um espaço de partilha, reflexão, discussão e anuncio do amor misericordioso de um Deus loucamente enamorado por todos os que criou à sua imagem e semelhança...
Jesus continua a caminho! Os discípulos, entretidos com outras lógicas,
continuam sem perceber que o que os espera é a cruz, e que só por ela
podem atravessar o umbral da morte e entrar no Caminho da Vida.Enquanto
caminham murmuram, quando confrontados permanecem em silêncio, mudos...talvez por vergonha, talvez por medo.
Só quer 'subir' quem vive na superficialidade, isto é, quem não foi
capaz de 'descer' ao mais íntimo (e mais profundo) e ler aí, com Deus e
em Deus, o Mistério da vida. Aconteceu com eles, connosco não é assim
tão diferente...
No "íntimo mais íntimo", um coração inundado
pelo "doce perfume da Páscoa", é capaz de perceber que a lógica é outra,
e que o Evangelho (só) acontece quando: «quem quiser ser o primeiro,
for o último de todos e o servo de todos» [cf. Marcos 9,30-37].
E quando se é servo por Amor…então é Páscoa todos os dias! Bom Domingo :)
É preciso semear, mesmo que seja contra o vento e p'ra que não nos falte o alento, a coragem e o saber, o Mestre manda dizer: "Não te canses de semear, pois só dá fruto quem persevera" [cf. Lucas 8,4-15]
É bom recordar: ser livre não é poder fazer tudo o que me apetece, é sim oferecer(-Lhe) tudo o que sou e faço! é que a liberdade é sempre uma questão de amor, de gratuidade.
Mateus não hesitou ao ouvir a voz de Jesus! Não lhe deu coisas, deu-se todo, seguiu-O! [Mateus 9,9-13]
Não há nada mais "escandaloso" do que o perdão deste Deus-Louco-de-Amor pela humanidade.
Sem o perdão é impossível olhar o futuro; Com o perdão o futuro
aproxima-se e desafia-nos a caminhar, desafia-nos a deixar o medo, a ter
um projecto...e a vivê-lo!
...bora lá oferecer perdão aos que estão à nossa volta?!
Em cada (re)começo há sempre uma certeza serena que nos acompanha: Ele vai connosco, sustenta e guia os nossos passos! "Que o caminho seja brando a teus pés, o vento sopre leve em teus ombros. Que o sol brilhe cálido sobre tua face, e as chuvas caiam serenas em teus campos. E até que eu de novo te veja, Que Deus te guarde na palma de sua mão"
8 anos
depois [27 Junho 2004 - Ordenação Presbiteral na Sé Nova, Coimbra]
intensificou-se o entusiasmo, a paixão por servir e amar este Deus
"Louco de Amor pela humanidade" e "esbanjador de misericórdia" e de
servir cada homem e mulher (crente ou não) que Deus coloca(r) no meu
caminho.
Na hora
de fazer memória deste amor com que Deus sempre me quis, tenho
naturalmente de cantar de alegria e gratidão a Deus pelo dom: da minha
familia, da minha vida, da fé que Ele me concedeu, de todos os que
activa ou silenciosamente contribuiram para que eu pudesse perceber que o
Mestre me chamava; mas é tempo também de pedir perdão pelos limites,
contradições, que nem sempre deixam ver claro, no que sou e faço, o
Rosto d'Aquele que me chamou.
Como as palavras são sempre poucas para expressar o que só o silêncio sabe dizer, aqui fica a prece da "primeira hora":
«Senhor… Dá-me pés de barro, para que, quando vierem terrenos pedregosos, eu sinta que só Tu és a força e o caminho… Dá-me um olhar cristalino, para que possa ver-Te sempre presente em cada rosto desfigurado, marginalizado,… Dá-me mãos abertas para acolher todos os que são abandonados, vivem na solidão,… Dá-me um coração de carne para amar sem medida, sempre… Dá-me coragem para denunciar a mentira, Humildade para assumir os meus erros, Humor para rir das minhas asneiras, E, quando no fim, como grão de trigo eu cair à terra, a minha Fidelidade e Felicidade, nesta entrega total a Ti, Façam germinar Homens e Mulheres loucamente apaixonados pelo anúncio do Teu Evangelho. Ámen»
Em cada
semente há uma vida pronta a germinar,
a despontar e a crescer. Basta estar
atento à natureza para ver, em cada amanhecer, como ela nos surpreende com
novas fragrâncias, com cores novas…com novos horizontes.
Somos
Buscadores do Reino e semeadores da
Palavra, é esta a missão que o Pai, o (E)terno, nos dá e para a qual nos
convoca. Não somos construtores de um império,
muito menos somos chamados a manter estruturas ou, no pior dos casos, a torná-las
ainda mais rígidas e pesadas…a nossa missão é outra: alargar fronteiras, derrubar
muros, estabelecer uma rede de
relações que “devolvam o homem ao Homem”, que façam ver o (E)terno no tempo.
Para isso precisamos de silêncio e de
tempo.
O Silêncio faz de nós “contemplActivos”, homens e mulheres capazes de
ler, no tempo e na noite, os sinais da salvação que nos abrem à Luz de um dia
novo, de uma vida nova “escondida com Cristo em Deus” (Col. 3,3). O tempo, esse educa-nos para a esperança,
isto é, para a capacidade de acolher o dom e de o deixar germinar; Mas aqui o problema
não é que Deus não saiba esperar [Ele espera-nos
sempre!], o problema maior é que às vezes, nós, já não sabemos (nem queremos) esperar…
pois andamos cansados de tanto correr.
Só quem faz
silêncio e aprende a esperar é que pode colher o fruto, que é dom total
[que vimos crescer e quotidianamente acariciámos].
A espera,
silenciosa e activa, converte-nos em homens e mulheres perfumados com a alegria
da gratidão. Homens e mulheres que encontram na memória (afectiva) uma chave de
leitura para agradecer e projectar, para acolher e partilhar. É que a memória não é o desfiar de um tempo
passado, muito menos um elenco de coisas que o tempo cristalizou, a memória é o jardim onde a ternura e o amor se
abraçam para produzir frutos de sabedoria e abrir o pórtico da esperança. É
por isso que pode recordar somente quem aprende a amar, pois “é dos que amam
que reza a história”.
Neste domingo
cruzam-se, no jardim da memória (e no mais profundo do meu coração!), alguns
factos e uma pessoa, D. Albino Cleto, com quem aprendi a alegria de partilhar o dom. Curiosamente cruza-se também neste
caminho a “Palavra eleita” por ele para pórtico e horizonte da sua primeira
carta pastoral na diocese de Coimbra: “À
sombra dos seus ramos”, de 10 de Junho de 2001. Ali sonhava uma Igreja que fosse uma árvore frondosa, criativa,
dialogante, uma sinfonia de ministérios; Contemplava
“os que estão longe” e desafiava-nos
a sermos e fazermo-nos próximos com a ternura do Coração de Deus, com a Luz do
Espírito, oferecendo(-lhes) Jesus Cristo, Caminho,
Verdade e Vida.
O tempo foi
maturando os caminhos, não se alcançaram todas as metas, despontaram novos
desafios, não encontrámos todas as respostas, mas como Igreja guiou-nos sempre ele
na paixão de servir e amar, com alegria…ao jeito de Jesus e de olhos postos no
Reino.
Nesta
hora em que cai à terra, como “grão de trigo”, o Pastor zeloso, o Amigo e o Irmão
[inteiramente dedicado a amar até ao fim,
numa entrega total que é fruto da “alegria de dar-se”], canto com gratidão o que
D. Albino Cleto foi e fez, com e para todos nós diocese de Coimbra, e digo-lhe
com a proximidade que só o coração é capaz de gerar:
“Obrigado D. Albino, até
ao céu!”
Salmo92(91)
É bom
louvar-te, Senhor,
e cantar salmos ao teu nome, ó Altíssimo!
É bom anunciar pela manhã os teus louvores,
e pela noite, a tua fidelidade, Os justos florescerão como a
palmeira
e crescerão como os cedros do Líbano.
Plantados na casa do Senhor,
florescerão nos átrios do nosso Deus. Até na velhice
continuarão a dar frutos
e hão-de manter sempre a seiva e o frescor,
para proclamar que o Senhor é justo:
Ele é o meu rochedo e nele não há falsidade.
É frequente ver os nossos ritmos
quotidianos acelerarem o ritmo do nosso coração. Corremos de um lado para o
outro, do trabalho para casa, da casa para a universidade,…e no meio de tanta
correria, às vezes, quase sem nos darmos conta [ou a pedir ao céu para que a
consciência disso nunca chegue], andamos a correr para fugir de nós mesmos.
Num tempo marcado por um certo “analfabetismo
emotivo” e por uma amedrontada (in)capacidade para “narrar” a experiência vivida,
a vida vai-se tornando para tantos um universo demasiado complexo de decifrar,
um planeta bastante difícil de habitar e uma realidade dramaticamente difícil de
assumir.
Estamos a tornar-nos, na
dormência dos dias, homens e mulheres monossilábicos, reduzidos a um mero “gosto”
ou “”não gosto” [não sei se já reparas-te que este último, no “universo facebookiano”,
é a anulação da opção anterior!] que
não permite que os nossos olhos vejam para além do horizonte, ou que o nosso
cérebro pense para além do já pensado, ou, pior ainda, que o nosso coração sinta
e ame para além do já amado.
A experiência da fé, feita do
encontro pessoal, afectivo (e não meramente emotivo!) com Jesus alarga e
aprofunda os nossos horizontes débeis e amedrontados a um outro universo onde a complexidade se traduz
numa capacidade de ler a vida em profundidade, onde o planeta a habitar se torna uma escola de vida e onde o quotidiano
se transforma no “santuário” do encontro pessoal, cara a cara, despido de
dramas (ou tragédias!), onde o dom e o servir se conjugam na primeira pessoa
dinamizados pela alegria, revestidos pela esperança e perfumados de Páscoa.
Só descendo (como um mineiro que
busca o bem mais precioso nas profundezas!) é que poderás entender(-Te), só
mergulhando neste vasto oceano da vida é que aprenderás a decifrá-la com palavras
novas, ditas por ti somente, fruto deste “Amor-feito-Encontro” e que te habita
desde sempre…mesmo que tu não saibas, mesmo que tu O negues…
Então a “viagem de regresso” ao
quotidiano, feito de ritmos descompassados, tornar-se-á para ti o tempo de dar um
ritmo novo, sinfónico (e harmónico), ao teu viver.
O “santuário do quotidiano” será
para ti o lugar da beleza e do dom, a mesa da fome de sentido e da sede de
saber, e tudo isso há-de ser guiado pela certeza serena de que, desde a encarnação
de Cristo,…o nosso Coração está em Deus!
Boa
Solenidade do Coração de Jesus.
«Eis o que diz o Senhor: «Quando Israel era ainda menino, Eu amei-o, e chamei do Egipto o meu filho. Entretanto, Eu ensinava Efraim a andar, trazia-o nos meus braços, mas não reconheceram que era Eu quem cuidava deles. Segurava-os com laços humanos, com laços de amor, fui para eles como os que levantam uma criancinha contra o seu rosto; inclinei-me para ele para lhe dar de comer. Como poderia abandonar-te, ó Efraim? Entregar-te, ó Israel? Como poderia Eu abandonar-te, como a Adma, ou tratar-te como Seboim? O meu coração dá voltas dentro de mim, comovem-se as minhas entranhas». [cf. Oseias 11,1-9]
A memória do coração faz-nos “acampar”
tantas vezes nos recantos mais profundos da gratidão onde, na intensidade de um
coração peregrino em busca da verdade, descobrimos no fio do tempo o “respirar
do (e)terno”.
Descobrir isto é perceber que
a “dança da vida” não é um mero “equilíbrio” entre o passado e o futuro, ela é
encontro quotidiano com o Mistério, cara-a-cara e coração a coração. É por isso
que viver não é desenhar [com linhas indefinidas] o acaso, mas sim construir e
celebrar um sentido, traçar um rumo com determinação, audácia…e sonho.
E quão adormecido anda o sonho…
Limitamo-nos tantas vezes a
aceitar passivamente que o futuro será apenas [e só!] o reflexo da neblina
presente. Resignamo-nos [outras tantas vezes] a olhar o passado como uma
inevitabilidade pesada (e às vezes amarga!) que temos de penosamente carregar.
E quanto ao presente…bem,
quanto a isso, a rotina dos dias lá se vai encarregando de nos tentar convencer
que ele é apenas uma soma de coisas, mais ou menos (com)sentidas.
Entrar na “dança (e)terna da Vida”
que é a Trindade, não se faz simplesmente subindo ao “palco da vida”, é mais
exigente. Pede-te antes que no “palco do quotidiano” aprendas a ser um
viandante que desce, cada vez mais, e sempre mais profundamente, ao coração da
Vida para aprender a “saborear por dentro todas as coisas” e assim, com o
perfume do amor, encetar os passos desta dança nova, (e)terna, que te faz descobrir
que há estrelas no céu mesmo quando é meio dia…e só as descobre e vê, quem se
habituou a “dançar com Deus”, no coração do mundo e do tempo…com um coração de
Criança.
A “dança (e)terna da Vida”
continua.
Diante de ti, e em ti,
Ele começou já os [primeiros]
passos…
com uma “sedução” que não
ilude
mas que te desafia a mais, e a
melhor.
…E tu, arriscas ou vais
continuar nas tépidas rotinas em que sempre vives?