sexta-feira, novembro 13, 2009

Descalça-Te...

Fica a partilha de um pequeno texto-oração que escrevi há dias iluminado pela meditação feita a partir do Livro do Êxodo Capítulos 3 e 4

Descalça as sandálias…
Toca o chão de Deus,
Deixa que o teu coração palpite
e se desassossegue.

Descalça as sandálias…
Toca o chão dos homens,
deixa que teus pés se firam,
que as suas misérias não colham em ti
o fruto da indiferença,
que os seus anseios não tenham em ti
simplesmente o retorno de um eco vazio e estéril.

Descalça as sandálias…
bebe em cada passo
o amargo cálice da paixão do mundo
contempla cada rosto
vês neles o futuro?

Descalça as sandálias…
Serás profeta,
guia e pastor
do pequeno rebanho.

Descalça as sandálias…
Para rasgares horizontes de eternidade
a cada passo dado,
a cada abraço partilhado,
a cada fardo aliviado.

Descalça as sandálias…
pisas o chão de Deus.
Prostra-te,
Adora-O,
Ele está aqui
Neste fogo eterno
Que aquece sem consumir…
Escutas a sua voz?...

sexta-feira, outubro 23, 2009

Uma Revolução...de Amor!

Coloco aqui um texto do Cardeal Van Thuan, que hoje, particularmente hoje, me faz rezar e saborear ainda mais o mistério deste "Deus Excesso de Amor". que te ajude também a ti, que passas por esta porta do Coração de Deus, a rezar e a agradecer o dom da Eucaristia.

relata o cardeal Van Thuan num dos seus escritos:

“Pôde celebrar a missa na prisão?”, é uma pergunta que frequentemente me fazem.(…) e quando respondo “sim”, surge de imediato a pergunta seguinte: “Como pôde encontrar o pão e o vinho?”. Quando fui preso, tive de viajar de imediato, de mãos vazias. No dia seguinte, foi-me permitido escrever para arranjar as coisas necessárias: roupa, dentífrico…escrevi então ao meu destinatário: “por favor, mande-me um pouco de vinho, como remédio contra o mal de estômago”. Os fiéis compreenderam o que significava: mandaram-me uma pequena garrafa de vinho de missa, com o rótulo “remédio contra o mal de estômago”, e hóstias escondidas num frasco contra a humidade. (…) Nunca poderei exprimir a minha grande alegria: todos os dias, com três gotas de vinho e uma gota de água na palma da mão, celebro a minha missa. Às 21h30, hora em que era preciso apagar as luzes e todos deviam dormir, inclino-me sobre a cama para celebrar a missa, de cor, e distribuo a comunhão passando a mão debaixo da rede mosquiteira. (…) lembro-me de ter escrito: “tu acreditas numa única força: a Eucaristia, o Corpo e o Sangue do Senhor, que te dará a vida”(…) ofereço a missa, unido ao Senhor: quando distribuo a comunhão, entrego-me juntamente ao Senhor para fazer de mim alimento para todos. Isso significa que estou totalmente ao serviço dos outros. Todas as vezes que ofereço a missa, tenho a oportunidade de estender as mãos e de me pregar na cruz com Jesus, de beber com Ele o cálice amargo. Todos os dias, lendo e ouvindo as palavras da consagração, confirmo com todo o coração e com toda a alma um novo pacto, um pacto eterno entre mim e Jesus, mediante o seu Sangue misturado ao meu.
Jesus na cruz iniciou uma revolução. A vossa revolução deve começar na mesa eucarística e, a partir daí, ser levada adiante. Deste modo, vós podereis renovar a humanidade.
(cf. Francisco Xavier Van Thuan, Cinco Pães e dois peixes, pp. 42-45)

quinta-feira, outubro 22, 2009

Rir...

hoje apetece-me rir...
rir de mim
rir com os outros,
simplesmente rir.


e entre tragos de riso...
saber sempre que Deus nos criou para a alegria!

Bendito seja Ele.

domingo, outubro 18, 2009

Dia Mundial das Missões

"é como Pobres que nos dirigimos a Deus nesta noite...Desafio-vos irmãos para a missão que há-de começar na porta ao lado da vossa...visitai os vossos vizinhos, falai-lhes de Cristo...com eles evangelizai a vossa rua...depois o vosso bairro...evangelizemos a nossa amada diocese...e partamos pelo mundo se Deus a isso nos chamar"
(D. Albino Cleto, Vigilia Missionária, Sé Nova - Coimbra 17 Outubro)

sexta-feira, outubro 16, 2009

Ir às fronteiras de mim...

sem perder a Graça mas sempre pronto para a oferecer.
sem medo de me ferir e sempre disponível para curar.

sem medo de fazer e sempre pronto para aprender.

livre de tudo e por am@r preso a todos.

quinta-feira, setembro 17, 2009

De regresso...

Com muito que contar, com o coração cheio de Deus e de alegria, aqui estou, regressado da missão no nordeste do Brasil...
porque trago o mundo dentro de mim, partilharei por estes dias algumas das surpresas do coração de Deus nos trilhos percorridos na cidade chapadinha, entretanto fica uma foto para os mais curiosos...

...porque o mais belo do mundo, já dizia o poeta, são as crianças.

sexta-feira, junho 19, 2009

ANO SACERDOTAL (1)


Também eu encontrei o coração

do meu Senhor e Rei,

do meu irmão e amigo.

Portanto, como poderia não rezar?

Sim, rezarei, porque, com firmeza o digo,

o Seu coração pertence-me. [...]

(palavras atribuídas a S. Boaventura)

sexta-feira, junho 05, 2009

A Desilusão Relacional...

A vida é feita de surpresas.
Algumas verdadeiramente supreendentes (dom de Deus) outras naturalmente desconcertantes.

A Relação inter-pessoal é profundamente exigente, obriga-me a conhecer o outro não de forma interesseira mas numa atitude interessada. Desafia-me a perceber quem ele é, quais as suas expectativas e anseios mais profundos, os seus medos e as suas alegrias,...enfim, é desafio permanente a ser com o outro numa atitude responsável, delicada e dedicada. implica uma escuta atenta e demorada, mais do que uma relação do tipo "Jornal da Noite TVI" (ao jeito de Manuela Moura Guedes)...

Estranha-me por isso que continuemos (até no seio da Igreja) a não entender que "só quem se deixou ferir pelas dores do outro, pelos seus anseios, por tudo o que ele é e está a ser" é que tocou verdadeiramente o humano. só quem foi capaz de colher as lágrimas copiosas de um qualquer pranto, só quem foi capaz de intuir nos olhos tristes a dor que vai dentro, ou numa simples palavra o desassossego de "quem quer partir e já não pode ficar" é que verdadeiramente tocou o humano e o Divino. Foi assim o nosso Cristo! Talvez por isso custe ainda a muitos aceitá-lo assim, despido de todas as armas, desarmado de todo o poder, servindo, apenas e só, a compaixão do Pai.

Por estes dias tive a oportunidade de reflectir e rezar tudo isto a partir da experiência daquilo a que chamo "desilusão relacional"...Felizmente que a Igreja não se pode confundir com a pessoa X ou Y, mas uma realidade é certa...quanto mais desiludidos mais distantes, e quanto mais distantes mais determinados a partir...é assim o ciclo da "desilusão relacional", quando o Papa Paulo VI falava que a Igreja era "perita em humanidade" tinha toda a razão...pena é que quem governa, entre desnortes e confusões, entre indecisões permanentes e ritmos atabalhoados, sem rumo e sem projecto, numa esquizofrenia pastoral do tipo bombeirista (olhando para o imediato sem perscrutar o futuro!), se canse com coisa nenhuma e esqueça o fundamental...mantendo supostamente uma "lucidez que resolve tudo" com uma banalidade tal...que questiona qualquer cristão mais atento e comprometido. Como não há-de questionar-se um padre?...

quarta-feira, maio 20, 2009

o Pastor frágil...

Tornamo-nos companheiros de Cristo
desde que mantenhamos firme até ao fim a confiança inicial (carta aos Hebreus 3, 14)


há dias em que a Palavra nos desafia e convoca, com uma tal intensidade que polariza o que de melhor há em nós e escancara todas as portas fechadas, todas as resistências renovadas, todas as teimosias enraizadas. Foi assim hoje no meu encontro matinal com a Palavra.

Como preparação próxima para o ano Sacerdotal que aí vem decidi-me desde ontem a começar uma lectio divina que durante este mês me dispusesse a entrar de consciência mais alegre e ainda mais renovada, sobre o grande dom e mistério, que Deus me fez de me chamar a servir a Sua Igreja e o Baptismo dos meus irmãos no ministério ordenado.

O próprio Deus fez questão então de me brindar com este pedaço que transcrevi acima.

Como Companheiro de Cristo o Padre é companheiro de todos os baptizados, é o que re-parte o Pão e a Palavra, o Perdão e a Consolação, mas essencialmente é o que re-parte a Vida e-terna que constantemente lhe é oferecida e comunicada pelo próprio Deus...

Dei por mim a meditar nestas e noutras realidades e percebo-me também como um companheiro frágil para quem às vezes a confiança em Deus nem sempre é total. Por teimosia é sempre mais fácil achar que "Tudo é claro" e que "só eu sei".

A Confiança leva-me a recentrar as coisas e a dizer: "com a Luz de Deus tudo é mais claro" e "Deus é que sabe!"...

Foi muito bom rezar esta manhã também a necessidade de perdão constante que, como companheiro frágil, eu próprio vou sentindo e celebrando sacramentalmente com regularidade...aliás estou profundamente convencido pela fé que o padre não é mais do que um Pastor frágil que como Jesus ama os seus até ao fim e por eles dá a vida, para que a tenham em abundância. é sobre isto que rezarei por estes dias...

Que o Ano sacerdotal que aí vem nos dê a todos (a mim, desde logo) a consciência da nossa fragilidade para que re-descubramos que só Deus é a nossa força e por isso: Tornamo-nos companheiros de Cristo desde que mantenhamos firme até ao fim a confiança inicial.

Senhor Jesus,
eterno companheiro de Viagem,
peregrino e hóspede neste pastor frágil que sou,
consciente do que sou e do que me chamas a ser,
venho a Ti,
rogar a misericórdia,
Como pródigo que regressa a casa,
Como viandante transviado
que te resdescobre como Caminho,
Como ovelha tresmalhada
que quer encontrar repouso e conforto nos teus ombros,
como o amigo morto
que por Ti quer receber a vida
e saborear a ressurreição.
venho a Ti, Pastor Belo,
como irmão e companheiro,
beber na fonte da ternura e da graça,
que é o teu coração rasgado,
a força para a minha fraqueza,
o perdão para o meu pecado,
a ousadia para minha tibieza,
a santidade para uma vida nova, Ressuscitada...e Ressuscitadora.
Jesus, Filho de Deus vivo,
tem misericórdia de mim.

segunda-feira, maio 18, 2009

JPII - o Servo de Deus


Se fosse vivo completaria hoje mais um aniversário. Teve nos jovens sempre uma paixão e uma esperança próprias de quem se deixa guiar sempre, e sem hesitações, pela mão bondosa e terna de Deus. Um Homem, um Cristão, um Padre, um Bispo e um Papa que me marcou profundamente...muito do que sou ,e dos desafios que vou sendo capaz de acolher, e que procuro com fé humilde, esperança alegre e amor dedicado e delicado realizar, devo-o ao testemunho bondoso, alegre, fiel e santo deste Homem-de-Deus e Homem-com-os-homens que foi João Paulo II. Paz à sua alma. Na gratidão da memória vai também a gratidão do cORAÇÃO.

domingo, maio 17, 2009

o Rei Cristo...

No Cristo de braços escancarados à cidade há um coração que palpita e é manancial de salvação, uma torrente de graça, ternura e amor.
Abeirar-se do coração de Jesus, porta escancarada pelo próprio Deus para que possamos entrar e demorar-nos na sua intimidade, é abeirar-se daquele Deus que é amor, daquele amor que jamais passará. Dum amor fiel, santo e humilde que sempre nos espera, renova, conver-te e faz amar.
Esperar no coração do Rei Cristo, significa perceber á luz do evangelho que o Mestre não nos chama a sermos os maiores...mas tão-somente nos desafia a sermos melhores...ousados porque em nós habita aquele Espírito que nos recorda tudo quanto Ele disse e fez e porque esse mesmo Espírito, qu enos faz clamar: "Abbá, Pai" vem em auxílio da nossa fraqueza.
é deste Rei, o Cristo, que nos abeiramos quando decidimos entrar no e pelo seu coração em Deus. o “Deus dos humildes, auxiliador dos oprimidos, sustentador dos fracos, protector dos abandonados, salvador dos desesperados” (Judite 9, 11).

quarta-feira, maio 13, 2009

Totus Tuus

Totus tuus ego sum
et omnia mea Tua sunt.
Accipio te in mea omnia.
Praebe mihi cor Tuum, Maria.

terça-feira, abril 28, 2009

"rosto e atitude maiores"...


"Cada noite é sempre um desafio a pré-sentir a luz...
...e há noites que são profundamente luminosas"


Este podia ser um bom começo para falar do nascer do sol,
de um dia radiante de luz ou simplesmente de uma noite estrelada.
Para mim é o mote que me leva a rezar (e a oferecer, pois Ele me fez instrumento) o dom do perdão.
Estou convencido que se cada homem ou mulher
por um instante (ainda que breve!) fosse capaz de parar
e de se deixar envolver (e "ferir") pelo perdão de Deus
seriam homens e mulheres com "rosto e atitude maiores"...
só o perdão converte e faz amar.
só o perdão tem o encanto, a sedução,
de mobilizar o que de melhor habita o coração do homem e da mulher
e de vencer os medos com a ousadia de quem se faz ao caminho...
...de quem se sabe sempre peregrino, desinstalado.
o perdão torna-nos "atrevidos"...rasga horizontes e quebra barreiras.
talvez a Igreja que somos seja "pouco atrevida"
e "às vezes de rosto e atitude menores"
porque nem sempre o perdão
está no início de cada passo ou atitude...
Porque...se o perdão está no inicio do que és ou fazes...
tudo à tua volta muda...porque tu mudas-te!

domingo, abril 12, 2009

Júbilo Pascal

Alegra-te
porque o amor
venceu todas as mortes!
rejubila e canta de Alegria
porque o Teu Senhor está vivo!
prostra-te em Adoração
diante do Teu Salvador
e acolhe em Ti o dom da Vida plena,
da Vida que ninguém pode calar,
da vida que só Ele é e pode dar.

grita pelos carreiros, vielas e atalhos,
grita nas encruzilhadas e caminhos
aos viandantes no tempo:
Ele está Vivo!

n'Ele, por Ele e com Ele
o Amor é mais forte do que a morte.
n'Ele, por Ele e com Ele
o Amor de Deus tem um Rosto.
n'Ele, por Ele e com Ele
és Testemunha, Discípulo e Apóstolo,
daquele amor que jamais passará...
pois Deus é Amor!

terça-feira, março 31, 2009

uma resposta total...

Se há sonhos que nos fazem ir mais além...outros há que nos fazem sair do aquém.
tem sido uma constante ultimamente...uma presença e um desafio.
Compreendo o que diz o salmista quando reza: "até de noite me falas interiormente"...Não posso mais calar...não posso deixar-me ficar na inércia de uma não resposta...O meu Deus desassossega-me e pede-me a ousadia de mais...mais longe...mais próximo...mais...e assim, na fronteira dos limites, sempre sedutora para o comodismo, atrevo-me a iniciar uma resposta total a meu todo (e tudo) que é Deus e como uma criança rezo-lhe no silêncio da noite:

aqui me tens todo,
Teu com os teus,
Teu com os que estão longe,
Teus com os famintos e com os saciados,
Teu com os doentes e estropiados,
Teu com os indolentes e os tristes,
Teu com os solitários e os ausentes,
Teu com miseráveis e os sem tecto,
Teu com os sem-Deus e os sem afecto,
Teu, inteiramente Teu...
pois sem Ti nada
contigo Tudo!

segunda-feira, março 30, 2009

Mendigo de Deus...

S. Agostinho diz: "todo o homem que reza é um mendigo de Deus"
Tenho reflectido nesta "mendicidade espiritual" ao longo desta quaresma...ela tem sido para mim um tempo especial de graça, daquela graça que desconcerta a inteligência e converte o coração.
Tenho lido a vida de todos os anos passados nesta óptica...e é engraçado que dou por mim a rever-me cada vez mais como um mendigo faminto do Pão da vida e da misericórdia.
Um mendigo que só é o que deve ser quando Deus tem a primazia e quando a liberdade é baptizada nas fontes da salvação.
há dias alguém me agradecia por ser para ele o testemunho de "quem confia em Deus de olhos vendados"...achei estranho e andei a rezar isso durante uns dias...e foi bom revisitar os alicerces da fé, da minha história de relação com Ele, de redescobrta do dom de Deus...foi bom sentir-me mendigo em todas as etapas. Não que isso me trouxesse aquela consolação de quem já é o que deve ser, mas porque me trouxe o desafio de ser em Deus o que Ele quiser que eu seja...e isso tem-me mudado interiormente...sinto-me profundamente feliz...e determinado a seguir o que Ele me tem andado a pedir há muito tempo.

terça-feira, março 24, 2009

...Gratidão!

Ontem meditava com a minha rapaziada que é Deus quem faz a festa!
vou sentindo cada vez mais isso,
em todos os passos que tenho dado eles têm sido sempre marcados por um especial tempo de sofrimento que purifica intenções e me abre ao dom pascal de Deus...é por isso que é sempre Ele quem (é e) faz a festa!

Um agradecimento muito terno a todos aqueles e aquelas que ontem se fizeram especialmente próximos na celebração do dom da Vida.

Agradeço sobretudo aos cá de Casa e à minha familia espiritual do JP2!

domingo, março 22, 2009

o Perdão na noite...

há pessoas que nos renovam,
só pelo que são e pelo que sorriem,
pelo silêncio de uma cumplicidade
nesta entrega total, sem reservas, a Deus...
Hoje foi um desses dias
sentei-me para oferecer o perdão
e eis que Te abeiras-te de mim
para me dizer:
"eis-me aqui...não sei bem o caminho...sei que é com ELE!"
numa noite em que o cansaço teimava em ser maior
foste força e ternura nos rostos maiores que me enviaste
obrigado meu Deus.
Obrigado a Ti!

quinta-feira, março 19, 2009

saber/sabor por dentro...

A Alguém que se deixa desafiar para fazer caminho

"caminho sem saber:
quem sou?
a quem me dou?
onde estou?..."

grito comum este dos "sem-esperança"
para quem a vida se fita com um olhar triste,
a quem os dias não são mais do que o eterno penar,
para quem os gestos são uma paleta de mil cores da mesma cor.
e assim se abafa a esperança do sempre novo,
da eterna e insaciável ousadia de mudança,
da alegria que habita cada gesto simples,
forte, amigo, próximo...
é assim que num abraço terno e demorado te digo:
caminha como és,
sabendo que podes ser melhor.
dá-te mais, e sempre,
no silêncio de um coração acolhedor
pois estás aqui...bem perto de nós,
dos que te amam e te trazem no coração.
é assim que gostamos de Ti,
é assim que te acolhemos,
é assim que te desafiamos a fazer caminho...
...mesmo que demorado, será sempre um trilho de felicidade,
deixa que a Vida se enraize em ti
e "saboreia todas as coisas internamente"

segunda-feira, março 16, 2009

Ano Sacerdotal!

O Papa Bento XVI declarou um “ano sacerdotal” especial, de 19 de Junho 2009 a 19 de Junho de 2010, que terá como tema:

"Fidelidade de Cristo,
fidelidade do sacerdote".
A iniciativa ocorre nos 150 anos da morte do Santo Cura d’Ars, João Maria Vianney, “verdadeiro exemplo de Pastor ao serviço do rebanho de Cristo”.

Bento XVI encerrará esta iniciativa a 19 de Junho de 2010, participando num "Encontro Mundial Sacerdotal", na Praça S. Pedro, do Vaticano.
Ainda de acordo com o comunicado, durante este ano jubilar, Bento XVI proclamará São João Maria Vianney como "Padroeiro de todos os sacerdotes do mundo".


Rezemos pelos nossos padres, "Pastores frágeis do evangelho da Alegria", e trabalhemos para que a ninguém falte o pão da Eucaristia e o perdão dos pecados!

sexta-feira, março 13, 2009

Porque é que Tu és assim?...

Prostro-me diante de Ti,
não com o medo de outras horas,
há muito idas e desparecidas...,
mas com a confiança inabalável de irmão e de discípulo.
Só deste jeito Te sei rezar,
com a confiança de uma criança
que se enternece diante da cruz e pergunta:

"estás aí? eu já cheguei"

e Tu, ó insurrecto do Amor,
Tu, desfigurado e de aspecto pouco atraente,
fazes-Te uma vez mais sedutor do coração,
desconcertas-me a inteligência,
e aí, suspenso no madeiro,
fascinas-me,
desafias-me,
Tu, o mais belo dos filhos dos homens...

contagias-me com esse amor-loucura
de dar de graça a Graça,
de dar a outra face
e abençoar os inimigos,
de Te fazeres servo de todos,
para que, ao menos, a partir de baixo
todos entendam que nos queres lá em cima.

e uma vez mais, paradoxalmente,
aqui estou eu,
prostrado, e como as crianças,
a rezar-Te perguntando-Te:
"porque é que Tu és assim?"

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Já chegou!...

cá por casa vai ser assim:
um desafio a Redescobrir “o Deus dos humildes, auxiliador dos oprimidos, sustentador dos fracos, protector dos abandonados, salvador dos desesperados” (Judite 9, 11).
em tempo de tanta crise vamos procurar vencer a banalidade com a profundidade, o comodismo com um empenho ousado de ser melhor, de crescer por dentro, de fidelizar a nossa intimidade com o Mestre, para com Ele sermos radicais (= ir sem medo à raiz das coisas!) na gratuidade e no acolhimento fraterno e sincero dos irmãos.
um tempo em que o silêncio das palavras nos ajudará a todos a sermos mais ouvintes da Palavra.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

imagina que...

hoje, apenas hoje,
todos retirávamos as máscaras de que tantas vezes nos servimos, ou não nos dispensamos,
...por um instante todos saberiam quem somos de verdade
e o mundo seria esta casa onde cada um é o que é,
sem medidas curtas ou máscaras largas...
todos sairíamos a ganhar:
eu, tu, nós sem máscaras
e o mundo ganharia em verdade,
venceria a crise (de identidade e rumo) em que todos estamos mergulhados.

bom carnaval

domingo, fevereiro 22, 2009

entra p'lo telhado...

há portas que não se abrem,
caminhos impossíveis de andar...
e tantos que cristalizados no "sempre assim foi"
não ousam entrar, nem deixar entrar
são assim os paralíticos, os tolhidos pelo medo do futuro...

A palavra neste Domingo, provocadora de mudança (como sempre!)
é um apelo a acolher a novidade de Deus,
a perceber que a novidade que Ele tem para oferecer
é o perdão infinito, desmedido, "excesso de amor"
e se não o podes receber à porta...
entra pelo telhado,
com a ousadia dos simples
e a força dos fortes.
BOM DOMINGO!

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

“Olhaste-me e leste-me a alma”...

Aos olhos (postumamente) tristes de uma amiga - Homenagem (também) póstuma!

“Olhaste-me e leste-me a alma”
Dir-me-ás, certamente,

Mas,

Estremeci ao fitar-te triste (?), cansada(?), sei lá…
Talvez a dureza indizível de um qualquer combate interior,
Talvez o deserto te habite por um instante,
E como tantos outros e outras
Sintas o medo de uma aridez que parece florir do nada
E nada fazer florir…
Talvez te saibas proximamente longe
Dess’outra terra longínqua que te anseia e espera,
Que geme por amor o teu sorriso
E que fará florir o teu afecto.
Talvez a inconstância do que sentes
Te faça temer o futuro,
Des-valorizar o presente
E resignadamente aceitar o passado
Como um mero facto consumado
Onde se cristalizaram a criatividade e a ousadia…
Talvez, somente,
Me queiras dizer com os teus olhos tristes
Que já não queres mais sonhar
Ou inventar o amor
Que “a menina” que foste

adormeceu num sono eterno
donde já não quer mais acordar….

E viverás assim,
Anestesiada diante da vida
Pelo medo de olhar mais longe
Julgando que
o que os outros pensam ou sentem
pode tolher
O que realmente és e sonhas?

Não!

Essa não és Tu!
Não te convenças do que não és (nem nunca foste!)
Indolência e medo
Não rimam decididamente
Com o teu sorriso atrevido
De cumplicidade no sonhar
E no viver,
No amar e no chorar…
…Para Ele contas sempre
E ninguém ocupará o teu lugar.
Para Ele,
Para mim,
Para nós
És insubstituível!
És o sorriso forte
quando nos faltam as forças
És o porto de abrigo
no meio de tantas tempestades
És o rosto belo de Deus que nos diz:
“Estou aqui. Sou Eu. Não temas”



(e dou por mim a rezar-sussurrar aquele cântico de Taizé:
“Deus é amor, atreve-te a viver por amor. Deus é amor, nada há a temer”)

terça-feira, fevereiro 10, 2009

vem...e (re)faz-nos de novo!

No deserto me perdi...
e enchendo de nada os meus dias
fitava-te longe, longe,
como se fosses uma miragem.
cansado, exausto, ferido
prostrei-me inerte
e de rosto por terra
tocava cada grão de areia
que mais não eram do que
a vã certeza de um fim próximo...


ali me tomaste
e sarando-me as feridas,
com a ternura de Pai,
derramaste em meu peito
o óleo da consolação e da esperança.
Refizeste-me a alma,

Tu, Abbá,

e como oleiro paciente
do barro frágil que sou
moldaste um pequeno vaso
que pode agora conter as sementes da eternidade
e semear esperança
no coração
de todos os viandantes
desesperados, oprimidos,
cansados de não perceber em cada passo
o Teu ritmo, o Teu amor...

sim Tu, Abbá,
vem...e (re)faz-nos de novo!

domingo, fevereiro 01, 2009

não me pertenço se não Te pertencer...

Como leve pena
em que pegas
para escrever a eternidade no tempo
aqui me tens.
não tenho muito para Te dizer...
...talvez tenha apenas
para Te oferecer hoje o meu silêncio
e um coração que,
a pouco e pouco,
se vai deixando encher por Ti,
sem criar resistências maiores.
Às vezes como Adão,
também ouço os teus passos e escondo-me,
como Moisés,
custa-me a descalçar as sandálias e a pisar a terra que habitas,
como Jeremias,
sou jovem e não sei o que falar...
e quanto mais penso em calar-me,
mais me devoras interiormente
e me lanças
por trilhos e rumos
em que não sei como ir,
o que dizer, o que fazer, como estar...
Como Pedro,
quero ver primeiro e ir depois,
como o centurião
acho muitas vezes que a minha casa não te pode acolher,
como Nicodemos, na noite,
custa-me a perceber esse Teu "nascer de novo"...
sabes o que sou,
sabes como sou,
e não desistes!!!
No silêncio que aqui me traz
e em que me encontro,
no silêncio desta noite chuvosa em que me pedes
para ouvir a Tua voz e para me perceber como Profeta-enviado
aqui me tens
para dizer conTigo ao Pai:
"Faça-se a Tua vontade e não a minha...
sou Teu,
não me pertenço se não te pertencer,
não amarei se não Te deixar amar-me,
não me reconhecerei se longe de Ti estiver".

domingo, janeiro 25, 2009

A conversão está na moda...

A conversão continua a ser uma palavra muito pesada no diccionário e na gramática da vida da maioria dos cristãos...talvez porque, mais do que um desafio permanente da fé, da inteligência e do coração ela apareça apenas (e só) para muitos como um pesado fardo que Deus e a Igreja se encarregam de nos recordar a toda a hora.
Talvez por isso, este Ano Paulino que estamos a viver, seja então desafiador também neste capítulo. Dei hoje por mim a pensar e a rezar e reflecti sobre alguns aspectos, uma espécie de decálogo que aqui deixo:
1º Saulo...um zeloso insatisfeito, desejando sempre mais e mais longe... o homem que corre por fora mas que hesita em (per)correr por dentro...e por isso Deus sai-lhe ao caminho, no caminho de Damasco, parábola e provocação para todos os nossos caminhos.
2º porque Paulo, esse perseguidor inquieto, nos ensina que a conversão começa com uma viagem que nos leva a cruzar caminho...o nosso com o de Deus, o de Cristo, o do Espirito Santo.
3º no cruzar do camninho o desafio da humildade: reconhecer o que fomos e o que somos, quem somos diante deste Deus-Luz que nos desafia a desfazer as trevas interiores que nos cegam o coração e a intelig~encia e que não nos deixam ver o que Deus vê, como Ele, com as oportunidades que Ele dá, quer dar...
4º porque essa mesma humildade nos desafia e proporciona uma revisão da vida, não por parcelas isoladas, mas da vida toda, mesmo das páginas mais escuras, e aí nos deixa ver a luz bruxuleante de Deus nas muitas noites que criámos sempre que nos fechámos ao amor.
5º porque essa revisão de vida nos convoca e nos concentra mais objectivamente na certeza de que para nós mesmos não somos nós a salvação, mas ela é Alguém que estando fora e para além de nós nos habita profundamente...
6º é o começo da nossa colaboração com a Graça de Deus. Aqui Deus é protagonista mas não nos dispensa...desde o dia do nosso baptismo onde nos fez templo, casa permanente do Crucificado-Ressuscitado.
7º Da nossa colaboração com a Graça nasce em nós a certeza enraizada de que Deus é amor e que todos os pecadores têm futuro...e assim, o caminho que se nos apresenta agora como desafio não é mais um penar, mas torna-se, isso sim, e essencialmente, num "caminho de damasco" onde queremos deixar-nos derrubar de todas as nossas falsas seguranças, deixar-nos fortalecer nas nossas inseguranças, deixar-nos curar pela força dum amor que se faz misericórdia e que escancara a porta do futuro a todos os nossos trilhos sem saída...
8º Enraizado em nós o Amor, a Misericórdia, que outra coisa não é se não o Amor Pascal, então eu tomo a consciência de que sou discípulo, isto é, que com o Mestre eu preciso de re-aprender os caminhso da vida, daquela vida verdadeira e autêntica, dauela verdade que liberta e salva, daquele amor que converte e cura...e por isso é o tempo para fazer a experiência profunda da intimidade de Deus, de prescrutar os designios do Seu coração paterno...é o tempo do silêncio que preenche cada recanto do coração dos discípulo e que saradas as feridas o habilita para a missão que o próprio Deus rasgou diante do seu horizonte.
9º Como discípulo, formado permanentemente na escola do Mestre, e mudados os critérios da inteligência e do coração no modo de olhar para mim e para os outros, eu tomo consciência de que sou apóstolo, ou melhor, de que todo o discípulo é um apóstolo...e por isso quero o que Deus quer, onde Ele quer e como me quiser...é o tempo de re-iniciar viagem na estrada de Damasco que é a vida quotidiana.
10º Assim na estrada de Damasco que é a vida de todos os dias eu torno-me testemunha do Amor que jamais passará, da Vida que jamais acabará, da Esperança que nada nem ninguém nos podem tirar...e assim, do jugo pesado e do triste penar da conversão (que tantas vezes pensamos ser um exercicio masoquista para consolar o Deus sádico) eu próprio percebo que sem conversão não há caminho. sem conversão não há cristão...e sim, o caminho é exigente mas possível...porque Deus vai á frente! é por isso que a conversão está na moda, não passa de moda, é sempre moderna

uma primavera do Espírito...



Faz hoje 50 Anos que uma verdadeira prmavera do Espirito encheu de cor e de vida a Igreja...Neste dia o Bom Papa João XXIII convocava o Concilio Vaticano II...um tempo e um espaço para o diálogo. Uma Igreja que se reúne não para condenar mas para acolher, para dialogar...
Para alguns é hora de convocar um terceiro concilio para o vaticano de modo a re-aprofundar o que se reflectiu no Vat. II e de modo a reflectir outras realidades...estes desejam uma revolução a que apelidam de renovação!
quanto a mim, sou desta geração pós-concilio...e mais do que revoluções para a Igreja eu desejo para todos nós, os cristãos, conversão...assim estaremos a viver plenamente o Concilio Vaticano II, estaremos a renovar por dentro e a partir de dentro a nossa Igreja Una, Santa (e sempre precisada de perdão), Católica, Apostólica, Romana e Alegre...e assim se dará uma verdadeira revolução: a da profundidade e verdade de quem é de Cristo, em Cristo e com Ele!
Bendito Seja o Bom Papa João
que mais do que revolução percebeu que para renovar
era preciso conversão!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

de coração rasgado...


Senhor meu Deus,
Rochedo da minha salvação,
meu amparo e libertador,
venho a Ti,
sou Teu filho e Tu és o meu Pai,
e na liberdade de um coração que se dá todo
aqui me tens para continuar contigo
a trilhar os rumos do infinito.


Dá-me Senhor um coração rasgado
capaz de amar sempre na gratuidade,
de servir-Te nos rostos mais frágeis,
de encher de luz as noites mais escuras
de todos aqueles e aquelas que
cansados, oprimidos,
esmagados pela falta de esperança
não são capazes de ver na noite
o brilho eterno das estrelas.


Dá-me Senhor
um coração rasgado e ferido de amor
para ser a consolação Paterna e Materna
para todos os orfãos que se abeiram da tua mesa,
um coração rasgado e ferido de amor
para que, dando-me sem medida,
todos possam,
nos seus tormentos e sofrimentos,
experimentar a paz que só Tu és
e só Tu podes dar,
a Alegria que ofereces e a Esperança que revigoras
rasgando a todos e a cada um horizontes novos
onde o finito e infinito se entrelaçam no mar do amor
e se transformam em plenitude, em eternidade...

sábado, janeiro 10, 2009

Bendita Crise!


Temos andado às voltas com a crise...

tudo está em crise...todos estamos em crise...

...e afinal o que está a acontecer não é mais do que termos acordado e começado a levantar o olhar e a percebermos de que somos mais do que as coisas que temos!


tudo isto, mais do que um mero exercicio masoquista, como alguns preconizam, há-de ser um belo testemunho daquilo que é a vida cristã, fazer do tempo e do espaço que habitamos um tempo para redescobrir quem amamos (e não o que amamos)...com verdade...o essencial! Bendita Crise! Bom Ano!

quinta-feira, dezembro 25, 2008

alegra-TE!

Alegra-te ó desesperado,
chega a Ti a Esperança.
Alegra-te ó triste,
chega a Ti a Alegria.
Alegra-Te ó pecador,
chega a Ti a Misericórdia.
Alegra-Te ó indeciso,
chega a Ti o Sim de Deus.
Alegra-Te ó Cristão...
pois chega a Ti CRISTO,
Palavra do Pai,
Luz e Salvação do Mundo!

aos que encontram aqui
um porto de abrigo...

um Santo Natal

Abraço-vos demoradamente em Cristo

terça-feira, dezembro 02, 2008

mas, quem és Tu?...

A Minha amiga "Coruja distraída" pôs-me a rezar com as suas inquietações e com a determinação da sua fé...agradeço-lhe a provocação e com ela, na limitação do que as palavras podem dizer, rezo:

Não sei mais que dizer-te,
és louco...
Tocas-me,
amas-me,
fazes-te paz em mim...
vens e saras as minhas feridas
trazendo-me a consolação do Pai e do Espírito.

mas, quem és Tu?

Sim,
Tu que fazes do pecador um santo,
do orfão um irmão,
do excluído um companheiro de viagem...

mas, quem és Tu?

Mostra-te,
revela-te,
diz-me quem és?
porque estás aqui?
que queres de mim?

"Eu sou Aquele
que em Ti faz maravilhas
aquele que habita o teu silêncio
aquele que te fala ao coração
aquele que por Ti se faz dom
aquele que não desiste de te procurar
aquele que te leva inscrito e aconchegado na palma das mãos
que não te esmaga nem te acusa,
simplesmente aquele
que te ama,
que sempre te espera
e que conta contigo
para que o Amor feito Páscoa
seja Vida em todos".

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Advento 2008

Esperar por Aquele que sempre nos espera…

Advento?
Por quem esperamos?
Com quem esperamos?

Um conto de natal de Charles Dickens conta a história de um homem que perdeu a memória do coração. Este apagar da memória do amor, foi-lhe proposto como libertação do fardo do passado. À medida que secava a fonte da memória, também a fonte da bondade desaparecia neste homem. Tornou-se frio e só espalhava frieza à sua volta. Olhando o tempo presente parece-nos que este conto de Dickens se tornou uma parábola do nosso tempo.

Advento?

O âmago, o centro, do advento cristão coloca-nos diante da memória do coração, isto é, da ligação entre memória e esperança, fundamento a partir do qualquer se constrói o quotidiano de todos e cada um dos homens e mulheres.
Assim o advento procura reavivar o Dom de Deus (cf. Carta a Timóteo), avivar a memória do Deus que se faz menino, isto é, o Advento torna-se o tempo que aviva a memória do coração e a abre ao mistério inaudito de um Deus que se faz Menino, peregrino nos trilhos dos homens. Ao mesmo tempo que se torna um tempo de avivar a memória o Advento torna-se também o tempo e a oportunidade que nos é dada para nos abrirmos ao para além de nós. A recordação agraciada e agradecida do que Deus fez torna-se no coração também uma memória salva (pascal), Esperança, cruzando assim, no arco do tempo e da vida, o Deus que foi, que é e que há-de vir.
Advento é então, antes de mais, o tempo em que Deus lida connosco de maneira muito humana, conduz-nos passo a passo e espera por nós. Advento é como que o toque silencioso à soleira da nossa alma inquieta, um risco que corremos indo ao encontro da misteriosa presença de Deus, a única que nos pode libertar.

Por quem esperamos?


Esperamos o Verbo procedente do silêncio (S. Inácio de Antioquia). A Palavra eterna dita pelo Pai á humanidade de forma definitiva, aquela Palavra que estava no princípio e estará no fim: A Palavra (e o Rosto) do amor. Esperamos na noite a Luz para as nossas trevas, esperança para os nossos desesperos, a consolação para as nossas feridas, a eternidade para a nossa finitude.
Esperamos a Palavra feita carne que montando a sua tenda no coração dos homens aí lhes oferece a eterna habitação da glória de Deus.

Com quem esperamos?

Esperamos em Cristo, com Ele, n’Ele.
Esperamos com a Igreja, casa dos ressuscitados, tenda da Esperança da Nova e Eterna Aliança.
Esperamos no mundo com todos aqueles que querem ver mais longe e mais profundamente…com os que têm fome e sede de justiça e de verdade, de misericórdia e de paz, de Amor…Esperamos com todos os viandantes do mundo que, com fome e sede de Deus, deixam que seja Ele o primeiro a encontrá-los.
Esperamos porque Ele vem!
Alegramo-nos porque Ele vem!
Fazemos caminho porque Ele vem!
Com a determinação dos peregrinos que sabem que o caminho se faz caminhando lançamo-nos nesta ousadia de acolher Deus que vem.
Com os pobres despojamo-nos de tudo aquilo que nos impede de ter um coração sincero e disponível para acolher o Deus próximo…
Com os humildes recomeçamos cada dia com a certeza de quem é Deus quem edifica, constrói, renova…
Com os profetas também nós ousamos gritar na noite a esperança de um tempo novo…
Com Maria aprendemos a guardar todas as coisas no coração na certeza de que o Senhor fará maravilhas e por isso a nossa alma não pode viver sem o glorificar eternamente.
Com a Igreja proclama-mos ao mundo que só no mistério do Verbo Incarnado se pode compreender verdadeira e profundamente o mistério do homem (cf. GS 22).
Esperamos…Naquele que sempre nos espera!

Vai p´lo mundo 1077


Depois de mais um Convivio da "Seita" fica-me a certeza que me animava à partida: o Deus-Amor faz sempre maravilhas! Obrigado por deixarem o bom Deus confirmar em cada um o Seu Dom...Aqui fica, para os mais esquecidos, a Palavra que me fez rezar por cada um...e claro meter-vos no "Coração do Esbanjador":


Mónica= Mat. 6, 20-21
Marta = Jo 15, 11 e Jo 11, 27
Dina= Mc 3, 33-35
Rosa= 1 Jo 4, 16
Tó= Ben Sira 6, 14-17
Fernando= 1 Pedro 3, 14-15

Ana= Tito 3, 4-7
Pedro= Hebreus 10, 23-24
Ricardo= Apocalipse 3, 20
Adriana= Romanos 12, 12
Carlos= 2 Timóteo 1, 6
Pe Fernando= Filemon 4-5
Pe Paulo= Hebreus 3, 14

terça-feira, novembro 25, 2008

és Tu quem constrói...


Na sombra da noite que cai e que emudece a terra
respiro-Te no silêncio que me fala ao coração
e que me faz cantar de alegria
a certeza serena de que é o Amor quem me visita,
quem cuida de mim e me guia...
e eu, balbuciando aqui e ali uma palavra,
louvo-Te com o coração de criança que me deste
e canto ao Deus da minha vida
o hino de Adoração
que vais semeando na minha alma:


Meu Deus...Meu Cristo...Meu Tudo...
é com um coração pobre que Te louvo.
No Teu coração a Paz,
em Tuas mãos a Ternura,
em Teus braços o aconchego,
no Teu Rosto a beleza do meu Deus,
Três Vezes Santo,
Omnipotente no Amor,
Terno e misericordioso com os pecadores,
simples com os simples,
próximo com os que estão longe,
...e sempre desconcertante pelo que fazes
no coração de quem se abre à Tua graça.

Como instrumento em Tuas mãos,
como semente por Ti lançada à terra,
a Ti, Luz terna e suave no meio da noite,
canto o louvor agradecido de um coração
que na Tua Paz encontrou a Paz
e que no Teu amor
assume a ousadia de se fazer amor
gratuito...e-terno...Alegre...fiel...
pois és Tu quem constrói a casa!

sábado, novembro 22, 2008

Ele anda por ai...

“Jesus, percebendo que viriam para o proclamarem Rei,

retirou-se novamente, sozinho, para o monte” (Jo 6, 15).

que Rei é o nosso?
Estranha esta solenidade...obriga-nos a rever os nossos esquemas mentais e do coração...

obriga-nos a retirar as máscaras da ilusão que confundem:
fé com poder, o amor com dominio, o serviço com autoritarismo

Quem é o nosso rei Cristo?
é o Deus feito homem, que nascendo na pobreza de belém buscou em tudo fazer a vontade do Pai...na hora da prova e da tentação permaneceu-Lhe fiel...e no fim disse-nos que era pelo amor que haviamos de ser julgados...
O nosso rei Cristo reina no coração do pobre, da criança, do simples...porque neles se esconde todos os dias para nos dar a possibilidade de lhe oferecermos o nosso nada...não adiante procurar onde Ele não está...Ele anda por aí...encontrá-lo-ás no sitio de sempre: o coração de cada homem em mulher...é aí que Ele reina de cada vez que vences o medo e percebes que há mais alegria em dar do que em receber, que toda a nossa glória está na cruz...pois o Messias que pregamos é o jovem profeta de nazaré que morreu crucificado e que para nós Ressuscitou.

por isso, parafraseando Raul Follereau, impõe-se-nos a pergunta:

Se Cristo amanhã
bater à tua porta,
reconhecê-lo-ás?

será o mendigo que te pede pão,
a criança que te pede um sorriso,
o idoso que te pede companhia,
o doente que te pede consolo,
o estrangeiro que te pede acolhimento,
o teu pai, a tua mãe ou os teus irmãos que te pedem amor,
os teus amigos que te pedem verdade,
...será Ele a pedir-te o coração.

o Cântico da manhã...

Ontem acordei e, como tantas outras vezes ultimamente, deu-me p'ra cantoria...pode parecer estranho, mas há dias assim, não sou capaz de calar o que me vai na alma...e a forma que tenho para melhor o dizer é cantar...


Gosto de me imaginar a cantar na gruta de Belém a ternura do meu Deus feito menino...


Gosto de acompanhar o Meu Cristo pelas estradas da Judeia e com Ele cantar os cânticos dos peregrinos...

Gosto de contemplar com Ele, na solidão da noite, o Rosto do Pai e cantar-lhe no silêncio de um coração agradecido...

Gosto de avistar com Ele as cidades dos homens e de, por entre as lágrimas, cantar o cântico do Deus que não desiste de amar até ao fim...
Gosto de subir ao Calvário, e com Maria e João, cantar a certeza de que quando O encontro descanso e reconforto a minh'alma...

Gosto de estar com Madalena na manhã da Ressurreição e cantar eternamente o hino do Amor Ressuscitado...

Por isso, durante a manhã procurei saborear o doce mel das palavras que o meu Deus me colocou no coração...procurei tecer com elas um hino simples de um coração agradecido e por isso lhe escrevi (cantando, sim já sei, só mesmo um louco como eu!)

Abre os meus lábios para cantar ao Teu nome
pacifica-me com a Ternura do Teu olhar,
enche-me da Paz da Tua cruz
e faz-me exultar de Alegria ao contemplar a Tua vitória
que nem a morte nem a vida me separem do Teu Amor,
reine em meu coração
Aquela paz que um dia deste aos Teus apóstolos
e no tempo da dor, da tristeza ou da enfermidade
visita-me com a Esperança que semeaste nas estradas da Galileia
para que, mesmo cansado ou oprimido,
eu sinta e saiba em quem pus a minha confiança
e como Job possa eu cantar eternamente a certeza
de que o Meu Redentor está vivo e no último dia
os meus olhos e a minha carne o hão-de contemplar...

por entre estas e muitas outras palavras,
que aqui não transcrevo do papel do meu diário de Peregrino,
lá fui cantando pela manhã:

"Seduziste-me Senhor, e eu me deixei seduzir
Numa luta desigual, dominaste-me Senhor,
e foi Tua a vitória"

sexta-feira, novembro 07, 2008

os diálogos Nicodémicos...


Há momentos na vida que deveriam ficar registados na retina e no coração eternamente. São assim alguns diálogos Nicodémicos! Sim, também foi na noite que Nicodemos foi ter com Jesus e percebeu que era preciso nascer de novo.

Perceber de alguém o desejo de uma fidelidade cada vez maior e mais profunda ao projecto amoroso de Deus deixa-me profundamente grato e oportunamente desafiado a continuar os trilhos de um caminhar que, sendo lento, vale sempre pelo que leva dentro, pois é por dentro que as coisas são, como diz o poeta.


crescer na gratidão significa para mim crescer na Adoração...um coração grato é um coração que se demora diante dEle.


no silêncio da noite...quando a criação repousa dos trabalhos de mais um dia...aqui me tens uma vez mais...grato...feliz...sereno...deixando que enchas de futuro os passos que tão timidamente vou dando no presente...e se é da Tua vontade....confirma o que a inteligência e o coração me apresentam como apelo, como convite, como desafio, como missão...pois meu Deus, eu bem sei que A alma que anda no Amor nem cansa nem se cansa.

segunda-feira, novembro 03, 2008

que fizemos da Vida (e)terna


Acordei estranhamente deanbulando entre a Palavra e o Mistério.

Hoje mal abri os olhos dei por mim a perguntar-me: "afinal que fizémos da Vida Eterna?", onde é que ela anda na nossa vida quotidiana, às vezes rotineira, às vezes banal?...

e porque é que, hoje, o céu não nos atrai?


Talvez se explique pela correria imensa em que vivemos, dirão alguns mais apressados em encontrar respostas do que em fazer caminho.


Outros dirão que o mundo mudou, as pessoas estão piores, há tanto mal, tanta desgraça...Este é o refrão-Hino dos profetas da desgraça que fazem anátema quem pense o contrário.


Cá p'ra mim, que diariamente procuro ser evangelicamente realista, acho que ainda há muitos sinais de eternidade, dessa Vida nova, que Deus semeou no coração dos homens...basta que "baptizemos" o nosso olhar:

de cada vez que venço um preconceito, de cada vez que acolho na gratuidade, de cada vez que me deixo olhar e tocar com a simplicidade de um gesto que não me pede nada em troca...então sim, aí está a Vida Eterna...porque ela passa e faz-se presente sempre que a vida é-terna!

domingo, novembro 02, 2008

Se me Amas...Não Chores! (Fiéis Defuntos)


Hoje quero honrar todos os meus que partiram com as palavras de S. Agostinho. Trago-os no coração! E neste dia em que se estreitam as pontes entre o céu e a terra rogo por Eles ao Bom Deus na certeza de que junto d'Ele os tenho já há muito como intercessores também da Sua benevolência e misericórdia para comigo.


“Se conhecesses o mistério imenso do céu
onde agora vivo,
este horizonte sem fim,
esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias, se me amas!
Estou já absorvido no encanto de Deus,
na sua infindável beleza.
Permanece em mim o seu amor,
uma enorme ternura,
que nem tu consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo,
pensa nesta casa onde, um dia,
estaremos reunidos para além da morte,
matando a sede na fonte inesgotável
da alegria e do amor infinito.
Não chores,
se verdadeiramente me amas!”

(Santo Agostinho)

sábado, novembro 01, 2008

Todos Santos?!

No atrevimento de Te rezar
Apetece-me dizer-Te simplesmente:

"És Louco!"

Sim, Tu, Meu Deus...
Louco de Amor
ao ponto de nos tornares iguais a Ti.
Abris-te no tempo a porta da eternidade
e, ainda não contente com isso,
o Todo Santo,
vens fazer-nos Todos santos!

e quando desistimos de nós
és o primeiro a dizer-nos:
"Eu permaneço! confio em Ti!"

Um Deus desconcertante...
"Esbanjador" de Misericórdia,
Eternamente abraçado ao Homem
para lhe mostrar realmente quem ele é e não sabe.

Num Deus assim
vale mesmo a pena acreditar,
lançar-se,
e ousadamente fazer com Ele uma história
onde cada passo dado
é caminho de Salvação!

Missão (im)POSSíVEL?

Já dizia ontem que a Santidade é inconveniente...tenho andado a pensar nisso durante este dia (deu-me p'ra isso o que é que querem!). Fez-se da santidade um realidade extra-terrestre quando ela é profundamente intra-terrestre. Caricaturou-se a vida cristã, o seu centro, o seu coração, a sua missão...e os Santos depressa viraram santinhos...e logo a seguir "beatinhos".
Alguns ainda pensam que os cristãos são esses fadados a viverem dois palmos acima do chão e descoprometidos com o mundo, uns idealistas monótonos para quem a vida teria uma só côr (de preferência escura!).


A santidade é uma provocação a vencer o mediocre o banal com a profundidade de Deus, é um convite a que cada um se pergunte: Qual é o peso de Deus na minha vida? Nas minhas opções. no meu olhar. nas minhas mãos. Nos meus lábios. No meu coração. Na minha inteligência?...é por isso que a Santidade não é Light...ela incomóda-nos, desinstá-la-nos...faz-nos perceber que a vida é uma paleta de cores infinitas...cada uma no seu lugar...mas todas necessárias para pintar o rumos dos sonhos e fazer da vida, verdadeira, alegre e humilde, um trilho onde o Eterno beija o Tempo e o torna a casa onde mora o Amor.

sexta-feira, outubro 31, 2008

Isso é comigo?...


A Santidade é inconveniente, assim a olham “as prioridades” do nosso tempo. E, como sempre, de cada vez que falamos no tema “cheira” (quase sempre também) a algo bafiento
Começamos um mês, o de Novembro, marcado pelo ritmar da vida a partir da vida de Deus em nós. Habituados que estamos a sermos “tarefeiros que esquizofrenicamente correm para todo o lado e para lado nenhum”, pode parecer um convite à demissão do compromisso humano, social e ético o grito de Deus: “Sede Santos porque Eu, o vosso Deus, sou santo” (Lev 19,2).
Outros há, também, que acham a santidade interesseira, esses reconhecem-lhe que a sua única identidade (e eventualmente valor?!) é a de ser um desafio ético, moral, que a Igreja faz (segundo alguns, impõe!) para que os cristãos sejam “bem comportadinhos”, deste modo a palavra santidade para estes torna-se, apenas e só, num refrão monocórdico que é repetidos de tempos a tempos para que a moral e os bons costumes não se percam.
O que eles não sabem de verdade é que a Santidade é mesmo inconveniente e interesseira!
É inconveniente porque obriga positivamente a rever conceitos e critérios. Obriga a revisitar opções que eternamente adiamos para as definirmos e com elas nos comprometermos, diante de um Deus que não se demite do homem nem o abandona ao triste fado do tempo que corre sem mais.
É profundamente inconveniente diante da acomodação ao já conquistado, porque obriga a repensar, em cada passo, a vida como um caminho sempre andado e sempre a recomeçar, não como um eterno retorno, mas sim como uma oportunidade para crescer em profundidade, em verdade, em humildade.
Sendo inconveniente a Santidade torna-se também interesseira pois o seu fim último (e primeiro) é transformar a vida do homem num projecto que jamais a mente humana poderia alguma vez sonhar ou conquistar: fazer da finitude eternidade!
A Santidade rasga horizontes. Abre no tempo a janela do infinito e faz com que o homem se possa olhar a partir do que é verdadeiramente (aos olhos de Deus) e não do que tem. É este o seu grande interesse! É por isso que ela se torna profundamente perigosa (e torna também perigosos os cristãos!), pois como dizia a pobre Mendiga de Deus Teresa de Calcutá: “Se vos proclamam santos, não vos colocareis a vós próprios num pedestal. O conhecimento de nós mesmos faz-nos ajoelhar”.
Diante da tão propagandeada crise que vivemos, a Santidade é mesmo inconveniente e interesseira porque faz da fé um compromisso que não aliena nem demite de nada o homem, tão somente o compromete mais com o drama de todos e de cada um, com o drama da história, dado que “não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no coração de um discípulo de Cristo” (cf. Gaudium et Spes 1).