quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Já chegou!...

cá por casa vai ser assim:
um desafio a Redescobrir “o Deus dos humildes, auxiliador dos oprimidos, sustentador dos fracos, protector dos abandonados, salvador dos desesperados” (Judite 9, 11).
em tempo de tanta crise vamos procurar vencer a banalidade com a profundidade, o comodismo com um empenho ousado de ser melhor, de crescer por dentro, de fidelizar a nossa intimidade com o Mestre, para com Ele sermos radicais (= ir sem medo à raiz das coisas!) na gratuidade e no acolhimento fraterno e sincero dos irmãos.
um tempo em que o silêncio das palavras nos ajudará a todos a sermos mais ouvintes da Palavra.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

imagina que...

hoje, apenas hoje,
todos retirávamos as máscaras de que tantas vezes nos servimos, ou não nos dispensamos,
...por um instante todos saberiam quem somos de verdade
e o mundo seria esta casa onde cada um é o que é,
sem medidas curtas ou máscaras largas...
todos sairíamos a ganhar:
eu, tu, nós sem máscaras
e o mundo ganharia em verdade,
venceria a crise (de identidade e rumo) em que todos estamos mergulhados.

bom carnaval

domingo, fevereiro 22, 2009

entra p'lo telhado...

há portas que não se abrem,
caminhos impossíveis de andar...
e tantos que cristalizados no "sempre assim foi"
não ousam entrar, nem deixar entrar
são assim os paralíticos, os tolhidos pelo medo do futuro...

A palavra neste Domingo, provocadora de mudança (como sempre!)
é um apelo a acolher a novidade de Deus,
a perceber que a novidade que Ele tem para oferecer
é o perdão infinito, desmedido, "excesso de amor"
e se não o podes receber à porta...
entra pelo telhado,
com a ousadia dos simples
e a força dos fortes.
BOM DOMINGO!

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

“Olhaste-me e leste-me a alma”...

Aos olhos (postumamente) tristes de uma amiga - Homenagem (também) póstuma!

“Olhaste-me e leste-me a alma”
Dir-me-ás, certamente,

Mas,

Estremeci ao fitar-te triste (?), cansada(?), sei lá…
Talvez a dureza indizível de um qualquer combate interior,
Talvez o deserto te habite por um instante,
E como tantos outros e outras
Sintas o medo de uma aridez que parece florir do nada
E nada fazer florir…
Talvez te saibas proximamente longe
Dess’outra terra longínqua que te anseia e espera,
Que geme por amor o teu sorriso
E que fará florir o teu afecto.
Talvez a inconstância do que sentes
Te faça temer o futuro,
Des-valorizar o presente
E resignadamente aceitar o passado
Como um mero facto consumado
Onde se cristalizaram a criatividade e a ousadia…
Talvez, somente,
Me queiras dizer com os teus olhos tristes
Que já não queres mais sonhar
Ou inventar o amor
Que “a menina” que foste

adormeceu num sono eterno
donde já não quer mais acordar….

E viverás assim,
Anestesiada diante da vida
Pelo medo de olhar mais longe
Julgando que
o que os outros pensam ou sentem
pode tolher
O que realmente és e sonhas?

Não!

Essa não és Tu!
Não te convenças do que não és (nem nunca foste!)
Indolência e medo
Não rimam decididamente
Com o teu sorriso atrevido
De cumplicidade no sonhar
E no viver,
No amar e no chorar…
…Para Ele contas sempre
E ninguém ocupará o teu lugar.
Para Ele,
Para mim,
Para nós
És insubstituível!
És o sorriso forte
quando nos faltam as forças
És o porto de abrigo
no meio de tantas tempestades
És o rosto belo de Deus que nos diz:
“Estou aqui. Sou Eu. Não temas”



(e dou por mim a rezar-sussurrar aquele cântico de Taizé:
“Deus é amor, atreve-te a viver por amor. Deus é amor, nada há a temer”)

terça-feira, fevereiro 10, 2009

vem...e (re)faz-nos de novo!

No deserto me perdi...
e enchendo de nada os meus dias
fitava-te longe, longe,
como se fosses uma miragem.
cansado, exausto, ferido
prostrei-me inerte
e de rosto por terra
tocava cada grão de areia
que mais não eram do que
a vã certeza de um fim próximo...


ali me tomaste
e sarando-me as feridas,
com a ternura de Pai,
derramaste em meu peito
o óleo da consolação e da esperança.
Refizeste-me a alma,

Tu, Abbá,

e como oleiro paciente
do barro frágil que sou
moldaste um pequeno vaso
que pode agora conter as sementes da eternidade
e semear esperança
no coração
de todos os viandantes
desesperados, oprimidos,
cansados de não perceber em cada passo
o Teu ritmo, o Teu amor...

sim Tu, Abbá,
vem...e (re)faz-nos de novo!

domingo, fevereiro 01, 2009

não me pertenço se não Te pertencer...

Como leve pena
em que pegas
para escrever a eternidade no tempo
aqui me tens.
não tenho muito para Te dizer...
...talvez tenha apenas
para Te oferecer hoje o meu silêncio
e um coração que,
a pouco e pouco,
se vai deixando encher por Ti,
sem criar resistências maiores.
Às vezes como Adão,
também ouço os teus passos e escondo-me,
como Moisés,
custa-me a descalçar as sandálias e a pisar a terra que habitas,
como Jeremias,
sou jovem e não sei o que falar...
e quanto mais penso em calar-me,
mais me devoras interiormente
e me lanças
por trilhos e rumos
em que não sei como ir,
o que dizer, o que fazer, como estar...
Como Pedro,
quero ver primeiro e ir depois,
como o centurião
acho muitas vezes que a minha casa não te pode acolher,
como Nicodemos, na noite,
custa-me a perceber esse Teu "nascer de novo"...
sabes o que sou,
sabes como sou,
e não desistes!!!
No silêncio que aqui me traz
e em que me encontro,
no silêncio desta noite chuvosa em que me pedes
para ouvir a Tua voz e para me perceber como Profeta-enviado
aqui me tens
para dizer conTigo ao Pai:
"Faça-se a Tua vontade e não a minha...
sou Teu,
não me pertenço se não te pertencer,
não amarei se não Te deixar amar-me,
não me reconhecerei se longe de Ti estiver".

domingo, janeiro 25, 2009

A conversão está na moda...

A conversão continua a ser uma palavra muito pesada no diccionário e na gramática da vida da maioria dos cristãos...talvez porque, mais do que um desafio permanente da fé, da inteligência e do coração ela apareça apenas (e só) para muitos como um pesado fardo que Deus e a Igreja se encarregam de nos recordar a toda a hora.
Talvez por isso, este Ano Paulino que estamos a viver, seja então desafiador também neste capítulo. Dei hoje por mim a pensar e a rezar e reflecti sobre alguns aspectos, uma espécie de decálogo que aqui deixo:
1º Saulo...um zeloso insatisfeito, desejando sempre mais e mais longe... o homem que corre por fora mas que hesita em (per)correr por dentro...e por isso Deus sai-lhe ao caminho, no caminho de Damasco, parábola e provocação para todos os nossos caminhos.
2º porque Paulo, esse perseguidor inquieto, nos ensina que a conversão começa com uma viagem que nos leva a cruzar caminho...o nosso com o de Deus, o de Cristo, o do Espirito Santo.
3º no cruzar do camninho o desafio da humildade: reconhecer o que fomos e o que somos, quem somos diante deste Deus-Luz que nos desafia a desfazer as trevas interiores que nos cegam o coração e a intelig~encia e que não nos deixam ver o que Deus vê, como Ele, com as oportunidades que Ele dá, quer dar...
4º porque essa mesma humildade nos desafia e proporciona uma revisão da vida, não por parcelas isoladas, mas da vida toda, mesmo das páginas mais escuras, e aí nos deixa ver a luz bruxuleante de Deus nas muitas noites que criámos sempre que nos fechámos ao amor.
5º porque essa revisão de vida nos convoca e nos concentra mais objectivamente na certeza de que para nós mesmos não somos nós a salvação, mas ela é Alguém que estando fora e para além de nós nos habita profundamente...
6º é o começo da nossa colaboração com a Graça de Deus. Aqui Deus é protagonista mas não nos dispensa...desde o dia do nosso baptismo onde nos fez templo, casa permanente do Crucificado-Ressuscitado.
7º Da nossa colaboração com a Graça nasce em nós a certeza enraizada de que Deus é amor e que todos os pecadores têm futuro...e assim, o caminho que se nos apresenta agora como desafio não é mais um penar, mas torna-se, isso sim, e essencialmente, num "caminho de damasco" onde queremos deixar-nos derrubar de todas as nossas falsas seguranças, deixar-nos fortalecer nas nossas inseguranças, deixar-nos curar pela força dum amor que se faz misericórdia e que escancara a porta do futuro a todos os nossos trilhos sem saída...
8º Enraizado em nós o Amor, a Misericórdia, que outra coisa não é se não o Amor Pascal, então eu tomo a consciência de que sou discípulo, isto é, que com o Mestre eu preciso de re-aprender os caminhso da vida, daquela vida verdadeira e autêntica, dauela verdade que liberta e salva, daquele amor que converte e cura...e por isso é o tempo para fazer a experiência profunda da intimidade de Deus, de prescrutar os designios do Seu coração paterno...é o tempo do silêncio que preenche cada recanto do coração dos discípulo e que saradas as feridas o habilita para a missão que o próprio Deus rasgou diante do seu horizonte.
9º Como discípulo, formado permanentemente na escola do Mestre, e mudados os critérios da inteligência e do coração no modo de olhar para mim e para os outros, eu tomo consciência de que sou apóstolo, ou melhor, de que todo o discípulo é um apóstolo...e por isso quero o que Deus quer, onde Ele quer e como me quiser...é o tempo de re-iniciar viagem na estrada de Damasco que é a vida quotidiana.
10º Assim na estrada de Damasco que é a vida de todos os dias eu torno-me testemunha do Amor que jamais passará, da Vida que jamais acabará, da Esperança que nada nem ninguém nos podem tirar...e assim, do jugo pesado e do triste penar da conversão (que tantas vezes pensamos ser um exercicio masoquista para consolar o Deus sádico) eu próprio percebo que sem conversão não há caminho. sem conversão não há cristão...e sim, o caminho é exigente mas possível...porque Deus vai á frente! é por isso que a conversão está na moda, não passa de moda, é sempre moderna

uma primavera do Espírito...



Faz hoje 50 Anos que uma verdadeira prmavera do Espirito encheu de cor e de vida a Igreja...Neste dia o Bom Papa João XXIII convocava o Concilio Vaticano II...um tempo e um espaço para o diálogo. Uma Igreja que se reúne não para condenar mas para acolher, para dialogar...
Para alguns é hora de convocar um terceiro concilio para o vaticano de modo a re-aprofundar o que se reflectiu no Vat. II e de modo a reflectir outras realidades...estes desejam uma revolução a que apelidam de renovação!
quanto a mim, sou desta geração pós-concilio...e mais do que revoluções para a Igreja eu desejo para todos nós, os cristãos, conversão...assim estaremos a viver plenamente o Concilio Vaticano II, estaremos a renovar por dentro e a partir de dentro a nossa Igreja Una, Santa (e sempre precisada de perdão), Católica, Apostólica, Romana e Alegre...e assim se dará uma verdadeira revolução: a da profundidade e verdade de quem é de Cristo, em Cristo e com Ele!
Bendito Seja o Bom Papa João
que mais do que revolução percebeu que para renovar
era preciso conversão!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

de coração rasgado...


Senhor meu Deus,
Rochedo da minha salvação,
meu amparo e libertador,
venho a Ti,
sou Teu filho e Tu és o meu Pai,
e na liberdade de um coração que se dá todo
aqui me tens para continuar contigo
a trilhar os rumos do infinito.


Dá-me Senhor um coração rasgado
capaz de amar sempre na gratuidade,
de servir-Te nos rostos mais frágeis,
de encher de luz as noites mais escuras
de todos aqueles e aquelas que
cansados, oprimidos,
esmagados pela falta de esperança
não são capazes de ver na noite
o brilho eterno das estrelas.


Dá-me Senhor
um coração rasgado e ferido de amor
para ser a consolação Paterna e Materna
para todos os orfãos que se abeiram da tua mesa,
um coração rasgado e ferido de amor
para que, dando-me sem medida,
todos possam,
nos seus tormentos e sofrimentos,
experimentar a paz que só Tu és
e só Tu podes dar,
a Alegria que ofereces e a Esperança que revigoras
rasgando a todos e a cada um horizontes novos
onde o finito e infinito se entrelaçam no mar do amor
e se transformam em plenitude, em eternidade...

sábado, janeiro 10, 2009

Bendita Crise!


Temos andado às voltas com a crise...

tudo está em crise...todos estamos em crise...

...e afinal o que está a acontecer não é mais do que termos acordado e começado a levantar o olhar e a percebermos de que somos mais do que as coisas que temos!


tudo isto, mais do que um mero exercicio masoquista, como alguns preconizam, há-de ser um belo testemunho daquilo que é a vida cristã, fazer do tempo e do espaço que habitamos um tempo para redescobrir quem amamos (e não o que amamos)...com verdade...o essencial! Bendita Crise! Bom Ano!

quinta-feira, dezembro 25, 2008

alegra-TE!

Alegra-te ó desesperado,
chega a Ti a Esperança.
Alegra-te ó triste,
chega a Ti a Alegria.
Alegra-Te ó pecador,
chega a Ti a Misericórdia.
Alegra-Te ó indeciso,
chega a Ti o Sim de Deus.
Alegra-Te ó Cristão...
pois chega a Ti CRISTO,
Palavra do Pai,
Luz e Salvação do Mundo!

aos que encontram aqui
um porto de abrigo...

um Santo Natal

Abraço-vos demoradamente em Cristo

terça-feira, dezembro 02, 2008

mas, quem és Tu?...

A Minha amiga "Coruja distraída" pôs-me a rezar com as suas inquietações e com a determinação da sua fé...agradeço-lhe a provocação e com ela, na limitação do que as palavras podem dizer, rezo:

Não sei mais que dizer-te,
és louco...
Tocas-me,
amas-me,
fazes-te paz em mim...
vens e saras as minhas feridas
trazendo-me a consolação do Pai e do Espírito.

mas, quem és Tu?

Sim,
Tu que fazes do pecador um santo,
do orfão um irmão,
do excluído um companheiro de viagem...

mas, quem és Tu?

Mostra-te,
revela-te,
diz-me quem és?
porque estás aqui?
que queres de mim?

"Eu sou Aquele
que em Ti faz maravilhas
aquele que habita o teu silêncio
aquele que te fala ao coração
aquele que por Ti se faz dom
aquele que não desiste de te procurar
aquele que te leva inscrito e aconchegado na palma das mãos
que não te esmaga nem te acusa,
simplesmente aquele
que te ama,
que sempre te espera
e que conta contigo
para que o Amor feito Páscoa
seja Vida em todos".

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Advento 2008

Esperar por Aquele que sempre nos espera…

Advento?
Por quem esperamos?
Com quem esperamos?

Um conto de natal de Charles Dickens conta a história de um homem que perdeu a memória do coração. Este apagar da memória do amor, foi-lhe proposto como libertação do fardo do passado. À medida que secava a fonte da memória, também a fonte da bondade desaparecia neste homem. Tornou-se frio e só espalhava frieza à sua volta. Olhando o tempo presente parece-nos que este conto de Dickens se tornou uma parábola do nosso tempo.

Advento?

O âmago, o centro, do advento cristão coloca-nos diante da memória do coração, isto é, da ligação entre memória e esperança, fundamento a partir do qualquer se constrói o quotidiano de todos e cada um dos homens e mulheres.
Assim o advento procura reavivar o Dom de Deus (cf. Carta a Timóteo), avivar a memória do Deus que se faz menino, isto é, o Advento torna-se o tempo que aviva a memória do coração e a abre ao mistério inaudito de um Deus que se faz Menino, peregrino nos trilhos dos homens. Ao mesmo tempo que se torna um tempo de avivar a memória o Advento torna-se também o tempo e a oportunidade que nos é dada para nos abrirmos ao para além de nós. A recordação agraciada e agradecida do que Deus fez torna-se no coração também uma memória salva (pascal), Esperança, cruzando assim, no arco do tempo e da vida, o Deus que foi, que é e que há-de vir.
Advento é então, antes de mais, o tempo em que Deus lida connosco de maneira muito humana, conduz-nos passo a passo e espera por nós. Advento é como que o toque silencioso à soleira da nossa alma inquieta, um risco que corremos indo ao encontro da misteriosa presença de Deus, a única que nos pode libertar.

Por quem esperamos?


Esperamos o Verbo procedente do silêncio (S. Inácio de Antioquia). A Palavra eterna dita pelo Pai á humanidade de forma definitiva, aquela Palavra que estava no princípio e estará no fim: A Palavra (e o Rosto) do amor. Esperamos na noite a Luz para as nossas trevas, esperança para os nossos desesperos, a consolação para as nossas feridas, a eternidade para a nossa finitude.
Esperamos a Palavra feita carne que montando a sua tenda no coração dos homens aí lhes oferece a eterna habitação da glória de Deus.

Com quem esperamos?

Esperamos em Cristo, com Ele, n’Ele.
Esperamos com a Igreja, casa dos ressuscitados, tenda da Esperança da Nova e Eterna Aliança.
Esperamos no mundo com todos aqueles que querem ver mais longe e mais profundamente…com os que têm fome e sede de justiça e de verdade, de misericórdia e de paz, de Amor…Esperamos com todos os viandantes do mundo que, com fome e sede de Deus, deixam que seja Ele o primeiro a encontrá-los.
Esperamos porque Ele vem!
Alegramo-nos porque Ele vem!
Fazemos caminho porque Ele vem!
Com a determinação dos peregrinos que sabem que o caminho se faz caminhando lançamo-nos nesta ousadia de acolher Deus que vem.
Com os pobres despojamo-nos de tudo aquilo que nos impede de ter um coração sincero e disponível para acolher o Deus próximo…
Com os humildes recomeçamos cada dia com a certeza de quem é Deus quem edifica, constrói, renova…
Com os profetas também nós ousamos gritar na noite a esperança de um tempo novo…
Com Maria aprendemos a guardar todas as coisas no coração na certeza de que o Senhor fará maravilhas e por isso a nossa alma não pode viver sem o glorificar eternamente.
Com a Igreja proclama-mos ao mundo que só no mistério do Verbo Incarnado se pode compreender verdadeira e profundamente o mistério do homem (cf. GS 22).
Esperamos…Naquele que sempre nos espera!

Vai p´lo mundo 1077


Depois de mais um Convivio da "Seita" fica-me a certeza que me animava à partida: o Deus-Amor faz sempre maravilhas! Obrigado por deixarem o bom Deus confirmar em cada um o Seu Dom...Aqui fica, para os mais esquecidos, a Palavra que me fez rezar por cada um...e claro meter-vos no "Coração do Esbanjador":


Mónica= Mat. 6, 20-21
Marta = Jo 15, 11 e Jo 11, 27
Dina= Mc 3, 33-35
Rosa= 1 Jo 4, 16
Tó= Ben Sira 6, 14-17
Fernando= 1 Pedro 3, 14-15

Ana= Tito 3, 4-7
Pedro= Hebreus 10, 23-24
Ricardo= Apocalipse 3, 20
Adriana= Romanos 12, 12
Carlos= 2 Timóteo 1, 6
Pe Fernando= Filemon 4-5
Pe Paulo= Hebreus 3, 14

terça-feira, novembro 25, 2008

és Tu quem constrói...


Na sombra da noite que cai e que emudece a terra
respiro-Te no silêncio que me fala ao coração
e que me faz cantar de alegria
a certeza serena de que é o Amor quem me visita,
quem cuida de mim e me guia...
e eu, balbuciando aqui e ali uma palavra,
louvo-Te com o coração de criança que me deste
e canto ao Deus da minha vida
o hino de Adoração
que vais semeando na minha alma:


Meu Deus...Meu Cristo...Meu Tudo...
é com um coração pobre que Te louvo.
No Teu coração a Paz,
em Tuas mãos a Ternura,
em Teus braços o aconchego,
no Teu Rosto a beleza do meu Deus,
Três Vezes Santo,
Omnipotente no Amor,
Terno e misericordioso com os pecadores,
simples com os simples,
próximo com os que estão longe,
...e sempre desconcertante pelo que fazes
no coração de quem se abre à Tua graça.

Como instrumento em Tuas mãos,
como semente por Ti lançada à terra,
a Ti, Luz terna e suave no meio da noite,
canto o louvor agradecido de um coração
que na Tua Paz encontrou a Paz
e que no Teu amor
assume a ousadia de se fazer amor
gratuito...e-terno...Alegre...fiel...
pois és Tu quem constrói a casa!

sábado, novembro 22, 2008

Ele anda por ai...

“Jesus, percebendo que viriam para o proclamarem Rei,

retirou-se novamente, sozinho, para o monte” (Jo 6, 15).

que Rei é o nosso?
Estranha esta solenidade...obriga-nos a rever os nossos esquemas mentais e do coração...

obriga-nos a retirar as máscaras da ilusão que confundem:
fé com poder, o amor com dominio, o serviço com autoritarismo

Quem é o nosso rei Cristo?
é o Deus feito homem, que nascendo na pobreza de belém buscou em tudo fazer a vontade do Pai...na hora da prova e da tentação permaneceu-Lhe fiel...e no fim disse-nos que era pelo amor que haviamos de ser julgados...
O nosso rei Cristo reina no coração do pobre, da criança, do simples...porque neles se esconde todos os dias para nos dar a possibilidade de lhe oferecermos o nosso nada...não adiante procurar onde Ele não está...Ele anda por aí...encontrá-lo-ás no sitio de sempre: o coração de cada homem em mulher...é aí que Ele reina de cada vez que vences o medo e percebes que há mais alegria em dar do que em receber, que toda a nossa glória está na cruz...pois o Messias que pregamos é o jovem profeta de nazaré que morreu crucificado e que para nós Ressuscitou.

por isso, parafraseando Raul Follereau, impõe-se-nos a pergunta:

Se Cristo amanhã
bater à tua porta,
reconhecê-lo-ás?

será o mendigo que te pede pão,
a criança que te pede um sorriso,
o idoso que te pede companhia,
o doente que te pede consolo,
o estrangeiro que te pede acolhimento,
o teu pai, a tua mãe ou os teus irmãos que te pedem amor,
os teus amigos que te pedem verdade,
...será Ele a pedir-te o coração.

o Cântico da manhã...

Ontem acordei e, como tantas outras vezes ultimamente, deu-me p'ra cantoria...pode parecer estranho, mas há dias assim, não sou capaz de calar o que me vai na alma...e a forma que tenho para melhor o dizer é cantar...


Gosto de me imaginar a cantar na gruta de Belém a ternura do meu Deus feito menino...


Gosto de acompanhar o Meu Cristo pelas estradas da Judeia e com Ele cantar os cânticos dos peregrinos...

Gosto de contemplar com Ele, na solidão da noite, o Rosto do Pai e cantar-lhe no silêncio de um coração agradecido...

Gosto de avistar com Ele as cidades dos homens e de, por entre as lágrimas, cantar o cântico do Deus que não desiste de amar até ao fim...
Gosto de subir ao Calvário, e com Maria e João, cantar a certeza de que quando O encontro descanso e reconforto a minh'alma...

Gosto de estar com Madalena na manhã da Ressurreição e cantar eternamente o hino do Amor Ressuscitado...

Por isso, durante a manhã procurei saborear o doce mel das palavras que o meu Deus me colocou no coração...procurei tecer com elas um hino simples de um coração agradecido e por isso lhe escrevi (cantando, sim já sei, só mesmo um louco como eu!)

Abre os meus lábios para cantar ao Teu nome
pacifica-me com a Ternura do Teu olhar,
enche-me da Paz da Tua cruz
e faz-me exultar de Alegria ao contemplar a Tua vitória
que nem a morte nem a vida me separem do Teu Amor,
reine em meu coração
Aquela paz que um dia deste aos Teus apóstolos
e no tempo da dor, da tristeza ou da enfermidade
visita-me com a Esperança que semeaste nas estradas da Galileia
para que, mesmo cansado ou oprimido,
eu sinta e saiba em quem pus a minha confiança
e como Job possa eu cantar eternamente a certeza
de que o Meu Redentor está vivo e no último dia
os meus olhos e a minha carne o hão-de contemplar...

por entre estas e muitas outras palavras,
que aqui não transcrevo do papel do meu diário de Peregrino,
lá fui cantando pela manhã:

"Seduziste-me Senhor, e eu me deixei seduzir
Numa luta desigual, dominaste-me Senhor,
e foi Tua a vitória"