 25, 34-35). (João Paulo II, in Mensagem Quaresma 1993)


A quaresma é essencialmente um tempo de esperança. Um tempo para fazer memória do essencial e um tempo para abrir-se sem medo ao futuro, a um futuro onde Deus é o protagonista, o centro. Que caminho quero trilhar nesta quaresma? Como vou passar da superficialidade à profundidade?...


Senhor,
Venho a Ti, como tantas outras vezes,...
Também eu quero que me fales ao coração,
Quero que me ajudes a ouvir a Tua voz com mais profundidade, a acolher com mais alegria e entusiasmo a Tua Boa Nova de Salvação.
Bem sabes que nem sempre me deixo conduzir pelo teu amor… muitas vezes é o desânimo que me conduz,
a tentação de cruzar os braços e de dizer: “não vale a pena!”,…
mas, mesmo aí, não desistes de mim!
Por isso, Senhor, venho a Ti, mais uma vez,
mais determinado a amar-Te e a acolher-Te,
a deixar-me abraçar por Ti
na certeza de que a tua ternura e compaixão
me hão-de ensinar quais os trilhos a seguir neste tempo que é Teu,
neste tempo de graça e de verdade, de alegria e de esperança,
neste tempo favorável a mudar o coração, a mudar de vida.Venho a Ti Senhor… para estar contigo…para estar em Ti.




segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Porque Ela está a chegar...

Ela está quase a chegar, provocadora como sempre e com aquele olhar de encanto que nos deixa seduzidos e nos leva a segui-la com determinação...falo naturalmente da Quaresma!
Para alguns é o tempo mais aborrecido do ano. Aquele tempo em que "os chatos dos católicos" se restringem a seguir umas "normas esquisitas" de jejum, oração mais intensa e partilha de bens...olhada assim a quaresma não é mais do que uma norma que constrange e não liberta...aliás, aqueles que olharem assim a quaresma não verão nela mais do que a "proibição" de comer carne às sextas-feiras!?.
recuso-me a olhar assim este tempo!
A quaresma de enfadonha tem muito pouco, ou melhor, não tem nada!
Ela é uma interpelação a "voar mais alto para ver mais longe", é uma provocação a abandonar as banalidades e o ritmo muitas vezes superficial em que vivemos para assumir o risco da profundidade, de uma profundidade em Deus, com Deus. A quaresma é essencialmente o tempo em que eu me descubro como único, como amado e perdoado...um tempo eu que eu percebeo radicalmente que sou "o tesouro de Deus".
Por tudo isto, e para que este tempo seja o que deve ser, este espaço da blogosfera terá aqui "pistas" diárias para a oração(que também posso enviar para o vosso mail, é só dizerem), meditação e procurará ser uma interpelação a uma caridade mais autêntica, a um amor fraterno mais ousado.
este caminho que aqui partilho é o caminho que farei (entre outras coisas) com a minha rapaziada aqui de casa
escolhi como lema para esta caminhada quaresmal de 2007 uma frase do profeta Oseias:
É assim que te vou seduzir ao deserto
para te falar ao coração
(cf. Oseias 2, 16)
Falaremos mais do que ela significa ao longo deste tempo, para já, deixo aqui um pequeno excerto de um texto que pode ajudar-nos a preparar o coração para fazer deste tempo um tempo de intimidade maior com Deus e de comunhão fraterna com a humanidade, com os que nos rodeiam:

"De que servirá fugir aos banquetes, se ocupamos com discórdias os nossos dias? De que servirá não comer do pão que nos cabe, se tirarmos a comida da boca do pobre? O jejum para o cristão deve preparar a paz e não as lutas. de que te serve não comer carne, se da tua boca se soltam injúrias piores do que qualquer tipo de alimento? De que te serve santificar o estômago com jejuns, se as mentiras te mancham a boca? em verdade te digo, meu irmão, que não tens o direito de entrar na Igreja se continuas enredado e envolvido nas malhas mortais da usura voraz, que não tens o direito de invocar o teu Senhor se as tuas orações vêm do teu coração invejoso, que não tens o direito de bater no peito se nele se escondem os teus maus desejos. A moeda que deres ao pobre só será justa, quando fores pobre também" (S. Máximo de Turim)

Bom Caminho!

domingo, fevereiro 11, 2007

Pela Vida, SEMPRE!


40, 75%
Este post é uma homenagem a todas aquelas e aqueles que com determinação,serenidade, respeito pela diferença e perseverança, não se deixaram ir na onda e continuam a afirmar que a Vida vale mais que as palavras de pura demagogia "socratiana" e "louçanista" expressas em soluções de cartola em noite de "vitória, modernidade e entrada a sério no séc. XXI"!?


O trabalho continua agora ainda com mais determinação, alegria e entusiasmo! Obrigado a todos os leigos que dando do seu tempo não se pouparam a esforços para que a causa da vida não fosse uma questão marginal ou secundária no debate para este referendo. Rezo (ainda mais) por todos e por cada um.


Um terno abraço deste vosso irmão

domingo, fevereiro 04, 2007

Já tá pronto!!!

Está desde hoje disponível em algumas livrarias do centro do país um pequeno contributo que elaborei para a compreensão da Vocação, Espiritualidade e Missão da Pessoa portadora de uma deficiência no seio das comunidades cristãs.
Tal contributo nasce da minha experiência pessoal de proximidade, partilha de vida e acompanhamento espiritual de algumas pessoas portadoras de uma deficiência...

Este modesto contributo intitula-se "Deus Num Rosto desfigurado", é editado pelas Edições CVS. Todos os resultados das vendas revertem na totalidade para os Silenciosos Operários da Cruz. Podes encontrar mais informações
aqui.

Deixo aqui, para além da capa, um pequeno excerto de um dos sub-capítulos... quem sabe talvez te atrevas a comprar o livro:





O Rosto do Crucificado-Ressuscitado é um Rosto belo, um Rosto que devemos contemplar, pois nele vemos desvelada a resposta às nossas inquietações mais profundas. É um Rosto que para nós é agora Palavra dita e redita ao coração, Palavra de apelo à conversão do coração. É aquela Palavra dita não mais como profecia mas como presença dinamicamente acolhida, celebrada e vivida.É um Rosto que é Pão da vida humana e eterna de Deus, alimento e força para o caminho. Consolação na tristeza e festa no tempo da Alegria. Por isso, esse Rosto Belo aparece-nos como o Rosto de uma vida em liberdade que vence o egocentrismo e que nos convida a vivermos como ressuscitados, como ressuscitadores, isto é, que nos convida constantemente a sairmos de nós para irmos ao encontro dos que precisam de ser descidos da cruz, ou seja, porque ressuscitado eu devo caminhar/viver ressuscitando e provocando ressurreição. É por isso que a beleza do Rosto do Crucificado-Ressuscitado é irresistível, atrai, pois tal contemplação leva-nos a passar das trevas à luz, do abandono à consolação, da dúvida à fé. Esta é a provocação que nos lança Cristo que nas mãos do Pai entrega o seu espírito (cf. Lc 23, 46).Quando falamos de Cristo, da beleza do Seu Rosto, falamos dum Rosto, dum Corpo que, embora ressuscitado, leva as marcas da cruz. Não falamos por isso da beleza efémera que hoje se cultiva, mas da beleza eterna e universal com que Deus, desde a criação, marcou todo o homem e mulher, a beleza do coração, ou se preferirmos na linguagem de Antoine Saint-Exupéry, a beleza do essencial.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Loucos pelo Evangelho!...


2 de Fevereiro! a Igreja celebra o dia da Apresentação de Jesus no Templo.
Neste dia celebramos também o "dia do consagrado", isto é, o dia dedicado a todos aqueles e aquelas que, deixando-se interpelar profundamente pelo Evangelho, descobriram a beleza e a alegria de serem cristãos e assim decidiram entregar a Deus toda a sua vida para servirem na fé, na alegria e na humildade os Irmãos.
Por isso, o post de hoje é dedicado a todos estes Loucos pelo Evangelho, os loucos de Deus e por Deus, esses que sabem que Cristo é caminho nas nossas incertezas, que Ele é a Verdade diante das nossas "máscaras", Ele é a única Vida na qual a nossa ganha sentido e sabor.
Ontem, e a este propósito, alguém me perguntou:
"o que é que leva alguém jovem, com a vida pela frente e cheio de sonhos, a entregar assim a vida a Deus? não será um disparate? uma frustração?"
Para mim a resposta é clara: Deus!
Sim esse Deus próximo e fiel, o Deus Santo e santificador, o Deus todo misericordioso e Alegre, o Deus que ri comigo e para mim, o Deus que é consolação no tempo da angústia, refúgio seguro quando tudo parece perdido...o Deus-connosco, o Deus-comigo, o Deus-contigo...Jesus o Rosto divino do Homem e Rosto humano de Deus.
Aliás esta "loucura" só faz sentido assim! se não fosse por Deus, em Deus e com Ele os consagrados na vida da Igreja seriam uma "associação filantrópica", um grupo de "bem fazer"....seriam, na pior das hipóteses, um grupo de "encalhados" que esquizofrenicamente se dedicariam a uma vida de "caridadezinha"...A vida consagrada não é isto! Consagrar-se a Deus não significa isto! E os que se consagram não são "encalhados"!
São isso sim homens e mulheres livres que se entregam por amor a uma vida que so tem razão de ser no Amar...sem medida...sempre...por Ele, com Ele, n'Ele.
é por Eles e com eles que rezo hoje na simplicidade de quem sente que as palavras não dizem tudo:

Deus da ternura e da misericórdia,
Deus de toda a consolação,
eis-me aqui diante de Ti
trago-te todos aqueles e aquelas
que continuas a chamar pelo nome...
Eis-me aqui
para te agrdecer o dom que é para a Tua Igreja
a vida destes homens e mulheres
que descobriram em Ti razão de ser para as sua vidas.
Protege-os no tempo da dificuldade
e sê para eles um refúgio seguro;
Ampara-os no tempo da dúvida
e sê par eles a certeza serena
de que vale a pena continuar o caminho,
a entrega, as noites perdidas, as lágrimas...
Reveste-os Senhor com a Tua misericórdia
para que no tempo da fragilidade
eles possam ser no mundo
sinal do Teu amor terno...paterno...materno!
Que brilhe neles a Tua luz
para que a humanidade ao vê-los creia
que Tu és a Vida, Tu és o Amor, Tu és Deus!...
A todos os consagrados que conheço um forte e terno abraço deste vosso irmão que muito vos admira e estima!
Coragem. "Não tenham medo"!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

isto é p'ra vocês!...

Eu já tinha prometido à B...... e à H.... que um destes dias havia de dedicar-lhes um espaço aqui no Coração...por isso mesmo hoje decidi ir à pesca ao meus (muitos) papéis pequeninos onde vou escrevendo várias coisas...como sou muito organizado(?!) percebem logo que foi dificil "pescar" aquilo que procurava. quero por isso dedicar-lhes as palavras que se seguem por tudo o que elas são:
pelo seu sorriso terno e contagiante,
pela sua serena proximidade e profundidade
e também pela simplicidade das suas lágrimas.

Por isso miguitas aqui fica, na simplicidade das palavras (que não dizem tudo!), o gesto de quem agradece com um coração terno e simples a amizade que vamos construindo, passo a passo, na esperança e na alegria da fé no nosso "Deus Alegre, Louco de amor pela humanidade e esbanjador de Misericórdia":

A amizade
É um pedaço de céu que me invade e me transforma,
que quebra as fronteiras do infinito
e me leva por trilhos nunca antes percorridos…
É um grito na noite dos sem esperança
que ousa transformar a treva em dia
e devolver aos céus o sol roubado pela angústia.
É uma tela onde cabe qualquer cor
desde que a primeira seja amor.
Ela é o terno abraço que te envolve
E te diz que onde eu estou tu estás em mim…
É este tesouro em vasos de barro
que vou regando com as lágrimas da esperança
para que produza em nós frutos de eternidade.
(Leiria, Fevereiro 2006)

Ser Silêncio...


Depois de uns dias muito intensos humana e espiritualmente (pois o meu pai teve um grave acidente de trabalho!...) aqui estou de novo a dar espaço à escrita soltando os sonhos que aqui se transformam em palavras...

Neste tempo pude experimentar a consolação dos amigos e de Deus...telefonaram, escreveram, rezaram...
Dei por mim tão simplesmente a acolher e a agradecer, quase sem dizer nada...pois ao amor e à ternura também se pode responder com a gratidão de um coração em silêncio.

Entre as muitas coisas em que pensei nestes dias,
dei também por mim tantas vezes diante de Deus em silêncio, tão simplesmente para estar com Ele, não lhe queria pedir nada, apenas estar...

Foi assim que uma vez mais descobrir a importância de acolher em silêncio, de estar em silêncio, de "ser silêncio"...
foi assim que ao longos destes dias me abeirei de Deus e mergulhei n'Ele:


"Meus Deus,
venho a Ti no silêncio,
para estar em Ti e conTigo
sei que és o meu refúgio e a minha consolação,
por isso eis-me aqui..."
Sei que para muitos pode parecer pobre rezar assim...mas para mim foi de uma extraordinária riqueza perceber que Ele é mesmo a minha força e o meu refúgio, minha paz e minha consolação, o Meu Deus, a minha Alegria!
p.s. um agradecimento terno e fraterno ao meu caro irmão mais velho Migalhas! Ele sabe porquê...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

mas...por onde é que ele anda?

Olá!
BOM 2007 para toda a comunidade da "blogoesfera"
(isto começa bem, logo a inventar um termo!!!)
Aqui estou renovado interiormente para mais um ano de Coração a pulsar!
Alguns amigos enviaram vários mails a perguntar a causa da "arritmia do Coração"...não dei noticias pelo natal, depois veio o novo ano e nada...
Só agora foi possível regressar depois de um Natal pleno de Deus passado com a Familia e depois de uns dias (26/12 a 01/01) em Retiro em França.
Para os curiosos ficam a saber que estive precisamento no local (pareço quase o José Hermano Saraiva) do Coração de Deus, exacto, estive aqui... daqui a mais uns dias partilharei convosco algumas das muitas coisas que por lá vivi e escrevi, por agora, fica apenas uma ponta do véu levantada:

Ò Deus de Ternura,
quiseste por misericórdia
dar-nos o Teu coração,
agora que aqui me tens,
enche-me da Tua paz,
faz-me experimentar
a Tua bondade e consolação,
e se de mim precisares
para anunciar no mundo a Tua Alegria e compaixão,
aqui me tens como Teu instrumento,
se for da Tua vontade envia-me,
sou Teu!
(Paray, 27 Dezembro 2006, 01h28)

Na segunda-feira parto para a Casa de Saúde do Telhal, da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus, onde estarei até dia 16 com aqueles de quem já aqui falei vai ser um tempo bastante intenso de partilha de vida com todos aqueles que ali vivem...

sábado, dezembro 16, 2006

“a Menina que vê mais longe”...

"Lá nos encontrámos uma vez mais..."
Assim começa mais uma bela história da minha vida. é a história de mais um encontro que me marcou.
Fui para celebrar o natal com elas, sabia que alguém queria conversar comigo antes e celebrar o encontro com o "Deus esbanjador de misericórdia" no sacramento da reconciliação. Assim aconteceu.
Começou a festa: jantar melhorado, sinais exteriores de festa, grande algazarra na casa...foi então que depois disto subimos à sala de cima, e não é uma metáfora bíblica para aludir á ultima ceia, foi assim de facto. Subimos para no piso superior celebrarmos a eucaristia, o encontro com o Deus da simplicidade, da ternura, com o Deus-Connosco.
ela entrou, discreta como sempre...fixei nela o olhar...algo se passava...mais do que estar triste ela tinha a tristeza no olhar, o peso dos dias ou noites mal dormidas e mal amadas, trazia no olhar a marca da cruz e da dor, um olhar triste e perturbado, inquieto...distraído e confuso! Assim estava "a menina dos olhos tristes" (vamos chamar-lhe assim!).
no fim da eucaristia prendas para todos, oferta da casa. todas começavam a sair e eu chamei-a pelo nome: "..., podes chegar aqui!". por momentos senti que ela paralisou...talvez para ela tenha parado o mundo...ou se calhar talvez agora ele tivesse começado a girar...
Disse-lhe: "estou aqui! se quiseres falar sobre os teus olhos tristes...estou disponível para te ouvir", e acrescentei: "lembras-te do livro que te prometi? trouxe-o comigo, chama-se "o caminho da imperfeição", é a tua prenda de Natal”.
Naquele momento senti, embora a medo, que ela se tornou um barco que levantou a âncora e agora queria começar uma viagem: não para longe ou perto, mas para dentro"...lá nos sentámos...falámos muitos (eu procurei sobretudo ouvir!).
Ela estava um pouco atrapalhada pois não sabia bem se tratar-me por “tu” se por “sr. Padre”, no meio da confusão lá decidimos que o “sr.” É outro e que eu não sou mais do que um irmão, daí que o tu seja o mais acertado!
Entre alguns desânimos, algumas angústias e medos, lá fomos lendo o livro da vida...disse-me que já nem tinha força para chorar...que para ela já não havia solução...estranhamente quando falava das coisas simples e belas, das histórias de cumplicidade e de ousadia, esboçou um sorriso, mais adiante outros... chorou também breves lágrimas, pouco mais que duas, enquanto partilhava o vazio, o medo,...no final de tudo dei-lhe então um abraço demorado e terno, disse-lhe que estava disposto a fazer caminho com ela...e a “menina dos olhos triste”, com um ar confiante de uma “criança que começa a dar os primeiros passos” lá me disse: “vamos tentar! Vou tentar!”. Cá fora já alguém nos esperava. No frio da noite (ou melhor, do dia que já tinha começado há algum tempo!) ela foi descansar e eu lá me enfiei no carro a caminho de casa. Eu estava radiante, Feliz!
Enquanto viajava rezei, cantei também(só um louco é que faz isto!!!), e percebi como sou cada vez mais feliz por, na minha pobreza e simplicidade, dar tempo e coração à escuta.
Com a “Menina dos olhos tristes” apanhei uma vez mais um “banho” de humildade... A menina dos olhos tristes ensinou-me a ser pequenino, aprendi com ela a estar mais atento aos dramas de quem tendo tudo se sente nada...aprendi sobretudo a deixar-me surpreender por este Deus que habita no coração dos homens e mulheres que ele vai colocando no meu caminho.
A “menina dos olhos tristes” tem agora um outro brilho no olhar: a esperança de quem sente e sabe que não está só! Desde esse dia que a “baptizei” como “a Menina que vê mais longe”...é assim que carinhosamente irei tratá-la e acompanhá-la!

quarta-feira, dezembro 13, 2006

um coração que já não espera!?...(ainda a propósito do advento)


Como Criança, sentado à beira mar,
eis-me aqui, ò Deus,
a contemplar-Te no silêncio...
sabes muitas vezes ando quase esquizofrenicamente
a correr de um lado para outro,
pensando que sou eu a salvação que tantos anseiam e esperam...
e bem sabes como nesses dias é o meu umbigo o centro do mundo!
outras vezes, ò Deus, o meu coração já não sabe esperar em Ti, já não tem tempo para esperar em Ti...
e no entanto vem-me sempre à lembrança a convicção de que
um coração que já não espera é um coração que deixou de amar,
que deixou de estar aberto à surpresa,
é um coração que perdeu o encanto pelas coisas pequenas...
Por isso, uma vez mais conTigo e diante de Ti,
aqui me tens:
contemplativo no silêncio,
na expectativa de quem sabe esperar,
a viver este tempo da Esperança
na alegria e na simplicidade
de uma criança que se senta à beira mar
e que sabe que, ao longe, o horizonte
é apenas um ponto de chegada para uma nova partida...

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Imaculada e Senhora do Advento


Virgem.
Sempre Virgem.
Sem pecado concebida.
A Ti, Jovem donzela de Nazaré,
Em quem vem habitar o Deus da Vida,
Chegam estes rogos, estes prantos…
São clamores e cantos,
São gritos de uma fé firme,
São hinos de uma voz trémula.
A Ti, Senhora do Advento,
Confio todos os meus tormentos,
O que sou e o que hei-de ser…
Em Ti, eu quero ver
O meu Redentor Vivo,
Feito homem,
Deus-Menino…
Ele, Princípio e Fim,
Fruto do amor de Deus
Que incarna com teu SIM!

quinta-feira, novembro 30, 2006

O 1000 está aí!


Carissimos irmãos do Coração de Deus estarei fora até domingo à noite a participar na equipa de mais um Convivio Fraterno.
é o 1000!

Um número simbolico, significativo,...especial!
lá estarão muitos novos a descobrir este Deus "Louco, Esbanjador de Misericórdia e Enamorado por Aqueles que criou à Sua imagem e semelhança". (as maiúsculas são propositadas!!!)

Rezem por nós e rezem connosco:



Deus de toda a consolação
que nos chamas a servir-Te nestes nossos irmãos
dá-nos a graça de Te Anunciarmos com simplicidade e alegria,
de Te testemunharmos com profundidade e verdade,
para que assim,
marcado pela Esperança do Evangelho,
possamos ser para eles, e no mundo,
sinal do Teu Amor Misericordioso,
da Tua Alegria e Bondade
da Tua Ternura e Compaixão

segunda-feira, novembro 27, 2006

Sento-me com medo de me ajoelhar...
vejo-te aí, uma vez mais,
na simplicidade de um Pão que se parte e reparte
e eu faminto, aqui estou, perto de Ti.
não sei o que Te dizer pois sabes tudo,
conheces os meus silêncios,
os meus medos,
a minha noite e o meu dia...
Sim,
Tu que me inquietas e me provocas,
Tu que fizeste de mim um simples pescador...
sabes bem que às vezes sinto o medo de lançar as redes,
chego a pensar que não vale a pena...
às vezes ficar na praia é bem mais confortável!
Mas Tu és mais forte e desarmas a minha angústia,
as minhas canseiras e desânimos
com a beleza do Teu amor,
com o silêncio da Tua presença
com a ternura da Tua misericórdia.

Obrigado por seres assim
Meu Deus,
meu Cristo,
meu Senhor...

(Pampilhosa [Mealhada], 25/11/2006 01h17)

terça-feira, novembro 21, 2006

segunda-feira, novembro 20, 2006


Deus Santo e Fonte de Vida
que aqui nos congregas para diante do Pão do teu amor,
Teu Filho Jesus Cristo, Te adorarmos em Espírito e Verdade.
Sabes que nem sempre é fácil para mim reconhcer-Te
e deixar que sejas só Tu o centro da minha vida,
dos meus gestos, das minhas palavras,
dos meus silêncios...
Sendo eu um simples ramo desta videira fecunda que é a tua Igreja,
às vezes também sou este ramo seco que não produz fruto de vida porque deixou de estar unido a Ti,
de permanecer em Ti,
de ser para Ti, sendo com os irmãos.
Bem sabes como tantas vezes a minha teimosia (disfarçada de perseverança!!!)
não reconhece que sem Ti nada posso ser ou fazer,
sem Ti as minhas palavras tornam-se vazias,
os gestos são formalismo ritualista
e o testemunho,
esse torna-se um "papaguear" do "já dito", do "já feito"...
Neste dia em que Te confio a minha fragilidade e quero que sejas também, e sobretudo,
o Deus da minha debilidade,
peço-Te que me ensines a permanecer em Ti,
que me ensines a deixar permanecer em mim a Tua Palavra,
que me ensines a pedir-Te sempre e só o que for da Tua vontade.
Por isso, ó Deus,
visita-me com a Tua Paz,
renova-me com o "vinho novo" da consolação,
fortalece-me com a Tua misericórdia,
reveste-me da Tua Ternura e Alegria.

(Enc. Padres Nossos 30 Out. 2006)

segunda-feira, novembro 13, 2006

estou vivo!

Tenho recebido alguns mails a perguntarem se ainda estou vivo, claro que sim! Vivo e vivaço como sempre.
Ultimamente têm-me sido impossível passar por cá:
com o inicio de Novembro veio também um grande desafio, estive durante 5 dias a orientar um retiro a dois irmãos meus padres, e ainda por cima do mesmo ano que eu. Para mim foi um tempo de benção! um tempo forte de partilha da minha simplicidade com a riqueza que é cada um deles, dois grandes padres, sem dúvida. Um tempo em que Rezámos e Rimos, um tempo em que revisitámos o essencial....partimos diariamente para a nossa reflexão sempre guiados pelo tema do retiro:
"Padre para amar com ternura e caminhar humildemente"
um tema inspirado no profeta Miqueias.
Claro que as duas semanas que antecederam o retiro foram de uma especial dedicação a este trabalho o que motivou a minha ausência temporária.
Entretanto chegaram também mais 4 seminaristas aqui a casa vindos da diocese do Mindelo (Cabo Verde), agora está o grupo completo: 14!
Deles falarei num outro post.
por agora Já chega de informações!
Estou de regresso,
estou vivo,
e certamente que a "arritmia" destes dias vai ser superada com alguns post que tenho em atraso mas que conto publicar.
Como sempre, uma vez mais me lanço nesta imensidão que é o coração de Deus.