quinta-feira, maio 05, 2011

...uma questão de amor!



O perdão é o que de mais radical se pode dar ou acolher,
é que perdoar não é uma questão de justiça...

é uma questão de amor,

amor cristão, amor até ao fim...e depois dele!




sábado, abril 30, 2011

A caminho...



João Paulo II será sempre recordado como o Papa dos Jovens e com os Jovens! sempre me habituei a vê-lo como uma página viva do evangelho (escrita com ternura!) e activamente misericordioso.

recordo as várias JMJ em que participei, de um modo particular a de Paris em 1997, que me faz ver a vida e a Igreja por outro prisma e que muda radicalmente a minha vida e os meus planos. Estar perto dele era "Tocar o próprio Cristo" que caminhava no meio do seu povo...este homem, este Papa, se por um lado cativava pela sua ternura creio que cativava também porque apontava metas altas como projecto para uma vida que não quer ficar na superficialidade...creio que está ai o segredo que interpelou tantos jovens a seguirem Cristo no sacerdócio e na vida consagrada.

Com João Paulo II aprendi que não podemos calar o amor que nos habita e que tem um nome e um rosto: Jesus Cristo, o Filho de Deus e Redentor da Humanidade. Agora que caminhamos para a sua beatificação há uma pergunta que atravessa mais intensamente os meus caminhos quotidianos (e talvez os teus também!):



Queres ser Santo?


...então, Não tenhas medo!

terça-feira, março 29, 2011

Do deserto ao coração, da água do poço à fonte da vida...

A propósito das leituras da Eucaristia de Domingo passado (27 Março) aqui deixo alguns pontos que são fruto do meu encontro com a palavra de Deus e que me ajudaram ao encontro com Ele.
1. Quando o deserto somos nós…


Olhando o povo que atravessa o deserto vemos (e ouvimos na sua murmuração) que o entusiasmo da primeira hora esmoreceu... No caminho que vai da terra da escravidão à terra prometida facilmente se põe de lado a memória das obras que o próprio Deus já tinha realizado em seu favor (passaram o mar, provaram a água doce, foram saciados com codornizes…e ainda protestam!). E aquela que devia ser uma hora de esperança, de confiança, torna-se numa amarga contemplação das vicissitudes e numa caminhada que, de murmuração em murmuração, conduz não só à revolta e à desconfiança...mas também ao desejo de abandonar Aquele por quem se sentem abandonados.


Este caminho, creio, é metáfora de todos os nossos caminhos quotidianos. Com relativa facilidade também nós “habitamos de porquês” os nossos trilhos e facilmente nos esquecemos do “com quem os fazemos e partilhamos”. Neste “com quem” falo de Deus, certamente, porque como homem de fé me habituei a ler a realidade como o lugar da sua presença e acção, mas também falo daqueles e daquelas com quem diariamente cruzamos caminho e construímos história…e como é fácil fazer de cada encontro ou uma graça ou um deserto…é que às vezes o deserto não é a realidade que nos envolve…às vezes o deserto somos nós, quando teimosamente nos repetimos em rotinas já sem vida, ou em gestos e palavras profundamente carregados de morte e despidos de acolhimento, ternura, compreensão. E assim, de deserto em deserto o caminho torna-se mais amargo, à vida acrescentam-se pesos que ela não tem…e passamos ao lado do essencial (e que é o grande convite que a quaresma nos faz) passar do deserto ao coração, da morte à Vida, do finito ao Eterno.


2. Quando o deserto nos atravessa…


O Evangelho apresenta-nos um encontro junto a um poço. Este não é um encontro qualquer, é o encontro do Mestre com uma mulher Samaritana. Ela é apresentada sem nome, numa hora estranha para se ir à fonte, ficamos a saber depois, pelo diálogo com o Mestre,


- que tem uma história pessoal pouco recomendável (5+1 Maridos),


- é por cultura uma "fora da lei" (Samaritana),


- por experiência afectiva uma rejeitada (já teve cinco maridos),


- por experiência comunitária uma excluída das relações (a esta hora já ninguém a vê!).



Podemos imaginar, intuir, o deserto que habitava o coração desta mulher…e a sede que certamente traria em seu coração.


Este encontro à hora de noa torna-se para ela um encontro providencial, é a hora em que aceita ser confrontada por Alguém que lhe diz a verdade com amor e que lhe revela, com a oferta do “dom de Deus”, que o verdadeiro arrependimento não é o fim da vida, mas antes o seu o principio.


É assim que corajosamente ela larga o cântaro que não pode conter nem aprisionar o dom e se faz ela mesma dom para os outros com a alegre notícia deste encontro.


Neste encontro “esponsal” em Sicar, é toda a humanidade que se encontra com o Esposo que vai a caminho da Páscoa, da Sua Páscoa. Também nós somos convidados a fazer este encontro e a confrontarmo-nos no que somos, no que fazemos, no que dizemos ou no que calamos, com o “dom de Deus” que passa em nós, e no meio de nós, em cada dia e em cada hora…Não ao jeito dos discípulos (que chegaram atrasados depois de virem das compras e que a única coisa que aparentemente querem é que o Mestre coma [para ver se se cala!]) mas com a disponibilidade da inteligência e do coração de quem descobriu, como nos dizem as testemunhas no final do evangelho, “que Ele [Jesus] é realmente o Salvador do mundo!”.


3. Passar do deserto ao coração, da água do poço à fonte da vida!


Paulo na segunda leitura, continuando a narrar-nos a sua paixão pelo Crucificado-Ressuscitado, escreve aos Romanos e recorda-nos que só o amor nos pode desarmar, isto é, só o amor nos pode fazer sair do círculo das nossas conveniências e interesses mesquinhos e abrir-nos ao dom infinito do amor gratuito de Deus e ao dom que são (sempre!) os outros. É por isso que “quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (2ª Leitura).


E como não somos meros receptores do dom, mas colaboradores activos (e alegres!) com a Graça que foi derramada em nossos corações, diante do confronto que nos faz a palavra, e a caminho da Páscoa, creio que se alargam então os horizontes da nossa inteligência e, creio também, que se renova em nós o desafio a visitarmos todos os desertos humanos levando-lhes a consolação e a esperança que brotam desta fonte da vida que é Cristo. É urgente passarmos do deserto ao coração e da água do poço à fonte da vida! E aqui cada um é que sabe por onde deve começar…


É que, a alegria de quem acolhe o dom não tem preço nem medida, não cabe num cântaro e extravasa o poço… É por isso que não podemos ignorar o desafio do salmista quando nos diz: Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos a Deus, nosso salvador. Prostremo-nos em terra, adoremos o Senhor que nos criou. Pois Ele é o nosso Deus e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho” (Salmo Responsorial).

domingo, março 20, 2011

Atravessar o deserto com um coração novo…

Os poetas são, por natureza, os melhores “cantores” do mistério da vida. Assim escreveu magnificamente Sophia de Mello Breyner Andresen:

“Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade, para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei…”

Cada quaresma é este desafio a atravessar o deserto com um coração novo, transfigurado. É o tempo favorável para deixar a lamentação de outros tempos, fazendo do tempo, e de cada passo, uma oportunidade para crescer no dom, na intimidade, na fidelidade…

Neste contexto de Povo (Cristão) a caminho, o deserto configura-se pois como o espaço (e o tempo!) para o discernimento, para a escuta, para o despojamento…É ao mesmo tempo lugar do encontro com a nossa nudez, tempo de luta com o nosso pecado, espaço privilegiado para acolher a graça e oportunidade sempre dada para (re)habitar mais profundamente o Mistério que desde sempre nos habita.

Transfigurar a vida (o coração e a inteligência) não significa por isso um esforço voluntarista do “vou lutar até conseguir!” mas implica algo de muito mais “arriscado e profundo” que resumo de um modo muito simples assim: “confio-me/entrego-me…para ser Ressuscitado”, ou seja, colaboro com a graça e vivo uma vida permanentemente agraciada e agradecida…Pode-se falar da vida transfigurada como sendo uma “vida engraçada” (= cheia da graça/vida de Deus nosso Pai!)

Importa não esquecer que neste caminho é sempre o dom que nos conduz! Talvez por isso (habituados que estamos a uma educação para possuir, dominar, vencer…etc.) esta “transfiguração da vida” nos apareça tantas vezes como “um caminho de tal forma exigente que…parece impossível”.

Só com Deus, e com a ternura sempre sedutora do Seu amor até ao fim, percebemos que “o santo é um pecador arrependido que se deixou revestir com o manto da misericórdia do Pai, que aceitou o convite para se sentar na mesa do Banquete das núpcias do Cordeiro e que se deixou desassossegar pelo Espírito Santo percebendo que outra coisa não é senão um discípulo enviado aos confins da terra”.

Conduzidos para a Páscoa por “Aquele que é a nossa paz”, torna-se urgente diante da proposta de Deus uma resposta, sem equívocos, ao Seu chamamento: “Deixa a tua terra, a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar” (Génesis 12,1-4).

E porque cada resposta comporta o risco, reais são também as consequências deste seguimento: “Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor!” (2 Timóteo 1,8-10.)

Peço por isso a Deus que transfigure:

- As nossas mãos cansadas,

- O nosso olhar preconceituoso,

- O nosso coração tantas vezes egoísta

- A nossa inteligência que, algumas vezes no caminhar quotidiano, se faz peregrina de um modo desesperado e desorientado.

- A nossa vida de fé…tantas vezes rotineira e sem a criatividade própria de quem é habitado pelo Espírito Santo.

Vais adiar uma vez mais

Transfigurar-Te?

quarta-feira, março 09, 2011

cinzas...para dar novas cores ao coração?!


A cinza é incómoda. O seu simbolismo recorda-nos, de imediato, destruição, precariedade, talvez, quem sabe, catástrofes. Será oportuno falar ainda hoje, quase ao jeito de desmancha-prazeres, na cinza? Afinal, não estará este símbolo, diante de uma sociedade tão cheia de tudo, em rota de colisão com aquilo que é o bem-estar e a felicidade do homem de hoje? Não estará a Igreja (“como sempre!”, dirão alguns) com este sinal a contribuir para que a vida do homem seja mais triste, mais enfadonha, quiçá até mais desesperada?...


A imposição da cinza não é um gesto meramente de lembrança da morte, da caducidade e do pecado. Com ela começamos a quaresma, isto é, um caminho que nos conduz à Páscoa. Portanto não se trata de um gesto masoquista ou penitencial vazio. Não é a celebração de um dia isolado de outros. A imposição das cinzas é um sinal de começo, é início de um caminho, é convite á participação da vida plena: a Ressurreição de Cristo.

Mais do que um caminho deprimente, repetitivo ou pessimista, como superficialmente alguns podem pensar, a quaresma é um tempo de novidade permanente. É o tempo para redescobrirmos nas cinzas do homem velho a novidade de um Deus que não desiste e que em Cristo nos dá a medida para o homem novo, não mais segundo a carne mas vivo para sempre segundo o Espírito.

As cinzas recordam-nos afinal que a vida não tem uma cor só. As cinzas alargam o horizonte da nossa inteligência e do nosso coração recordando-nos que com Cristo é sempre possivel recomeçar, ir mais além...dar novas cores à vida!



e tu, que outras cores
vais dar à tua vida
nesta quaresma?...

quinta-feira, março 03, 2011

(d)escrever-me!...

À medida que o tempo passa, e com a velocidade a que corre a informação, fácilmente "postamos", "clickamos", "Tagamos"...enfim, um mundo de gestos e hábitos que a pouco e pouco nos fazem perder a capacidade de verbalizar quem somos, o que sentimos, como estamos, como nos vemos, o que sonhamos...Habituámo-nos a viver, em algumas (talvez muitas) situações, sem "narrar a vida", deixando que simplesmente ela nos leve.
O problema não está na técnica ou nos meios (felizmente mais abundantes!) de que dispomos para comunicar(-nos), o problema é que, passo a passo, vamos caminhando para uma sociedade "mono-silábica" e "mono-afectiva" onde o dom que cada um é se dilui, onde nos perdemos na repetição de mutismos ou na gaguez de quem não sabe (já) expressar o que sente, o que vive em profundidade, o que deseja...
Dou-me conta disto na graça dos pequenos encontros nicodémicos em que brota a espontaneidade...somos, de facto, um dom e um mistério! É aí que a narração se faz partilha, que a vida se faz escola para aprender o amor e plantar a esperança e que os dons pessoais, todos os dons, se tornam o suave perfume com que Deus vai tornando formoso cada passo da história...
Aprender a "narrar a vida" é aprender a cultura do dom, é entrar na escola da humildade sabendo que tenho sempre mais para aprender e ser (não tendo medo de partilhar o que sou, penso, faço ou sinto); É acima de tudo acolher e oferecer perdão, sabendo que as mágoas só se curam com amor.
Narrar a vida é uma oportunidade única que não se pode desperdiçar...dado que cada momento é tempo e espaço (ou, numa alusão Eucaristica, é Mesa) onde o Amor (e)terno de Deus quer encher de futuro cada história humana.

domingo, fevereiro 13, 2011

um Amor (e)terno...

(foto Paulo Rodrigues - olhares.com)
Nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam. (cf. 1 Coríntios 2, 6-10)

e tu, porque resistes?...

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Deus não desiste...

Por entre os trilhos da vida "a surpresa de Deus" é permanente...de um modo muito simples Ele desinstala, desafia...dinamiza, dá coragem e enche de futuro cada dia, todos os dias. Hoje, enquanto trocava algumas palavras com colegas dava por mim a contemplar interiormente uma realidade (essencial): o modo como Deus não desiste de nós...de mim...de ti...
e tu, vais desistir?

domingo, janeiro 23, 2011

Desconcertante...e irrecusável!

A proposta de Jesus é sempre desconcertante...e irrecusável!

Na escola da Palavra, para quem deseja ler e viver mais profundamente a sua vida, o apelo do Mestre na liturgia de hoje é muito claro, incisivo, directo: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.»… só assim se pode compreender e aceitar o convite (irrecusável):

«Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens.» E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-no.
e tu, aceitas?...

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Na Fonte da Palavra...(Mateus 11,16-19)


Ó Cristo,

No Teu coração o pecador encontra a misericórdia,

O desesperado encontra consolação

O pobre encontra um abrigo e a mesa do amor

Sempre pronta para lhe saciar a fome

Vem até nós, Senhor, não Te canses de nos procurar…


sábado, dezembro 04, 2010

Na Fonte da Palavra...(Mt 9, 35 – 10, 1.6-8)

A palavra revela-nos um Deus compassivo…um Deus que assume em si e para si os dramas humanos. Diante de um mundo, e um tempo, marcado pela insegurança, diante de tantos feridos pelo ódio, a inveja, o sucesso a todo o custo,...

Jesus apresenta-se como o Rosto da compaixão, ou melhor, apresenta-se como a Compaixão que se faz salvação. O "programa do Reino" que chega ao coração dos homens é muito claro: ir aos últimos, levar-lhes a Boa Nova libertadora curando, ressuscitando, sarando, aliviando…

como “receptores activos da Graça” somos também convidados a ser “esbanjadores” dela…pois se tudo é dom, dom maior é partilhá-lo!

Meditando

como cristão sou desafiado a ser outro Cristo, a revestir-me dos seus sentimentos...O meu coração é compassivo diante de todos os dramas humanos? Procuro aliviar os que andam cansados e oprimidos? Procuro ao jeito de Jesus ser guia (pastor) para os que perderam o sentido mais profundo da vida?...

Rezando-LHE

Senhor Jesus,

Tu és o Bom e Belo Pastor

Sem Ti os nossos dias são vazios

A nossa vida não tem rumo

reveste-me com os sentimentos do Teu coração…

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Na Fonte da Palavra...(Mt 9, 27-31)

Quase todos vamos experimentando em algumas circunstâncias da vida a incapacidade de ler o nosso próprio coração, de descobrir qual o caminho a seguir ou, como acontece algumas vezes, não descortinar a presença viva e actuante de Deus em nós, nos outros, no mundo…Tais situações são muitas vezes encaradas com uma dramaticidade quase trágica: o hoje já não teve “ontem” e dificilmente terá “amanhã”. Mas Jesus diz-nos que se confiarmos nEle com todo o nosso coração e a nossa inteligência as trevas que nos cegam darão lugar à Luz que é Ele. Basta que ousemos gritar-lhe como os dois cegos: «Filho de David, tem piedade de nós»…

Meditando

Quais são as minhas “cegueiras”? e como lido com elas?...

Rezando-LHE

Senhor Jesus,Tu és a Luz do mundo,

Bem sabes que às vezes me deixo cegar pelo orgulho, vaidade, vingança…

Abre os meus olhos à Tua luz, Ensina-me a procurar-Te e acolher-Te

mesmo quando tudo é noite,

mesmo quando parece já não valer a pena…

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Na Fonte da Palavra...(Mt 7, 21.24-27)

Entre a exigência e a ternura, Jesus vai-nos propondo o “perfil” do discípulo. A verdade acerca de Deus e do homem só se capta na profundidade, por isso, ser discípulo de Jesus significa antes de mais “aprender a construir” uma casa (Vida) sobre a pedra angular, a rocha firme, que é Ele. Não há vida cristã sem Cristo! Por isso, falar de prudência neste contexto não significa “jogar onde é mais favorável” mas antes “perder-se” (confiar-se) nas mãos deste Deus que nos chama para Si. É nesta fidelidade criativa que todos e cada um de nós nos havemos de (re)descobrir como casa edificada por Deus… só n’Ele, por Ele e com Ele evitaremos a banalidade…

Meditando

A Palavra interpela-me à coerência entre o que sou, faço e rezo. Que “casa” estou a construir?...

Rezando-LHE

Senhor Jesus,Tu que és a rocha firme,

Ensina-me a viver uma vida marcada pela fidelidade à verdade,Pelo amor a Deus e aos irmãos, Ensina-me a não fugir da responsabilidade, a não desistir quando houver dificuldades, na hora das dúvidas ilumina-me com a certeza da Tua presença…

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Na Fonte da Palavra...(Mt 15, 29-37)

Em Jesus o Deus que cura é também o Deus que sacia…Um Deus que mata a nossa fome de sentido, de verdade, de alegria, de esperança. Por Ele todos são convidados a participar no banquete universal da salvação…A mesa de Deus é mesa para todos, é a mesa posta para os pobres, o lugar do encontro e da intimidade, o sinal da pertença e da Presença, a fonte da Esperança e da Compaixão, o sacramento do Amor que salva a partir de dentro, do mais profundo da nossa realidade. É aí que percebemos que a eucaristia é “o Pão para os pecadores”, o único alimento que sacia os viandantes que rumam para a intimidade da Trindade.

Meditando

Como vai a minha “proximidade” com a Eucaristia?...

Rezando-LHE

Senhor Jesus,Tu és o Pão da Vida plena,

Ensina-me a adorar-Te com um coração de criança,

A falar-Te com a humildade dos simples,

A receber-Te com a confiança dos Santos,

A partilhar-Te com a audácia dos Mártires…

terça-feira, novembro 30, 2010

Na Fonte da Palavra...(Lc 10, 21-24)

Jesus é o rosto do Deus da alegria. “Contemplativo” diante do regresso dos seus discípulos regressados da missão Ele reconhece em tudo o que aconteceu a bondade actuante e próxima do Pai. Um Pai que se revela aos que são pequeninos, aos humildes, aos que se deixam “encher de Deus”. À Felicidade de Deus deve também corresponder a felicidade dos discípulos uma vez que em tudo o que aconteceu Deus lhes permitiu verem mais e mais longe…a eles foi-lhes dada a alegria de sentirem palpitar o coração de Deus no meio dos homens e mulheres do seu tempo, de cada tempo.

Meditando

Como vai a minha “proximidade” com o Pai?

Sinto-me verdadeira e plenamente Seu Filho?... Deus é a causa da minha Alegria?...

O retorno da missão desafia-nos sempre à gratidão.

Que tenho hoje para agradecer a Deus?...

Rezando-LHE

Senhor Jesus,Tu és para mim o rosto terno e misericordioso do Pai,Ensina-me a viver em profunda comunhão com Ele,Dá-me um coração capaz de O invocar na tristeza e de celebrar com Ele cada dom recebido ou partilhado…

segunda-feira, novembro 29, 2010

Na fonte da Palavra...(Mt 8, 5-11)

Diante da presença de Jesus o centurião não hesita em aproximar-se dAquele que sempre se faz próximo. Jesus não teme ir à casa dele. Não teme entrar na sua intimidade e curar o que necessita de ser curado…O centurião sabe que a palavra de Jesus é poderosa, sanante, pacificadora. No seu coração ele sente e sabe que Aquele homem é Deus, é o Filho de Deus, aquele que vem para que tenhamos vida em abundância (cf. Jo 10, 10)… mas sente que é indigno de acolher tão grande dom. E Jesus, que bem conhece o coração de todos os homens, não hesita em afirmar: “não encontrei em Israel tão grande fé”.

Meditando

Como vai a minha “proximidade” com Jesus e com a Sua Palavra?... - De que “paralisias” preciso de ser curado?... - Que desafios me lança a fé (confiança) do centurião?...

Rezando-LHE

Senhor, Bem sabes que muitas vezes sinto que não sou digno que entres na “minha casa”: no meu coração, na minha intimidade, na minha vida...Ensina-me a confiar plenamente em Ti,concede-me o dom de uma fé humilde e alegrepara que possa acolher-Te a Ti que vens de novo até nós….

segunda-feira, novembro 22, 2010

O Rei vai nu…

Alguns hão-de lembrar-se do célebre conto de Hans Christian Andersen. Não, não vou fazer uma paráfrase ao conto. As linhas que se seguem são uma aproximação a uma realidade complexa, profunda…e desafiadora: amar desarmado (que é bem mais do que não ter armas!). Vem tudo isto (ainda) a propósito da solenidade do Rei-Cristo. Agrafo assim o título da solenidade, pois habituados que estamos à pompa e à circunstância (vazias de tudo e cheias de nada), num tempo débil como o nosso, podemos facilmente incorrer em leituras ideológicas e politicas do mistério de Deus, por exemplo, numa nostalgia monárquica, quase visceral, por oposição à res-publica, ou, ainda no campo das hipóteses da nossa excelsa liberdade, numa leitura anárquica do tempo actual centrada numa individualização subjectivista do “tanto me faz…para mim é assim!”.

Há já algum tempo que me habita “o mistério da vulnerabilidade”…e gosto de reflectir sobre o mundo, sobre o Cristianismo, sobre a igreja, sobre mim, a partir desta chave de leitura: o cristão é chamado pelo Mestre a viver, como Ele e com Ele um amor-desarmado, vulnerável.

O amor é ainda, em algumas circunstâncias, um belo acto formal, uma abstracção logicamente formalizada mas que não serve para coisa nenhuma...

Talvez por isso, quando se fala em vulnerabilidade, muitos se assustem, e acorram logo com sinos arrebate, como se de uma nova heresia dos tempos modernos se tratasse, pensando que se deseja a “canonização da fragilidade humana”, de um jeito resignado e fatalista. Não! A vulnerabilidade de que falo não é a de uma des-responsabilização do humano, muito menos a de uma qualquer fuga pseudo-espiritual, que procura em Deus um refúgio para não se confrontar com o que se é.


Falo da vulnerabilidade, como escola e como mistério, naquela lógica do memorial eucarístico que nos recorda que “não há maior amor (vulnerável!) do que dar a vida pelos amigos”; Ou naquela lógica do amor desarmado (e até ao fim!) do Rei dos reis e Senhor dos senhores, que nos diz, rasgando de alto a baixo a nossa inteligência e o nosso coração, “Tomai, isto é o meu corpo entregue por vós”.



Assim, a solenidade que celebramos, é como que um espelho colocado diante de nós, para que, de uma forma serenamente cristã, cada um se veja e reveja no seu modo de amar e de acolher o amor. Por isso o formal fica de fora, não tem aqui lugar, é desadequado, inestético, agressivo…é anti-Reino (de Deus).

Põe-nos em causa, o Messias-feito-Cruz. Convida-nos a revisitar a história humana (e a nossa história pessoal) como lugar de salvação e não de perdição.

Amplia os nossos horizontes, com a bem-aventurança de um Reino Novo e Eterno, que não me dispensa, do qual sou herdeiro…onde o que conta não é o mérito mas a verdade…do que sou e do que sinto, do que vivo…do onde estou…e do onde Ele me quer.

Despe-nos este Rei-Nu da tentação da vaidade, de nos acharmos os melhores e os maiores, e convida-nos a redescobrir que é dos fracos que Ele é o Deus-Forte.

Desmascara-nos nas “boas intenções” (tantas vezes mescladas de nós e vazias de Deus) e convida-nos a olhar para além do que vemos, intuindo e enraizando em nós este jeito Messiânico de ser Deus-connosco, Deus-para-nós, Deus-em-nós e Deus-de-nós.

Provoca-nos, este Rei Crucificado-Ressuscitado, a acolher a história como caminho, a ser cristão sendo (e)ternamente peregrino, a sermos uma Igreja que caminha com a humanidade e que não teme pôr-se em causa, ver-se e rever-se em Deus, em Cristo, no Espírito Santo…enfim, um convite à vulnerabilidade-evangélica que o Pai nos mostrou em Jesus e que sempre renova em nós com o Seu Espírito de Amor.

Diante do Rei-Nu:

Pilatos permaneceu armado de certezas (de coisa nenhuma) diante do amor-desarmado;

Pedro permaneceu certo de tudo (e com medo de todos) ao perceber que o amor não fere…mas dá-se (incompreensível este mistério para um coração que teima em não-se-pôr-em-causa);

O Centurião procura a lógica (para o irracional) e é desarmado por Aquele que contempla, ferido (de amor), trespassado (pelos nossos males).

Um dos ladrões, sem saber ao certo a graça de ter tal Companheiro na sua última viagem, “rouba” ao Amor a graça de ser ternamente perdoado (redescobrindo que o arrependimento não mata, mas converte e salva!);


E eu? E tu?...o que vês no Rei-Nu?

domingo, novembro 07, 2010

adversário do absurdo...profeta do significado

"O Cristão é o adversário do absurdo, é o profeta do significado" assim escreveu P. Ricoeur. Neste Domingo, mergulhando na Palavra, ganha um sabor ainda mais denso esta afirmação...rodeado pelos saduceus, especialistas em manhas e artimanhas, o Senhor Jesus, nosso Salvador, Irmão e Companheiro de viagem, convida-os (e a nós também) a (e)ternizar a vida...desafio que não é simplesmente transpor para o "além" o que aqui somos e vivemos mas sim, na confiança filial de quem se sabe amado, deixar que Deus, no seu amor infinito, eternize no tempo, e para além dele, esta nossa condição de ternamente-amados-e-eternamente-resgatados.

Beber na fonte da palavra hoje foi para mim particularmente interpelador...foi desafio a perguntar-me se encho de futuro, de Deus, cada presente e se, na memória agradecida de cada passado, me disponho a avançar, em silêncio-adorador, como um insurrecto de amor e como um viandante pelos trilhos dos homens e mulheres, meus e teus irmãos, semeando a eternidade que Ele é em mim, em ti, em nós...connosco, no mundo...e para além dele!

a ti, que passas neste recanto, nesta casa onde sobre a mesa há sempre amor, deixo-te algumas palavras que balbucio em jeito de oração...que elas possam ajudar-te a seguir caminho...aquele caminho que são os trilhos da Vida que Ele é.

Espírito Santo,
inspira-me sempre o que devo pensar,
o que devo dizer e como o devo dizer,
o que devo calar e como o devo calar,
o que devo escrever, fazer,
como devo agir...
para que o Amor eterno,
que és com o Pai e o Filho,
sempre me habite
e possa assim incendiar de Esperança
o coração de tantos irmãos
que Te procuram sem Te encontrar...

Meu Deus,
à Tua misericórdia abandono o meu passado,
ao Teu amor o meu presente,
à Tua providência o meu futuro.