sexta-feira, setembro 07, 2007

re-começar...


No silêncio do tempo, e habitado agora pela paz de quem repousou em Deus, com Ele e n'Ele, regresso com a determinação de uma inquietude que se renovou na fidelidade, na alegria da partilha do caminho, na contemplação de muitos que já não via há algum tempo...


Recomeçar é próprio de quem parou para se avaliar, de quem se deixou olhar sem medo pelo Deus Fiel e Santo e se sentiu interpelado a ousar, a propor, a permanecer.


recomeço com a determinação humilde de quem sabe que a vida se faz de passos pequenos, mas com a certeza que nasce da confiança crente de que é a determinação do primeiro passo que marca o ritmo do caminho.


eis-me aqui!

domingo, agosto 12, 2007

Onde está o teu coração?...

A Palavra de Deus tem a dita de nos obrigar positivamente a revisitar o que fomos, a olharmos o que somos para projectarmos com a seriedade (e serenidade) de quem sabe que cada passo necessita de uma determinada determinação.
É assim uma vez mais com a Palavra deste Domingo...sem intimismos despersonalizantes, sem racionalismos gélidos que isolam, o Cristo, Vivo e Vivificador, traz-nos à memória o essencial da fé: a verdade do coração.
Estar vigilante, isto é, viver cada momento marcado por uma esperança que reflecte, que busca intimidade com o Mestre para ser ousada no amar, é tão simplesmente perceber por onde, em quem e como anda o meu (nosso) coração. Tudo isto traz consigo um horizonte de novidade permanente ao que sou que faz com que cada passo que dê tenha de partir sempre de dentro...
É esta constante provocação de Deus, em Cristo, na força do Espírito Santo que faz com que cada um passe do desespero à esperança e da banalidade à profundidade...mas para ser assim há um aspecto que é determinante: perceber o sítio em que me encontro. Só pode projectar aquel que faz memória...
Por isso, na ousadia a que o Evangelho sempre me desafia, fica para mim e para Ti a doce (in)quietação de Cristo: Onde está o teu coração?...aí está o teu "tesouro"!

Goreti...és dom de Deus!

Faz hoje 12 anos de votos perpétuo na vida consagrada uma mulher extraordinariamente simples...

Na pequenez da sua estatura
ela é um sinal da grandeza infinita do Eterno,
na radicalidade da sua entrega
ela é sinal do Deus louco que se dá todo para que todos o tenhamos plenamente,
no sorriso largo sempre estampado no seu rosto
ela é sinal do rosto belo, próximo e Alegre de Deus
na paixão pela pobreza
ela é sinal do Deus pobre que nos enriqueceu com a Sua Vida
na sua inquietação permanente
ela é sinal de que só Deus nos pacifica
na sua insurreição de amor
ela é sinal do Ressuscitado que traz em Seu corpo as marcas do Amor Eterno e Santo de Deus

Goreti, por tudo isto e por muito mais que as palavras não podem dizer, fica o silêncio orante e grato de quem hoje, de um modo muito especial, te levou nas mãos e no coração para te apresentar ao Deus Vivo e Vivificador.

o descanso do Guerreiro!...

É natural que durante os próximos dias notes alguma arritmia aqui "no coração de Deus"...vou uns dias de férias...irei dando noticias...à comunidade da blogoesfera que regularmente visita o coração, aos amigos, aos conhecidos e aos desconhecidos que por aqui passam BOAS FÉRIAS...eu regressarei no fim de Agosto com muito para partilhar!

quinta-feira, agosto 09, 2007

Edith Stein - vale mesmo a pena (re)descobri-la!

Irmã Teresa Benedita da Cruz - Edith Stein
(1891-1942)
Confesso que sou particularmente devoto e admirador desta grande mulher, desta grande Santa! aqui ficam algumas notas sobre a sua vida tão intensa e profundamente vivida...aguardo ansioso a publicação das suas obras em português...entretanto deixo-vos uma pequena oração escrita por Ela sobre o Espírito Santo:


Espírito Santo, ó doce luz, que me envolves e iluminas as trevas do meu coração, Tu guias-me como a mão de uma mãe. Tu és o círculo que me circunda e me encerra em si. Separada de Ti eu cairia no abismo do Nada do qual me elevaste até ao Ser. Estás mais perto de mim do que eu de mim mesma. Mas ainda assim és inacessível e incompreensível. Nenhum nome te pode conter, Espírito Santo, Amor Eterno.

Podes ler a história da sua vida aqui e Vale a pena ler também aqui a Homilia do Papa João Paulo II no dia da sua Canonização.

há um ano atrás...

Faz hoje um ano estava na Polónia, mais precisamente no campo de concentração de Auschwitz...

Naquele sitio só mesmo o silêncio pode dizer alguma coisa...interiormente fiquei muito magoado, ferido, choroso...
Como pode o coração do homem fazer tal coisa?
Ali redescobri ainda com mais intensidade a minha vocação: ser no mundo um sinal vivo e próximo do amor misericordioso de Deus. Sim, só a Misericórdia pode converter a inteligência e o coração, Só a Misericórdia pode mudar o mundo...
No silêncio de quem ali regressa em oração, prostro-me por terra, e trazendo na memória todos os que ali foram martirizados, rogo a Deus: Senhor tem Misericórdia de nós.

domingo, agosto 05, 2007

a doce (in)quietação de quando a vaidade morreu...

A propósito das leituras deste Domingo:

ò vaidade que me cercas,
que me prendes e enrolas...
seduzes-me como sereia no extenso areal da vida
onde sucesso e poder de mãos dadas cavam uma sepultura...
e assim, dormente mas ainda viva,
vais sussurrando o feitiço
de que tudo vale a pena,
sem regra, sem lógica,
pois no teu barco não há dor, nem amor, nem bondade...
resta-te a fealdade de quem se fechou em si
e fez do ódio e desespero remédio para o desassossego
de uma alma só, vazia, solitária...

hoje sou eu quem te grita, ò vaidade,
o grito da esperança na noite escura em que navegas:
não, não vale tudo o mesmo,
o que vale é a consciência
de um coração simples, terno, doce,
que se seduziu pelo eterno
e que proclama no frio da escuridão a luz fulgurante do amor,
pela boca de Paulo, esse outro paladino do amor,
sim, eu morri, e a minha vida está escondida com Cristo em Deus...
e quando de novo à porta me bateres
não mais deixarei que venhas agrilhoar-me
pois eu sei que quando já não há mais nada,
mais coisas, enganos, morte,
continuará a existir Aquele que foi, é e será:
Cristo, que é tudo e está em todos. (cf. Colossenses 3, 1-11)

como grão de Trigo...





Acabo de ler a noticia que dá conta da morte do Cardeal Lustiger. A partida deste Homem, deste Cristão, deste Bispo (e cardeal), traz-me à lembrança a frase do Senhor Jesus: "se o grão de trigo não morrer...". Ao ler a vida de Deus nos passos da sua vida vejo-o realmente como um grão de trigo que cai a terra e que certamente produzirá abundantes frutos no coração dos homens e mulheres do nosso tempo.

Na leitura da sua vida e de alguns dos seus escritos colho o desafio da simplicidade, da ousadia, da humildade, e da convicção que lhe vinha da oração. Era um homem de Deus dado ao seu povo, um bom pastor. Era uma testemunha da alegria e da misericórdia de Deus...sempre muito preocupado que os seus padres fossem no tempo aquilo que deviam ser: um sinal simples e próximo do Deus que a todos ama.

aos que por aqui passam recomendo a leitura de dois livros seus que estão traduzidos para português pela Gráfica de Coimbra: SEDE FELIZES e QUANDO DEUS ABRE A PORTA DA FÉ...(valem mesmo a pena!!!)

Quando for mais estudada a sua vida e o seu testemunho muito hão-de gritar também: "Santo Subito!"

Rezo por ele esta pequena prece:

Senhor nosso Deus acolhe no Teu coração de Pai este nosso irmão que passou pelo mundo fazendo o bem e que anunciou a todos a Tua alegria e misericórdia. ámen

quinta-feira, agosto 02, 2007

Na simplicidade de quem reza - Parabéns Hélia

Ò Deus, fonte de toda a paz,
hoje trago à Tua presença a minha amiga Hélia,
bem sabe como ela é um sinal discreto do Teu amor.
Na simplicidade de um coração humilde que Te procura na alegria
ela vai semeando ternura, afecto, proximidade...
Na hora da provação, Senhor,
coloca-a em Teu regaço,
envolve-a ternamente em Teus braços
e com o fogo do Te amor
sussurra-lhe ao coração:
Não temas, sou Eu,
estou aqui para ser a tua paz.

domingo, julho 29, 2007

"Abbá..." - Quando o evangelho nos (in)quieta

São muitos aqueles que sabendo que sou Teu
procuram um conselho, uma palavra, um gesto,
um silêncio acolhedor e íntimo,
uma proximidade que não julga...
em todas essas horas bem sabes que chamo por Ti: "Abbá..."
pois não posso ligar se ando desligado,
não posso amar se não Te deixo amar-me,
e de novo ressoa o grito de eterna gratidão:
"Abbá...estou aqui...sou Teu...guia-me segundo a Tua vontade"
hoje queria falar-te de todos,
mas tu os conheces,
sabes quem são, o que sentem e como Te procuram...
alguns com passos incertos,
ritmados pelo medo de não ser capaz,
outros com tenacidade buscam-Te
na determinação de quem sabe que é o primeiro passo que marca o ritmo do caminho...
há outros queTe buscam sem saber que é o Teu rosto que desejam...
Trazendo-os todos no coração,
hoje venho a Ti, Abbá,
e mergulhado no Teu coração de Pai,
Trago-te a inquietude e o desejo
de quem procura sabendo que já te encontrou
e de quem ama sabendo que desde sempre é amado,
e como Abraão imploro a Tua misericórdia
não só sobre os justos mas também para os injustos,
os tristes, os solitários,
os que ninguém quer e ninguém vê...
pois sinto e sei que o Teu amor de Pai é eterno
e Tu, o Todo misericordioso,
és o Deus da Alegria porque amas na gratuidade, na fidelidade,
com o Teu jeito simples de seres Deus, Pai, Abbá...
(cf. Lc 11, 1-13)

domingo, julho 22, 2007

Marta?... (a propósito do Evangelho deste Domingo)

Marta, Diz-me porque corres?

porque andas inquieta, perturbada, triste, só?...há tanto que esperas para parar,deixando que o silêncio te habite...e no entanto foges,foges de todos, foges de ti...

Marta, Diz-me porque corres?

eu sei que tens medo que as estrelas não brilhem na noite,sei que sentes o frio gélido do vazio, do sem sentido,até sei que experimentas a angústia de muito correr e tão pouco alcançar...

Marta, Diz-me porque corres?

sei que de demanda em demanda foste procurando um trilho novo e eternoonde em cada passo te fosse possível semear a ternura;sei que beijaste cada flor com gratidãoe foste ao encontro da aurora como sentinela que vê na noite o prelúdio da luz...

Marta,não me digas porque corres,diz-me antes para Quem...

é que eu quero ir contigo,e no serenar dos meus passos mais do que procurar quero que Ele me encontree me diga, segredando,não corras mais,uma só coisa é necessária (cf. Lc 10, 38-42)

sexta-feira, julho 06, 2007

ao ver-te...

Ó Mar imenso,
solidão em que em perco
por entre o bramir das ondas...
tu és o refúgio do silêncio,
a porto de abrigo onde a noite e o dia se encontram
para num romance eterno me trazerem a novidade do infinito.
e eu, aqui, sentado na doce lembrança do que sou,
vejo-te, ó mar,
trazer do horizonte a arca das recordações
dum tempo que foi teu e que já me não pertence...
na imensidão que és
perco-me perdendo o pé...
e como náufrago que é acolhido nos braços do Transcendente
mergulho em ti, ó mar,
para daí ressurgir
como viandante que trilha o desconhecido
com a determinação da esperança.

(Figueira da Foz, 18h50)

quarta-feira, junho 27, 2007

3 anos depois

Junho 2004, 16h

Com o coração em júbilo acolho de Deus o dom da ordenação presbiteral. 3 anos depois intensificou-se o entusiasmo, a paixão por servir e amar este Deus Louco e esbanjador de misericórdia e de servir cada homem e mulher (crente ou não) que Deus colocar no meu caminho.

Sinto-me chamado por Deus a ser neste tempo o rosto da Sua Ternura, misericórdia, compaixão e alegria!...

Na hora de fazer memória deste amor com que Deus sempre me quis tenho naturalmente de cantar de alegria e gratidão a Deus pelo dom da minha familia, da minha vida, da fé que Ele me concedeu, de todos os que activa ou silenciosamente contribuiram para que eu pudesse perceber que o Mestre me chamava.

Como as palavras são sempre poucas para expressar o que só o silêncio sabe dizer, aqui fica a prece de quem com humildade se coloca diante de Deus Trindade e procura com simplicidade ser "Todo em Deus, Todo com Deus, Tudo por Deus":

Senhor…
Dá-me pés de barro, para que,
quando vierem terrenos pedregosos,
eu sinta que só Tu és a força e o caminho…
Dá-me um olhar cristalino,
para que possa ver-Te sempre presente
em cada rosto desfigurado, marginalizado,…
Dá-me mãos abertas para acolher
todos os que são abandonados,
vivem na solidão,…
Dá-me um coração de carne para amar sem medida,
sempre…
Dá-me coragem para denunciar a mentira,
Humildade para assumir os meus erros,
Humor para rir das minhas asneiras,
E, quando no fim,
como grão de trigo eu cair à terra,
a minha Fidelidade e Felicidade,
nesta entrega total a Ti,
Façam germinar Homens e Mulheres
loucamente apaixonados
pelo anúncio do Teu Evangelho.
Ámen

domingo, junho 17, 2007

Marta....Parabéns!

Aqui fica Um presente muito simples para a minha amiga Marta F. que Hoje celebra o dom da Vida.
Apesar de estar longe sou muito grato a Deus pelo dom da sua amizade e pelo seu testemunho de simplicidade, ficam algumas palavras em jeito de oração que não transmitem tudo, mas que são o pórtico da minha gratidão a Deus:

Meu Deus,
na simplicidade da minha oração,
venho a Ti com o coração pleno de gratidão
nesta hora e neste dia em que celebramos o dom da vida da Marta.
Bem sabes que ela te busca generosamente na sua simplicidade,
com o seu "coração de criança" que se deixa encantar com as pequenas coisas,
e que é capaz de reconhecer-Te em cada irmão que sofre a angustia de não ser amado.
Por isso, Deus de Ternura,
peço-Te que hoje a envolvas de um modo mais intenso com a Tua graça,
com o Teu amor Fiel e Santo,
e a faças experimentar a alegria de ser única aos Teus olhos...
e quando as lágrimas percorrem o seu rosto seja a Tua consolação, Senhor,
a dar-lhe o alento para ver em cada dificuldade
uma oportunidade para escrever no livro da vida mais uma página
em comunhão plena conTigo, com Jesus, com o Espírito Santo.
Ámen.

(Leiria, 17 Junho 2007)

domingo, junho 10, 2007

Isabel (= casa de Deus)...

Pai,
eis-me aqui para te dar graças...
quero dizer-te poucas coisas,
pois quando se tem muito para agradecer
só o silêncio é capaz de o expressar.
é por isso que te louvo neste silêncio
que me faz cantar de gratidão
pelo dom da vida desta amiga e irmã.
Juntos partilhamos o entusiasmo
de querer que Te conheçam mais, que Te amem melhor
e que possam experimentar a bondade e a ternura do teu amor,
juntos crescemos na partilha da vida e dos medos,
dos sonhos, dos projectos tantas vezes amados e adiados...
neste dia em que Te dou graças pelo dom da sua vida
rogo-te, ò Pai,
para que preenchas todos os seus vazios e a faças experimentar a Tua paz.
àmen.

Obrigado Marina...

Meu Deus,
venho a ti com a simplicidade de uma criança,
quero agradecer-te o dom que tem sido para mim
esta jovem inquieta e irrequieta
que dia a dia vai trilhando comigo o caminho da Tua casa...
Tu que lhe concedes o dom de te mostrar vivo e ressuscitado,
fortalece-a no tempo da provação
e se alguma vez todos a abandonarem
envolve-a ainda mais ternamente em teus braços
e faz-lhe experimentar profundamente
que só Tu és a Luz terna e suave que leva mais longe...
Àmen

quinta-feira, junho 07, 2007

Fome de Deus...

Jesus Eucaristia,
aqui estou junto de Ti mais uma vez…
Tu que és o Pão da Alegria,
ensina-me a levar a tua alegria, a felicidade que propões, a todos e a cada um dos homens e mulheres que partilham comigo a sua existência.
Tu que és o Pão da Misericórdia
ensina-me a sentir-me sempre perdoado, acolhido, …
ajuda-me a perdoar sempre, a todos sem excepção…
Tu que és o Pão da Verdade
ensina-me a anunciá-la sem medo, com a vida,
ajuda-me a desmascarar a mentira que apenas nos ilude e nos afasta do Teu amor…
Tu que és o Pão dos Pobres
ensina-me a ser pobre, a viver sempre segundo a gratuidade, a partilhar sempre o que sou e tenho…
Tu que és o Pão da Simplicidade
ensina-me a ser puro de coração e a olhar todos como irmãos…
Tu que és o Pão da Vida
ensina-me a valorizar e a acolher todas as vidas, mesmo as mais desfiguradas…
Tu que és o Pão do Amor gratuito, o Pão que cria fome
ensina-me a fazer do meu coração um tabernáculo onde o pão se parte e reparte para todos os famintos…
Jesus Eucaristia faz com que em cada dia eu tenha fome de Ti!
Amén

sexta-feira, junho 01, 2007

sussurrando...

shiuuu! sou eu!
vim para estar contigo,
já vi que não me reconheces...
sim, estou contigo desde sempre,
amei em ti, chorei contigo,
provei o amargo sal de cada lágrima que sulcava o teu rosto
e traçava o trilho amargo da confusão, do sem sentido...
na escuridão da noite eu sussurrei-te: "não tenhas medo"
mas tu achaste sempre que a bruma e a neblina eram maiores que o teu querer...
e quando quis recordar-te o valor do sorrisso e a ousadia do sonho,
eu disse ao mar:
fala-lhe das noites com estrelas,
do luar que cintilante sobre ti devolve aos sonhos a imensidão futura,
do sol que ao despontar pela aurora
traz consigo o doce perfume da esperança..
e aí o mar, calando o bramir das ondas,
e plano como um espelho
respondeu-me em jeito de sussurro:
sou um espelho que te reflecte,
ò silêncio,
só assim, calando-me, poderei dizer o que me pedes,
pois só assim tu és todo em mim e eu todo para ti.


(S. Pedro de Moel, 23 Maio 2007)

quarta-feira, maio 23, 2007

Ele vem aí...


A serena expectativa de todos os crentes para acolherem o Espírito Santo deve levar-nos a fazer algumas perguntas essenciais para encontrarmos também as respostas fundamentais.

"Quem é o Espírito Santo? qual a minha relação com Ele? de que forma O vejo presente no mundo, na Igreja?"...

Estas não são questões marginais, no meu entender elas são decisivas, para que a "confusão não nos confunda" e para que não olhemos para o Espírito Santo apenas e só como "aquela pomba que desceu sobre Jesus" ou "a chama de fogo que desceu sobre os apóstolos".

o Espírito Santo Não é um apêndice decorativo do mistério amoroso de Deus Trindade, nem é um "passarinho" que ande por aí meio perdido esvoaçando sem rumo por onde se lembra...

Ele é o amor eterno e terno de Deus, é este "fogo" que nos desassossega para o bem, para a verdade, para a comunhão na diversidade; é a ousadia que nos faz caminhar em Deus e com Deus, é Aquele que nos revela a intimidade do Pai e do Filho é Aquele que nos permite discernir o que é de Deus no meio da ambiguidade, da mentira, do superficial.

O Espírito Santo é isto e muito mais, porque é Deus com o Pai e o Filho, se calhar mais do que palavras Ele é essencialmente silêncio...e é assim que eu O espero no próximo Pentecostes, num silêncio adorador e disponível, íntimo e próximo, simples e alegre, na certeza de que Ele vem!

segunda-feira, maio 21, 2007

A libertação do oprimido!...

Depois de algum tempo engessado hoje foi o dia da "libertação do oprimido".
agradeço a todos os que se fizeram próximos neste momento de uma particular limitação.
Para que possam "contemplar" o meu maravilhosos pézito agora já não engessado mas em franca recuperação, aqui fica uma foto:

Eu sei que está com um bocadinho de mau aspecto, mas foi o que se pôde arranjar...

domingo, maio 20, 2007

Hoje é dia de Festa...


Há 365 dias atrás nascia na blogoesfera este espaço para sussurrar ao coração dos homens e mulheres do nosso tempo a Bondade, a Ternura, a Alegria e a Misericórdia do nosso Deus!

Um ano depois, e revendo o caminho percorrido, o coração continua a pulsar na certeza de que o Amor é sempre maior...sobretudo quando é "fraco", quando vai contra-corrente (e não fica mudo diante da superficialidade, do banal, do sem sentido), quando não desiste diante das dificuldades...Começa mais uma ano para o Coração de Deus, e Ele continuará a dizer-nos sempre: "Eis o coração que tanto ama ...".


Obrigado a todos e todas que fazem deste blog um pequeno espaço de partilha da fé e encontram nele um trilho simples e alegre para o Coração de Deus.

sábado, maio 19, 2007

Rostos da Esperança...


Num tempo marcado pelo medo de fazer opções hoje fiquei positivamente "escandalizado"!

É verdade, cá por casa tivémos a visita dos futuros candidatos ao tempo propedêutico, não estiveram todos, mas os que estiveram. Homens felizes! Homens Livres! Homens que se querem entregar com generosidade ao serviço do Evangelho.

No olhar e no coração de todos e de cada um pressenti aquela esperança e aquele amor que não enganam, a beleza do enamoramento por este Deus que provoca e convoca, que desafia e convida a ir mais além, a ver mais longe, a "voar" mais alto...

Tive oportunidade de conhecer um bocadito melhor aqueles que vêm da minha diocese, estou muito feliz pelo trabalho que tem sido feito no nosso pré-seminário, fiquei feliz por perceber em cada um, ao seu jeito e com a sua história, a descoberta do essencial...

Para mim eles são Rostos da Esperança, isto é, um sinal de que Deus não falta aos que nEle confiam e um desafio a tê-los desde já muito presentes na minha oração, por isso rezo:

Deus de toda a consolação
que continuas como outrora a chamar discípulos
para serem seguidores do Teu Filho
dá força, coragem e alegria a cada um destes meus irmãos
para que Te descubram sempre como fonte de Vida
e Te sirvam na alegria em cada dia das suas vidas
a Ti que te manifestas presente no meio de nós
no coração de cada homem e mulher.
Ámen.

domingo, maio 06, 2007

o teu dia são todos...

As poucas palavras que escrevo neste dia,
quase a balbuciar,
são para Ti, Mãe.
Escrevo-as como quem chora e canta de alegria...
e com a sua simplicidade faço delas oração.
Neste dia dou contigo graças ao nosso Deus.
Dou graças pois carregaste em teu seio
o dom mais precioso que possuo:

a vida, a minha vida.
Sempre me ensinaste

que só a verdade vale a pena,
que só o amor constrói,

que só o perdão transforma...
e assim plantavas no meu coração a semente do Evangelho.
Nas noites mais escuras
continuas a ser uma estrela cintilante de esperança,
e quando tudo parece perdido,
o teu regaço continua a ser porto de abrigo.
Por isso, neste que é o teu dia,

recebe com estas palavras
um doce beijo daquele

que sabes que te ama!

quarta-feira, maio 02, 2007

a loucura de ser padre (2)...

Como já sabem encontro-me num "repouso forçado", e tenho por isso aproveitado este tempo para ler algumas coisas que já andam há algum tempo na minha secretária, para rezar e também para escrever (poesia, disparates, entre outras coisas...).
Tenho entre mãos um livro sobre o Padre Américo chamado: “padre Américo – Místico do nosso tempo”, este homem, este (Grande) padre é impressionante…um ícone das bem-aventuranças acolhidas, rezadas e vividas em pleno!!! Merecia ser mais lido aquilo que ele escreveu, merecia que todos (e não só os de coimbra) se empenhassem na sua beatificação. Este homem com o seu pensamento e coração cheio de Deus faz-nos bem!
Acabou também de me chegar às mãos vindo de Roma um interessante livro de Salvino Leone chamado "Nati per sofrire?" (Nascidos para sofrer?), é um trabalho como diz o autor para uma "ética da dor". Do livro falarei em post's seguintes dado que ainda agora o comecei...
O meu amigo Joaquim (permita-me que o trate assim) que apenas conhecia das lides da blogoesfera esteve comigo no Domingo na ordenação de dois jovens rapazes felizes (e santos!) um foi ordenado diácono o outro presbítero. Lá falámos da evangelização e do que os padres fazem (ou deviam fazer por aqui)…foi muito interessante a conversa. Obrigado! Gostava por isso de partilhar aqui algumas brevíssimas considerações sobre uma temática que por força dos textos bíblicos das eucaristias destes dias me tem mantido espiritualmente ocupado: ser padre (pastor) hoje!
“Quem é o padre? Para que serve?” tendo em conta a missão que a Igreja me confiou esta é a pergunta que muitas vezes algumas pessoas me fazem.
Com a seriedade e serenidade de quem procura viver as coisas a partir de dentro eu digo, parafraseando S. Agostinho, que o padre é um “mendigo de Deus”(é assim que ele define todo o homem que reza!) e que o Padre não serve para nada se dele se tem uma imagem utilitarista de dispensador de sacramentos sem mais, uma espécie de “funcionário de Deus”, como escreveu em tempos um polémico teólogo. Mas, costumo acrescentar, a questão não é para que serve mas a quem serve. Como dizia abundantemente um bispo português: o Padre é um “expropriado de si para utilidade pública”, é aquele que está disposto a fazer caminho com humildade, aquele que aprendeu a escutar antes de falar, aquele que trata da “beleza espiritual do povo de Deus” (cf. D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima). Por isso o Padre é então para mim o mendigo de Deus, o faminto do Pão da vida, é aquele que é enviado para amar com ternura e caminhar humildemente…é uma loucura ser assim, mas só assim vale a pena, só assim é que se descobre a alegria do ministério.

a loucura de ser padre...

O Sacramento da Ordem «vos fará participar da mesma missão de Cristo; estais chamados a espalhar a semente de sua Palavra -- a semente que leva consigo o Reino de Deus --, a dispensar a misericórdia divina e a alimentar os fiéis na mesa de seu Corpo e de seu Sangue». Para ser seus dignos ministros, tereis de vos alimentar incessantemente da Eucaristia, fonte e cume da vida cristã», a partir de agora, o altar será «vossa escola quotidiana de santidade, de comunhão com Jesus, da forma de penetrar os seus sentimentos». Ao renovar no altar «o sacrifício da Cruz» durante a missa, descobrireis cada vez mais a riqueza e a ternura do amor do Mestre divino, que hoje vos chama a uma amizade mais íntima com Ele. Se o escutais docilmente, se o seguis fielmente, aprendereis a traduzir na vida e no ministério pastoral o seu amor e sua paixão pela salvação das almas.
Diante de um ideal tão elevado, o Papa ofereceu aos presbíteros o segredo da serenidade para as suas vidas: «Que a certeza de que Cristo não nos abandona e de que nenhum obstáculo poderá impedir a realização de seu desígnio de salvação seja para vós um motivo de constante consolo, em particular no dia de dificuldade, e de inquebrantável esperança», disse-lhes. «A bondade do Senhor está sempre convosco e é forte.» «Apesar das incompreensões e contrastes, o apóstolo de Cristo não perde a alegria, e ainda mais, é testemunha dessa alegria que surge de estar com o Senhor, do amor por Ele e pelos irmãos.»
(BENTO XVI, 29 ABRIL 2007, Ordenações em Roma)

sexta-feira, abril 27, 2007

Obrigado Martinho!...


O meu amigo Martinho faz hoje anos!

com ele tenho aprendido a ser mas simples, mais humilde, mais de Deus. Por isso, na simplicidade do gesto, fica a prece de um irmão que mesmo à distância celebra com ele o dom da Vida:


Deus de Misericórdia,
Tu que és o Senhor da Vida e da História,
concedeste-me a graça de me cruzar no caminho da vida
com este meu irmão Martinho.
Por Ele, Senhor, Tu tens-me ensinado a amar-Te na gratuidade,
a servir-Te na simplicidade e a anunciar-Te com alegria...
hoje venho a Ti, de mãos vazias,
mas com um coração agradecido pelo dom da vida deste meu irmão.
Concede-lhe o dom de ver realizados todos os seus projectos,
faz com que goze eternamente da Tua consolação,
e no ocaso da vida concede-lhe a graça de tomar parte contigo
no banquete novo e eterno onde Tu serás tudo e todo para ele.
amén.

Parabéns Martinho!

(o chá fica para outro dia!!!)

Uma questão fracturante!...



Depois de mais uma aventura futebolistica com a minha rapaziada e com alguns colegas padres...(desta vez ganhei um pé fracturado) é assim que me encontro desde terça-feira! Apesar de tudo não perdi a boa disposição e a determinação em viver esta semana de oração pelas vocações com intensidade, profundidade e alegria.

domingo, abril 22, 2007

A vida não é um acaso!...

Está aí mais uma semana de ORAÇÃO pelas Vocações, por todas! pela minha e pela Tua...o Papa Bento XVI, pede-nos na mensagem que nos dirigiu que nesta semana olhemos a vocação como um serviço à Comunhão em e com a Igreja.
A vocação é sempre um mistério de conversão e um milagre de perseverança, quem o afirma é D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro.
O desafio que nos é lançado é o de permanecermos unidos a Cristo, percebendo que a vida não é um acaso mas antes um projecto belo de amor.
também hoje é Cristo que te interpela:
Posso contar contigo?...

quinta-feira, abril 19, 2007

Foi assim...

19 Abril 2005
16h50
Annuntio vobis gaudium magnum;habemus Papam:
Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum,Dominum JosephumSanctae Romanae Ecclesiae Cardinalem Ratzingerqui sibi nomen imposuit Benedictum XVI

Amados Irmãos e Irmãs,
Depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor.
Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes.
E, sobretudo, recomendo-me às vossas orações.
Na alegria do Senhor Ressuscitado, confiantes na sua ajuda permanente, vamos em frente. O Senhor ajudar-nos-á. Maria, sua Mãe Santíssima, está connosco. Obrigado!

terça-feira, abril 17, 2007

A todos os que esperam...


Partilho aqui alguns pedaços da Páscoa deste ano, começo pelo mistério da Cruz, como sinal de proximidade e comunhão com todos os crucificados deste tempo...

Estou aqui sentado no meu canto,
esperando a esperança em mais uma tarde de sexta-feira santa.
Disseram-me que Este era diferente,
era o insurrecto do amor, da ternura, do perdão,...
houve até quem alguém que me disse que Este era Deus,
e eu acreditei,
por isso deixei a bruma da noite
de uma vida onde corre o vento gélido de um dia apressado...
sem tempo para rir, para cantar...ou até p'ra chorar,
fiz-me ao caminho como viandante de um tempo novo,
e se muito esperei, valeu a pena!
pois Este, que agora morre na cruz,
é mesmo Deus,
é seu filho,como Tu ou eu,
e disse-me:
"hoje mesmo estarás comigo no Paraiso".



(Aos que esperam em Deus nesta Sexta-feira Santa 2007)

aos Tomés deste tempo...

Quero ver-Te, escutar-Te...
simplesmente tocar-te como todos os Tomés deste tempo.
No meio da solidão ou da angústia,
no meio do desespero da noite
que parece prolongar-se mais que o tempo
e não dar lugar à aurora,
quero-Te...
mas,...nem sei bem o que dizer-Te!?
Às vezes, meio aturdido,
gostava de dizer-Te tanta coisa,
falar-Te dos dias felizes,
das noites com estrelas,
dos sonhos que gravitam a mente e me impelem
a fazer do presente um tempo de sementeira abundante,
na certeza de que o futuro vem...
e eu sou este viandante que me deixo encontrar.
Outras vezes há
em que nada tenho para Te dizer...
faltam as palavras, o tempo,
a vontade e o coração...
Tu não faltas...mas falto eu!
é entre o acidental e o essencial
que vou caminhando paulatinamente,
na certeza serena
de que a noite terá sempre estrelas
e Tu continuarás a brilhar...
é por isso que com os Tomés deste tempo
eu aprendo a "ver-Te sem Te ver"
e a amar-Te sabendo que estás aqui!...

domingo, abril 08, 2007

Ele já está aí!

Ainda a crescer e a ganhar o seu espaço, acaba de chegar mais uma casa onde te podes abrigar. Um sitio onde encontrarás sempre Alguém que te espera. Encontra o teu caminho em:

segunda-feira, abril 02, 2007

SANTO SUBITO!


Passam hoje dois anos da data da morte de João Paulo II.
O Coração de Deus está em jubilosa festa...JP2 ensinou-me a humildade, a proximidade e a alegria de um coração universal que a todos acolhe com ternura e misericórdia. Muito do que sou devo-o também a ele, ao seu testemunho...
A Ti, que agora estás no seio da Trindade, roga por nós teus irmãos.

terça-feira, março 20, 2007

Se soubesse que Deus vem sempre ter contigo...(Ter. IV - Quaresma)

Se soubesse que Deus vem sempre ter contigo...O mais importante é descobrir que Ele te ama, mesmo quando tu pensas que não O amas.
Cristo espera ser acolhido por cada um de nós. Se tu não consegues dar-Lhe uma resposta, Ele respeita o teu silêncio. Mas quando te abres e O acolhes, por acção do Espírito Santo, cria dentro de ti uma comunhão íntima com Ele.
Na surpresa dessa comunhão, Ele habita no mais fundo da tua alma. A sua presença é tão clara como a tua própria existência.
Tens dúvidas? Escavam-se em ti como que buracos de incredulidade? Contudo, permaneces na fidelidade. A dúvida, por vezes, é apenas o outro lado da fé. Na invisibilidade da Sua presença, o Ressuscitado poderia dizer-te: “sei que há dias cinzentos e opacos na tua vida. Conheço as tuas dificuldades e a tua pobreza, mas apesar disso és abençoado, habitado por fontes vivas, fontes de fé escondidas no mais profundo de ti mesmo.
A surpresa da presença de Jesus, o Ressuscitado, cria em ti uma morada de luz. Ela ilumina mesmo quando tudo parece envolto em obscuridade e brilha como brasas debaixo da cinza.
Por vezes perguntas-te a ti mesmo: o fogo que há em mim vai apagar-se? Não foste tu que o acendeste. Não é a tua fé que cria Deus, não são as tuas dúvidas que O vão lançar para o nada.
Lembra-te: o simples desejo de Deus é já o começo da fé. Quando te abres à vida eterna, a confiança da fé começa e não tem mais fim...
(Irmão Roger, Comunidade ecuménica de Taizé)
A compaixão é vulgarmente confundida com a “caridadezinha”, isto é, com um amor cristão infantilizado. Falar da compaixão é falar dum coração que se ajoelha diante dos irmãos e que se torna servo da sua dignidade mais profunda.E eu, como é que vivo esta dimensão fundamental da minha fé?...
Jesus,
Luz para as minhas trevas,
hoje venho a Ti
na humildade dum coração que quer servir mais e melhor.
às vezes custa-me encontrar-Te no rosto dos irmãos,
custa-me servir-Te na humildade de quem não espera nada em troca,
e quantas vezes o meu amor não é apenas dar do que me sobra...
Neste dia, Senhor,
aqui me tens sem máscaras, reconhecendo a minha fragilidade.
Eis-me aqui, disposto a deixar-me conduzir só por Ti,
para que o meu amor seja autêntico,
e o meu servir generoso,
pois só assim os meus gestos
podem ser sinal da Tua paterna compaixão.

segunda-feira, março 19, 2007

É no silêncio que tantas vezes Te procuro e não Te encontro...(Solenidade de S. José)

«O silêncio de São José não manifesta um ”vazio interior” mas, pelo contrário, a plenitude da fé que traz no coração e que guia cada um dos seus pensamentos e cada uma das suas acções», declarou Bento XVI.(...)Deixemo-nos “contaminar” pelo silêncio de São José; temos muita necessidade dele, num mundo muitas vezes demasiado ruidoso, que não favorece o recolhimento e a escuta da voz de Deus». O Papa propôs aos fiéis que estabelecessem uma espécie de «diálogo espiritual com São José, para que ele nos ajude a viver em plenitude este grande mistério da fé».(...)«Um silêncio, graças ao qual, José em uníssono com Maria, conserva a palavra de Deus, descoberta através das Sagradas Escrituras, confrontando-a continuamente com os acontecimentos da vida de Jesus; um silêncio tecido de oração constante, de oração de louvor ao Senhor, de adoração da Sua santa vontade e de abandono sem reservas à Sua providência».(...)«Não é exagerado pensar que foi do seu “pai” José que Jesus aprendeu, no plano humano, esta robusta interioridade, premissa da justiça autêntica, a “justiça superior” que um dia ensinará aos seus discípulos».

(Bento XVI, Angelus de Domingo, 18 de Dezembro de 2005)

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O silêncio é hoje mais desejado do que nunca. Todos vamos percebendo que só um coração em silêncio pode ser um coração à escuta...disponível...mas será o silêncio simplesmente calar-se?...Quem não se dispõe a escutar dificilmente estará disponivel para se comprometer, para dar a vida, para amar. Quais sãos os “ruídos interiores” que me impedem hoje de escutar a voz de Deus?...

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Deus de toda a consolação,
É no silêncio que tantas vezes Te procuro e não Te encontro...
Eu sei que me falas, que me amas,
Mas sabes, Senhor,
são muitas as vozes que ainda me habitam,
Essas muitas vezes sobrepõem-se à Tua,
ao Teu projecto para mim.
Por isso aqui estou,
Ò Deus que me falas no silêncio do coração,
Para ouvir, como outrora Elias,
A tua voz na brisa suave,
Que me diz com ternura e compaixão:
“Permanece em mim...”


aqui me tens como o filho que regressa a casa (Dom IV - Quaresma)

Quero que saibas que cada vez que me convidas, eu venho sempre, sem falta. Venho em silêncio e de forma invisível, mas com um poder e um amor que não acabam.
Não há nada na tua vida que não tenha importância para mim. Sei o que existe no teu coração, conheço a tua solidão e todas as tuas feridas, as tuas rejeições e humilhações. Eu suportei tudo isto por causa de ti, para que pudesses partilhar a minha força e a minha vitória. Conheço, sobretudo, a tua necessidade de amor.
Nunca duvides da minha misericórdia, do meu desejo de te perdoar, do meu desejo de te bendizer e viver a minha vida em ti, e que te aceito sem me importar com o que tenhas feito. Se te sentes com pouco valor aos olhos do mundo, não importa.
Não há ninguém que me interesse mais no mundo do que tu.
Confia em mim. Pede-me todos os dias que entre e que me encarregue da tua vida e eu o farei. A única coisa que te peço é que confies plenamente em mim. Eu farei o resto.
Tudo o que procuraste fora de mim só te deixou ainda mais vazio. Portanto, não te prendas às coisas passageiras. Mas, sobretudo, não te afastes de mim quando caíres. Vem a mim sem demora, porque quando me dás os teus pecados, dás-me a alegria de ser o teu Salvador. Não há nada que eu não possa perdoar.
Não importa o quanto tenhas andado sem rumo, não importa quantas vezes te esqueceste de mim, não importa quantas cruzes levas na tua vida.
Tu já experimentaste muitas coisas, no teu desejo de seres feliz. Porque é que não experimentas abrir-me o teu coração, agora mesmo, mais do que antes?

(A Oração do Pobre - Madre Teresa de Calcutá)
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Converter-se”... Quantas vezes este não é um refrão que repetimos sem qualquer consequência na nossa vida quotidiana. A nossa conversão tem como meta a alegria de estar em Deus e com Ele, a alegria da Santidade. O que significa para mim “Converter-se”? e Santidade?...
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Senhor,
aqui me tens como o filho mais novo que regressa a casa
depois de ter andado longe, afastado, distante...
Também eu penso agora o que dizer-Te, como dizer-Te,...
sabes, às vezes parece que o meu amor por Ti tem medo, é estranho...
como se diante da misericórdia eu tivesse que temer alguma coisa.
Por isso, Deus de bondade infinita,
envolve-me num terno e suave abraço,
e faz-me sentir, como ao pródigo,
a certeza da Tua ternura, misericórdia e compaixão,
a certeza de que na Tua mesa estará sempre
um lugar reservado para mim, o filho que às vezes se afasta...

Não estou disposto a acreditar...(Sábado III Quaresma)

Não estou disposto a acreditar:
num Deus que ame o sofrimento e não a alegria;
num Deus que se deixe vender;
num Deus que se constitui monopólio de uma igreja, de uma raça, de uma cultura, de uma casta;
num Deus árbitro que julgasse sempre com o regulamento na mão;
num Deus que se arrependesse de ter concedido a liberdade ao ser humano;
num Deus que tivesse constituído uns discípulos desertores das tarefas do mundo
e indiferentes à história;
num Deus que defendesse apenas os interesses do além;
num Deus a quem apenas se Lhe podia rezar de joelhos
ou a quem apenas se Lhe podia encontrar nas igrejas;
num Deus que honra os que vão à missa e, depois, logo roubam;
num Deus que colocasse a lei sobre a consciência;
num Deus que tivesse preferência pelos ricos;
num Deus a quem uns poucos amam porque não amam a ninguém;
num Deus que fosse capaz de fazer eternamente felizes aqueles que passaram pela terra sem fazer ninguém feliz.
... O meu Deus é ‘outro Deus’!

(Juan Arias)


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Fazer caminho implica sempre dispor-se a avaliar, a rever, a perspectivar os passos seguintes. Neste tempo de conversão a Deus é tempo também de rever o caminho já trilhado. O que mudou? Como mudou?...
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Senhor,
aqui estou diante de Ti, o Senhor da vida e da história.
Hoje pedes-me humildade, coerência, verdade,
e como Teu discípulo não queres que a minha relação contigo
se esgote nas palavras,
ainda que bonitas ou elaboradas,
pedes-me que elas se tornem vida, testemunho...
ajuda-me Senhor a libertar-me da ilusão
de tantas vezes falar mais sobre Ti do que contigo,
ajuda-me a ser dos “últimos”, pequenino...
ajuda-me a viver sempre como discípulo
e nunca como mestre
para que todos os meus passos
sejam reflexo de que só a Ti escuto e sirvo
...só Tu me conduzes.

sexta-feira, março 16, 2007

Deus ama-te antes que O ames...


O coração humano é frequentemente invadido por um medo secreto: o castigo de Deus. Pensar que Deus pune o ser humano é um dos maiores obstáculos à fé. Para quem vê Deus como um juiz tirano, São João relembra com palavras de fogo: “Deus é amor. Foi Ele quem nos amou primeiro. Amemos pois respondendo ao seu amor.
Tudo começa aí: deixar-se amar por Deus. Mas não é assim tão simples...por que é que alguns cristãos têm tanta dificuldade em acreditar que são amados? Lamentam-se: Deus perdoa aos outros, mas não me perdoa a mim. Assaltados por um sentimento de culpabilidade incompreensível, querem recomeçar por se perdoar a si próprios. Como não conseguem, por vezes tentam fugir a esta opressão, acusando outros, fazendo uso dessa arma tão cruel da culpabilização e da suspeita.
Se amar Deus implicasse o medo dum castigo, isso já não seria amar. Cristo não nos quer ébrios de culpabilidade, mas cheios de perdão e de confiança.
O coração do ser humano é por vezes muito severo porque não se deixa revestir pela compaixão de Deus. Deus nunca é um algoz da consciência humana. Em sua bondade, embeleza e tece a nossa vida com o fio do seu perdão. Deus esconde o nosso passado no coração de Cristo e ocupa-se do nosso futuro. A certeza do perdão é a realidade do Evangelho mais extraordinária, mais inacreditável, mais generosa – é a liberdade incomparável.
Deus ama-te antes que O ames. Pensas que não esperas Deus e deus espera-te. Dizes: “não sou digno” e Deus põe-te no teu dedo o anel do filho pródigo. Esta é a mudança radical do Evangelho.


(Irmão Roger - Comunidade de Taizé)


Deus é amor. Esta é uma frase que frequentemente repetimos. Nela se resume todo o Evangelho. Neste tempo de conversão ao Deus de amor é bom perguntarmo-nos:Creio realmente que Deus é amor? Em que sinais, gesto ou palavras é que esta realidade se expressa na minha vida?...




Deus de misericórdia,
Deus dos santos e dos pródigos,
Hoje venho a Ti para saciar a minha sede de perdão
Na fonte de eterna salvação que é o Teu Filho Jesus.
Venho sem medo e sem máscaras,
Quero estar contigo e em Ti,
Num silêncio que aquieta os meus medos
E que com doçura me vai transformando.
Estou aqui contigo e rezo balbuciando:
Ó Deus,
"confiando na Tua Misericórdia,
avanço na vida como uma criança,
E cada dia Te ofereço o meu coração
Inflamado de amor para a tua maior glória"
(Ir. Faustina Kowalska)

sexta-feira, março 09, 2007

Sexta-feira II Quaresma 2007

Filho, se queres servir o Senhor, prepara-te para a provação.
Endireita o teu coração e sê constante,
não te perturbes no tempo do infortúnio.
Conserva-te unido a ele e não te separes.

(cf. Ben Sirá 2,1-11)

O sofrimento em si mesmo não vale nada. Mas o sofrimento unido à Paixão de Cristo torna-se um dom maravilhoso, um sinal do seu amor, porque esta foi a maneira como o Pai provou o seu amor pelo mundo: ao dar-nos o seu Filho para que Ele morresse por nós.
Se aceitarmos o sofrimento unindo-nos à Paixão de Cristo, ele poderá ser uma fonte de alegria. Lembremo-nos que a Paixão de Cristo termina sempre com a alegria da sua Ressurreição. Assim, sempre que experimentais no vosso coração o sofrimento de Cristo, lembrai-vos que a ressurreição vem a seguir e, com ela, a alegria da Páscoa. Não vos deixeis nunca entristecer de tal modo que vos esqueçais da alegria de Cristo Ressuscitado.
Esperamos todos com impaciência o paraíso onde Deus se encontra; mas nós podemos, se quisermos, estar com Ele no paraíso já no momento presente, podemos ser felizes com Ele agora mesmo. Mas isso implica amar como Ele ama; ajudar como Ele ajuda; dar como Ele se dá; servir como Ele serve; socorrer como Ele socorre.
(Madre Teresa de Calcutá)
Dá(r) que pensar...

O amor gratuito e a cruz são os sinais pelos quais hão-de reconhecer que somos discípulos de Cristo… Isto significa que cada gesto ou palavra no dia a dia deve levar a marca da humildade e ser realizado com paixão.
E eu, como acolho na minha vida o mistério do sofrimento? E que interpelações me faz o sofrimento e a angústia com que hoje vivem tantos homens e mulheres?...

Pão para o caminho...

Senhor,
Eis-me aqui diante da Tua cruz.
Sabes, nem sempre é fácil acolher
Este grande mistério da Tua entrega,
deste amor que desconcerta a inteligência
E que comove o coração…
Por isso, Senhor,
Hoje aqui me tens para Te pedir:
Ajuda-me a compreender que só chegarei
à plenitude da vida
Se também eu morrer vezes sem conta para o meu egoísmo…
Ensina-me a viver como um pequeno grão de trigo
Que tem de morrer para que o fruto possa despontar,
Pois só assim poderei experimentar
A alegria de ressuscitar contigo.

Quinta-feira II Quaresma 2007

Por isso recomendo-te que reacendas o dom de Deus que se encontra em ti, pela imposição das minhas mãos, pois Deus não nos concedeu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de bom senso.
(cf. 2 Tim 1,6-14)

Para Jesus, ser seu discípulo supõe segui-l’O, andar com Ele, partilhar a Sua vida, identificar-se com Ele em tudo. O discípulo não se deixa atrair apenas pela beleza de uma doutrina, mas pela pessoa de Jesus. O Evangelista São Marcos, referindo-se à vocação dos doze Apóstolos diz que Jesus “instituiu doze para andarem com Ele” (Mc. 3,14). O discípulo supõe uma comunhão de vida.
Cristo escolhe os seus próprios discípulos. Aos que já O seguiam, Jesus lembra: “Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi…” (Jo.15,16). Essa escolha concretiza-se num convite, tantas vezes repetido: tu vem e segue-Me (cf. Mc. 1,17-20; Jo. 1,38-50). É um mistério insondável o critério com que Jesus escolhe os seus discípulos e os convida a seguirem-n’O. O segredo está, como em tudo na vida de Jesus, na sua relação com o Pai. O Senhor chama aqueles que o Pai atraiu: “Ninguém vem a Mim se o Pai, que Me enviou, não o atrair” (Jo. 6,44). Para Jesus isso parece claro: os seus discípulos são aqueles que o Pai lhe dá. É vontade do Pai que Jesus partilhe com eles a vida e lhes seja fiel nesse dom da vida. Referindo-se a eles como as Suas ovelhas, Jesus diz: “dar-lhes-ei a vida eterna; elas não perecerão e ninguém as arrancará da minha mão. O Pai que mas deu é maior que todos e ninguém pode arrancar nada da mão do Pai” (Jo. 10,28-29). A Santíssima Trindade aparece sempre envolvida na realização terrena da missão salvífica de Jesus.
Porque a vontade do Pai é que Jesus comunique aos discípulos a vida, seguir Jesus é receber d’Ele a vida, identificar-Se com Ele, imitá-l’O na radicalidade da Sua fidelidade. Reside aí a exigência do discipulado, que Jesus não esconde quando chama: “chamando a multidão ao mesmo tempo que os seus discípulos, disse-lhes: «Se alguém Me quiser seguir, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me” (Mc. 8,34). O discípulo partilha o destino do Mestre: além de carregar com a Sua cruz, deve beber o mesmo cálice (Mc. 10,38) e receber o Reino (cf. Mt. 19,28ss). Entre Jesus e os discípulos gera-se, progressivamente, uma comunhão de vida, que dá à relação entre o Mestre e o discípulo uma dimensão de eternidade.

(D. José Policarpo, 28 Março 2004)


Dá(r) que pensar...
Seguir Jesus, ser seu discípulo…Ser introduzido por Ele na intimidade de Deus, eis o projecto de vida a que Deus nos convida. Neste tempo de conversão a Deus quais são os aspectos mais positivos neste caminho já trilhado? Sou realmente um discípulo a seguir o Mestre?...

Pão para o caminho...

Senhor Jesus,
fogo de amor e Pão da Vida,
Tu quiseste ficar no meio de nós
Para que não nos sentíssemos órfãos,
Mas pudéssemos experimentar quotidianamente o Amor.
Neste itinerário para a Páscoa,
Hoje convidas-me a redescobrir o dom de ser teu discípulo…
Na gratidão das palavras
vai também o silêncio de um coração
que dia a dia te repete como Agostinho:
“Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e sempre nova! Tarde Te amei!
Estavas dentro de mim, mas eu procurava-te lá fora.
Mas a força da Tua voz quebrou a minha surdez.
Tocaste o meu coração e comecei a andar no desejo da tua paz.”

Quarta-feira II Quaresma 2007

Perdoa ao teu próximo o mal que ele te fez.
Pois, se um homem guarda rancor contra outro,
como poderá pedir a Deus que o cure?
(cf. Ben Sirá 27,30-28,7)

Procurar a reconciliação e a confiança exige uma luta dentro de si mesmo. Não é um caminho de facilidade. Nada de grade, de durável se constrói com facilidade. O espírito de reconciliação não é ingénuo, mas é alargamento do coração, profunda bondade, não escuta as suspeitas. Em meados do século XX, um homem chamado João teve uma intuição límpida, o sonho da reconciliação dos cristãos. Ao anunciar o Concílio, João XXIII disse em Janeiro de 1959: “Não faremos um processo histórico, não procuraremos saber quem errou e quem teve razão, apenas propomos: reconciliemo-nos!”. (…) A reconciliação nunca é preguiçosa. Para o Evangelho, ela é imediata. Não perde o seu tempo a elaborar um processo de intenções. Está atenta para não dramatizar as situações. Podemos ter o dom de falar em nome de Deus, uma fé que move montanhas, mas se não tivermos amor, isso não serve de nada.
Não amas aqueles que te amam? Todos são capazes de fazer isso, sem ter necessidade de conhecer o Evangelho. Jesus Cristo chama-nos a amar mesmo aqueles que nos fazem mal e a rezar por eles. Quando rezamos por eles e nada parece acontecer, a nossa oração não é atendida? Não há oração sem realização. Quando confiamos a Deus aqueles que nos feriram, talvez alguma coisa se venha a modificar neles, mas nesse momento o nosso próprio coração já está no caminho da paz.
Ferido, humilhado, quem iria até ao limite das suas forças para perdoar e perdoar de novo? Aqui está o amor extremo. Não há milagres na terra? O amor que perdoa é um milagre.
(Irmão Roger Schutz, Comunidade ecuménica de Taizé )

Dá(r) que pensar...

O Evangelho convida-nos diariamente a deixarmo-nos inundar pelo perdão de Deus para que, saradas as nossas feridas mais profundas, possamos também ir ao encontro de todos os que anseiam pelo perdão, pela paz de coração.
E tu, és daqueles que abrem caminhos de tranquilidade e de reconciliação?...

Pão para o caminho...

Senhor Jesus,
Tu vieste não para julgar o mundo,
Mas para que, através da Tua Ressurreição,
O mundo soubesse que Deus nos ama e quer salvar-nos.
Por isso, Senhor,
Hoje venho a Ti para Te pedir
Que inundes o meu coração
Com sentimentos de reconciliação e de paz,
De perdão e de unidade…
Ajuda-me com a força do Teu Espírito santificador
a vencer a tentação de olhar os outros a partir do preconceito,
a perdoar sobretudo aqueles que me ferem e humilham,
a perdoar sempre, mesmo quando achar que já não vale a pena,
Para que, marcado pela Tua infinita misericórdia,
eu possa ser no mundo sinal de consolação, proximidade e perdão…

Terça-feira II Quaresma 2007

Como bons administradores das várias graças de Deus,
cada um de vós ponha ao serviço dos outros o dom que recebeu.

(cf. 1 Ped 4,7-11)

A comunhão fruto do Espírito Santo é alimentada pelo Pão eucarístico (cf. 1 Cor 10, 16-17) e exprime-se nas relações fraternas, numa espécie de antecipação do mundo futuro. Na Eucaristia, Jesus alimenta-nos, une-nos a Si, com o Pai, o Espírito Santo e entre nós, e esta rede de unidade que abraça o mundo é uma antecipação do mundo futuro neste nosso tempo. Precisamente assim, sendo antecipação do mundo futuro, a comunhão é um dom também com consequências muito reais, que nos faz sair das nossas solidões, dos fechamentos em nós mesmos, e nos torna partícipes do amor que nos une a Deus e entre nós.
É fácil compreender como é grande este dom, se pensarmos nas fragmentações e nos conflitos que afligem os relacionamentos entre os indivíduos, os grupos e inteiros povos. E se não existe o dom da unidade no Espírito Santo, a fragmentação da humanidade é inevitável. A "comunhão" é verdadeiramente a boa nova, o remédio que Deus nos doou contra a solidão, que hoje ameaça todos, o dom precioso que nos faz sentir acolhidos e amados em Deus, na unidade do seu Povo reunido no nome da Trindade; é a luz que faz resplandecer a Igreja como sinal elevado entre os povos: "Se dizemos que temos comunhão com Ele, mas caminhamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Pelo contrário, se caminhamos na luz, com Ele, que está na luz, então temos comunhão uns com os outros" (1 Jo 1, 6 s). A Igreja revela-se assim, apesar de todas as fragilidades humanas que pertencem à sua fisionomia histórica, uma maravilhosa criação de amor, feita para aproximar Cristo de cada homem e mulher que queira verdadeiramente encontrá-lo, até ao fim dos tempos. E na Igreja, o Senhor permanece sempre nosso contemporâneo. A Escritura não é uma coisa do passado. O Senhor não fala no passado, mas no presente, fala hoje connosco, dá-nos luz, mostra-nos o caminho da vida, dá-nos comunhão e assim nos prepara e abre para a paz.

(Bento XVI, 29 Março 2006)

Dá(r) que pensar...

Ser sinal de comunhão na partilha fraterna dos dons recebidos é o desafio que o Senhor sempre nos faz. A comunhão com Deus e a comunhão fraterna não são uma utopia. Um coração disposto a amar, a servir, é já um coração em comunhão, em sintonia...
No meu dia a dia com que gestos é que torno real/visível esta comunhão com Deus e com os irmãos?...

Pão para o caminho...

Senhor,
Eis-me aqui diante de Ti como em tantas outras vezes...
hoje não quero dizer-Te muitas coisas
Venho para estar conTigo no silêncio,
na simplicidade de quem quer escutar para poder amar,
na humildade de quem reconhece que cada passo dado
compromete, desafia e entusiasma a dar mais passos...
Olho o futuro e vejo-o marcado pela esperança,
vejo-o como um tempo que me dás
para ser tudo em Ti e todo para Ti,
e, por isso,
aqui me tens prostrado diante de Ti,
para que me fales ao coração, me preenchas com o Teu amor,
E me leves a ter a coragem de, em cada dia,
percorrer sem medo os trilhos dos homens e mulheres deste tempo
que anseiam por sentido, serenidade, profundidade e alegria...

Segunda-feira II Quaresma 2007

Jesus disse: Não vos preocupeis quanto à vossa vida. Quem de vós, com inquietar-se, pode acrescentar um côvado à extensão da sua vida?
(cf. Lc 12,22-31)


Agradecer a Deus pelas coisas boas que acontecem na vida é fácil, mas agradecer por tudo na nossa vida - tanto pelas coisas boas como pelas ruins, pelos momentos de alegria e pelos de tristeza, pelos sucessos e pelas falhas, pelas recompensas e pelas rejeições - requer muito trabalho espiritual.
Só seremos pessoas que vivem verdadeiramente a gratidão quando pudermos agradecer por todas as coisas que nos conduziram até ao momento presente. Enquanto dividirmos a nossa vida entre eventos e pessoas que gostaríamos de lembrar e aqueles que preferiríamos esquecer, não poderemos pensar na plenitude do nosso ser como dom de Deus pelo qual devamos ser gratos.
Não tenhamos medo de olhar para tudo o que nos trouxe para onde estamos agora e confiar que, em breve, veremos nisso a mão condutora de um Deus amoroso.

(Henri Nouwen)

Dá(r) que pensar...

Às vezes andamos de tal forma ansiosos, nervosos, que aquilo que mais nos preocupa é “o que não tivemos”, “o que não fizemos”, “o que não fomos”...Hoje Jesus desafia-nos a viver a vida em atitude de profunda gratidão quer pelo caminho andado, quer pelo caminho que ainda falta percorrer.
A minha relação com Deus manifesta já esta atitude profunda da gratidão ou, pelo contrário, ainda “regateio o amor”?...

Pão para o caminho...

Senhor,
Muitas vezes dou por mim olhar a vida de uma perspectiva estatística,
A fazer contas do que já amei ou fui amado,
Do que dei ou do que me deram...
Enfim, a perceber se “o saldo da minha vida” é positivo ou negativo.
É por tudo isso que hoje venho a Ti,
Ao rever o caminho andado,
Neste tempo de graça e de retorno a Ti,
Vejo-me muitas vezes a “regatear o amor”,
A pensar “narcisisticamente” que sou eu
quem deve decidir quando é “o momento mais oportuno” para amar, servir,...
por todas essas vezes,
em que o Teu amor não foi mais forte em todas as minhas opções,
eu Te peço com o coração, a inteligência e a vontade:
Filho de Deus, tem Misericórdia de mim.



Domingo II Quaresma 2007

Levando Consigo Pedro, João e Tiago, Jesus subiu ao monte para orar. Enquanto orava, modificou-se o aspecto do Seu rosto e formou-se uma nuvem que os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que disse: Este é o Meu Filho dilecto, escutai-O.

(cf. Lc 9,28-36)

Olhar o rosto de Jesus crucificado é abrir-se ao insondável amor com que Deus nos ama. Porque a morte de Jesus, o Filho de Deus, é a mais radical expressão do amor de Deus por nós, contemplar o Crucificado é o caminho mais directo para nos abrirmos a esse amor infinito. Também aí, sobretudo aí, Cristo é o caminho para o Pai.
Que Deus nos ama, é objecto da nossa fé. Começamos por acreditar nesse amor. Mas o amor de Deus por cada um de nós pode tornar-se experiência vivida e mesmo sentida. A generosidade absoluta desse amor comove-nos; a ânsia que Deus manifesta de nos amar e de receber o nosso amor, desperta dinamismos profundos, escondidos no nosso coração. Não é só Deus que se sente atraído por nós; no mais íntimo de nós mesmos sentimo-nos atraídos por Deus e essa é uma atracção de amor. A dimensão esponsal com que as imagens bíblicas nos apresentam o amor de Deus pelo seu Povo, revela-nos o mais profundo desejo de Deus: ser comunhão connosco. Para o conseguir, enviou o seu Filho, isto é, deu-no-l’O para nos amar com um amor humano, que é divino, e dar a maior prova de amor, deixar-se amar por nós.
Ao preparar a Páscoa deste ano, não desviando o olhar do rosto de Cristo crucificado, identifiquemos todos os sinais da nossa atracção por Deus, demos-Lhe o nosso amor manifestado em gestos simples de vida, que vão da adoração ao amor fraterno, e demos, neste tempo, à Cruz do Senhor um lugar especial na nossa vida, com muita gratidão e de ternura. E nunca esqueçamos que amá-l’O é cumprir a sua vontade obedecendo aos seus mandamentos, pois há formas de viver que abafam em nós essa experiência do amor de Deus.

(D. José Policarpo, Mensagem Quaresma 2007)

Dá(r) que pensar...
Hoje é Domingo. A Igreja reúne-se para celebrar o dom da Vida nova eterna que nos é oferecida em Jesus, uma Vida Transfigurada! Hoje a Palavra convoca-nos a contemplar Jesus, Deus pede-nos que O escutemos. E eu, como respondo a este apelo de Deus?...

Pão para o caminho...


Senhor,
Hoje venho a Ti
Com todos os meus irmãos
que desejam ver-Te, tocar-Te, contemplar-Te,
Trago-Te todos aqueles que se sentem “indignos de Ti”...
Aqueles e Aquelas que em vez de verem transfigurada a sua existência
A vêem denegrida, explorada, maltratada...
Estes querem escutar-Te e amar-Te,
Mas, tal como eu,
Também muitas vezes não sabem como, de que forma, onde...
Dá-nos, Senhor,
A graça de Te desejarmos acima de todas as coisas,
De Te amarmos com todo o nosso coração
E de Te adorarmos como O único
Que dá razão de ser a cada amanhecer, a cada instante, a cada vida...