domingo, setembro 30, 2012

Inimigos?...

Há pessoas que vêem inimigos em todo o lado: 
em todas as coisas, em todas as situações...em todas as pessoas. 
Viver assim deve ser uma angústia! 

O Mestre, na palavra deste Domingo, é muito claro: 

"Quem não é contra nós é por nós. " [cf. Marcos 9,38-48]

Quem vive da Palavra não perde tempo a sinalizar 'adversários', 
usa o tempo para servir, com Ele, como Ele...sempre! 
É (só) assim que a vida se faz profecia, isto é, transparência do (E)Terno no tempo
 
...e viver assim é uma Alegria sem fim :)

e tu, como/onde é que vais "servir esta Alegria" ao longo da semana?...Um abraço.
 

 

domingo, setembro 23, 2012

Servo, por Amor!

Jesus continua a caminho! Os discípulos, entretidos com outras lógicas, continuam sem perceber que o que os espera é a cruz, e que só por ela podem atravessar o umbral da morte e entrar no Caminho da Vida.Enquanto caminham murmuram, quando confrontados permanecem em silêncio, mudos...talvez por vergonha, talvez por medo.

Só quer 'subir' quem vive na superficialidade, isto é, quem não foi capaz de 'descer' ao mais íntimo (e mais profundo) e ler aí, com Deus e em Deus, o Mistério da vida. Aconteceu com eles, connosco não é assim tão diferente...


No "íntimo mais íntimo", um coração inundado pelo "doce perfume da Páscoa", é capaz de perceber que a lógica é outra, e que o Evangelho (só) acontece quando: «quem quiser ser o primeiro, for o último de todos e o servo de todos» [cf. Marcos 9,30-37].


E quando se é servo por Amor…então é Páscoa todos os dias! Bom Domingo :)


 

sábado, setembro 22, 2012

É preciso semear...

É preciso semear, mesmo que seja contra o vento
e p'ra que não nos falte o alento, a coragem e o saber,
o Mestre manda dizer:
"Não te canses de semear, pois só dá fruto quem persevera"
[cf. Lucas 8,4-15]



*o filme é um pouco longo, mas vale a pena ;)

sexta-feira, setembro 21, 2012

A liberdade, uma questão de amor...

É bom recordar:
ser livre não é poder fazer tudo o que me apetece,
é sim oferecer(-Lhe) tudo o que sou e faço!
é que a liberdade é sempre uma questão de amor, de gratuidade.

Mateus não hesitou ao ouvir a voz de Jesus!

Não lhe deu coisas, deu-se todo, seguiu-O! [Mateus 9,9-13]
 

....e tu, que tens para oferecer(-Lhe) Hoje?



quinta-feira, setembro 20, 2012

Com o perdão o futuro aproxima-se...

Não há nada mais "escandaloso" do que o perdão 
deste Deus-Louco-de-Amor pela humanidade.
Sem o perdão é impossível olhar o futuro; 

Com o perdão o futuro aproxima-se e desafia-nos a caminhar, 
desafia-nos a deixar o medo, a ter um projecto...e a vivê-lo!

...bora lá oferecer perdão aos que estão à nossa volta?!


[vale sempre a pena reler: Lucas 7,36-50]


 

terça-feira, setembro 18, 2012

Em cada (re)começo...

Em cada (re)começo há sempre uma certeza serena que nos acompanha: Ele vai connosco, sustenta e guia os nossos passos!
"Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros.
Que o sol brilhe cálido sobre tua face,
e as chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
Que Deus te guarde na palma de sua mão" 
[Bênção Irlandesa]
 

quarta-feira, junho 27, 2012

Por tudo o que passou: Obrigado. Por tudo o que há-de vir: SIM!

8 anos depois [27 Junho 2004 - Ordenação Presbiteral na Sé Nova, Coimbra] intensificou-se o entusiasmo, a paixão por servir e amar este Deus "Louco de Amor pela humanidade" e "esbanjador de misericórdia" e de servir cada homem e mulher (crente ou não) que Deus coloca(r) no meu caminho.

Na hora de fazer memória deste amor com que Deus sempre me quis, tenho naturalmente de cantar de alegria e gratidão a Deus pelo dom: da minha familia, da minha vida, da fé que Ele me concedeu, de todos os que activa ou silenciosamente contribuiram para que eu pudesse perceber que o Mestre me chamava; mas é tempo também de pedir perdão pelos limites, contradições, que nem sempre deixam ver claro, no que sou e faço, o Rosto d'Aquele que me chamou.

Como as palavras são sempre poucas para expressar o que só o silêncio sabe dizer, aqui fica a prece da "primeira hora":

«Senhor…
Dá-me pés de barro, para que,
quando vierem terrenos pedregosos,
eu sinta que só Tu és a força e o caminho…
Dá-me um olhar cristalino,
para que possa ver-Te sempre presente
em cada rosto desfigurado, marginalizado,…
Dá-me mãos abertas para acolher
todos os que são abandonados,
vivem na solidão,…
Dá-me um coração de carne para amar sem medida,
sempre…
Dá-me coragem para denunciar a mentira,
Humildade para assumir os meus erros,
Humor para rir das minhas asneiras,
E, quando no fim,
como grão de trigo eu cair à terra,
a minha Fidelidade e Felicidade,
nesta entrega total a Ti,
Façam germinar Homens e Mulheres
loucamente apaixonados
pelo anúncio do Teu Evangelho. Ámen»

domingo, junho 17, 2012

À sombra dos seus ramos…


Em cada semente há uma vida pronta a germinar, a despontar e a crescer. Basta estar atento à natureza para ver, em cada amanhecer, como ela nos surpreende com novas fragrâncias, com cores novas…com novos horizontes. 


            Somos Buscadores do Reino e semeadores da Palavra, é esta a missão que o Pai, o (E)terno, nos dá e para a qual nos convoca. Não somos construtores de um império, muito menos somos chamados a manter estruturas ou, no pior dos casos, a torná-las ainda mais rígidas e pesadas…a nossa missão é outra: alargar fronteiras, derrubar muros, estabelecer uma rede de relações que “devolvam o homem ao Homem”, que façam ver o (E)terno no tempo. Para isso precisamos de silêncio e de tempo.

O Silêncio faz de nós “contemplActivos”, homens e mulheres capazes de ler, no tempo e na noite, os sinais da salvação que nos abrem à Luz de um dia novo, de uma vida nova “escondida com Cristo em Deus” (Col. 3,3). O tempo, esse educa-nos para a esperança, isto é, para a capacidade de acolher o dom e de o deixar germinar; Mas aqui o problema não é que Deus não saiba esperar [Ele espera-nos sempre!], o problema maior é que às vezes, nós, já não sabemos (nem queremos) esperar… pois andamos cansados de tanto correr.

Só quem faz silêncio e aprende a esperar é que pode colher o fruto, que é dom total [que vimos crescer e quotidianamente acariciámos].

A espera, silenciosa e activa, converte-nos em homens e mulheres perfumados com a alegria da gratidão. Homens e mulheres que encontram na memória (afectiva) uma chave de leitura para agradecer e projectar, para acolher e partilhar. É que a memória não é o desfiar de um tempo passado, muito menos um elenco de coisas que o tempo cristalizou, a memória é o jardim onde a ternura e o amor se abraçam para produzir frutos de sabedoria e abrir o pórtico da esperança. É por isso que pode recordar somente quem aprende a amar, pois “é dos que amam que reza a história”.


Neste domingo cruzam-se, no jardim da memória (e no mais profundo do meu coração!), alguns factos e uma pessoa, D. Albino Cleto, com quem aprendi a alegria de partilhar o dom. Curiosamente cruza-se também neste caminho a “Palavra eleita” por ele para pórtico e horizonte da sua primeira carta pastoral na diocese de Coimbra: “À sombra dos seus ramos”, de 10 de Junho de 2001. Ali sonhava uma Igreja que fosse uma árvore frondosa, criativa, dialogante, uma sinfonia de ministérios; Contemplava “os que estão longe” e desafiava-nos a sermos e fazermo-nos próximos com a ternura do Coração de Deus, com a Luz do Espírito, oferecendo(-lhes) Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida

O tempo foi maturando os caminhos, não se alcançaram todas as metas, despontaram novos desafios, não encontrámos todas as respostas, mas como Igreja guiou-nos sempre ele na paixão de servir e amar, com alegria…ao jeito de Jesus e de olhos postos no Reino.

Nesta hora em que cai à terra, como “grão de trigo”, o Pastor zeloso, o Amigo e o Irmão [inteiramente dedicado a amar até ao fim, numa entrega total que é fruto da “alegria de dar-se”], canto com gratidão o que D. Albino Cleto foi e fez, com e para todos nós diocese de Coimbra, e digo-lhe com a proximidade que só o coração é capaz de gerar: 

“Obrigado D. Albino, até ao céu!”



Salmo 92(91)
É bom louvar-te, Senhor, e cantar salmos ao teu nome, ó Altíssimo!  É bom anunciar pela manhã os teus louvores,   e pela noite, a tua fidelidade, Os justos florescerão como a palmeira e crescerão como os cedros do Líbano.  Plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus. Até na velhice continuarão a dar frutos e hão-de manter sempre a seiva e o frescor, para proclamar que o Senhor é justo: Ele é o meu rochedo e nele não há falsidade.
 

sexta-feira, junho 15, 2012

O nosso coração está em Deus…


É frequente ver os nossos ritmos quotidianos acelerarem o ritmo do nosso coração. Corremos de um lado para o outro, do trabalho para casa, da casa para a universidade,…e no meio de tanta correria, às vezes, quase sem nos darmos conta [ou a pedir ao céu para que a consciência disso nunca chegue], andamos a correr para fugir de nós mesmos.

Num tempo marcado por um certo “analfabetismo emotivo” e por uma amedrontada (in)capacidade para “narrar” a experiência vivida, a vida vai-se tornando para tantos um universo demasiado complexo de decifrar, um planeta bastante difícil de habitar e uma realidade dramaticamente difícil de assumir.

Estamos a tornar-nos, na dormência dos dias, homens e mulheres monossilábicos, reduzidos a um mero “gosto” ou “”não gosto” [não sei se já reparas-te que este último, no “universo facebookiano”, é a anulação da opção anterior!] que não permite que os nossos olhos vejam para além do horizonte, ou que o nosso cérebro pense para além do já pensado, ou, pior ainda, que o nosso coração sinta e ame para além do já amado.


 A experiência da fé, feita do encontro pessoal, afectivo (e não meramente emotivo!) com Jesus alarga e aprofunda os nossos horizontes débeis e amedrontados a um outro universo onde a complexidade se traduz numa capacidade de ler a vida em profundidade, onde o planeta a habitar se torna uma escola de vida e onde o quotidiano se transforma no “santuário” do encontro pessoal, cara a cara, despido de dramas (ou tragédias!), onde o dom e o servir se conjugam na primeira pessoa dinamizados pela alegria, revestidos pela esperança e perfumados de Páscoa.

Só descendo (como um mineiro que busca o bem mais precioso nas profundezas!) é que poderás entender(-Te), só mergulhando neste vasto oceano da vida é que aprenderás a decifrá-la com palavras novas, ditas por ti somente, fruto deste “Amor-feito-Encontro” e que te habita desde sempre…mesmo que tu não saibas, mesmo que tu O negues…

Então a “viagem de regresso” ao quotidiano, feito de ritmos descompassados, tornar-se-á para ti o tempo de dar um ritmo novo, sinfónico (e harmónico), ao teu viver.
O “santuário do quotidiano” será para ti o lugar da beleza e do dom, a mesa da fome de sentido e da sede de saber, e tudo isso há-de ser guiado pela certeza serena de que, desde a encarnação de Cristo,…o nosso Coração está em Deus!

Boa Solenidade do Coração de Jesus.  



«Eis o que diz o Senhor: «Quando Israel era ainda menino, Eu amei-o, e chamei do Egipto o meu filho. Entretanto, Eu ensinava Efraim a andar, trazia-o nos meus braços, mas não reconheceram que era Eu quem cuidava deles. Segurava-os com laços humanos, com laços de amor, fui para eles como os que levantam uma criancinha contra o seu rosto; inclinei-me para ele para lhe dar de comer.
Como poderia abandonar-te, ó Efraim? Entregar-te, ó Israel? Como poderia Eu abandonar-te, como a Adma, ou tratar-te como Seboim? O meu coração dá voltas dentro de mim, comovem-se as minhas entranhas».
[cf. Oseias 11,1-9]




domingo, junho 03, 2012

A dança (e)terna da Vida…



A memória do coração faz-nos “acampar” tantas vezes nos recantos mais profundos da gratidão onde, na intensidade de um coração peregrino em busca da verdade, descobrimos no fio do tempo o “respirar do (e)terno”.

Descobrir isto é perceber que a “dança da vida” não é um mero “equilíbrio” entre o passado e o futuro, ela é encontro quotidiano com o Mistério, cara-a-cara e coração a coração. É por isso que viver não é desenhar [com linhas indefinidas] o acaso, mas sim construir e celebrar um sentido, traçar um rumo com determinação, audácia…e sonho.

E quão adormecido anda o sonho…

Limitamo-nos tantas vezes a aceitar passivamente que o futuro será apenas [e só!] o reflexo da neblina presente. Resignamo-nos [outras tantas vezes] a olhar o passado como uma inevitabilidade pesada (e às vezes amarga!) que temos de penosamente carregar.

E quanto ao presente…bem, quanto a isso, a rotina dos dias lá se vai encarregando de nos tentar convencer que ele é apenas uma soma de coisas, mais ou menos (com)sentidas.


Entrar na “dança (e)terna da Vida” que é a Trindade, não se faz simplesmente subindo ao “palco da vida”, é mais exigente. Pede-te antes que no “palco do quotidiano” aprendas a ser um viandante que desce, cada vez mais, e sempre mais profundamente, ao coração da Vida para aprender a “saborear por dentro todas as coisas” e assim, com o perfume do amor, encetar os passos desta dança nova, (e)terna, que te faz descobrir que há estrelas no céu mesmo quando é meio dia…e só as descobre e vê, quem se habituou a “dançar com Deus”, no coração do mundo e do tempo…com um coração de Criança.

A “dança (e)terna da Vida” continua.

Diante de ti, e em ti,
Ele começou já os [primeiros] passos…
com uma “sedução” que não ilude
mas que te desafia a mais, e a melhor.

…E tu, arriscas ou vais continuar nas tépidas rotinas em que sempre vives?


«Senhor, ensina-nos o lugar
que, no eterno romance
iniciado entre Ti e nós,
ocupa o baile especial
da nossa existência.
Revela-nos a grande orquestra dos teus desígnios,
na qual Tu semeias notas estranhas,
na serenidade do que Tu queres.
Ensina-nos a vestir todos os dias
a nossa condição humana
como um vestido de baile
que nos fará amar por Ti
todos os seus pormenores, como jóias
que não podem faltar.
Faz-nos viver a nossa vida,
não como um jogo de xadrez,
em que todos os movimentos são calculados,
não como uma partida em que tudo é difícil,
não como um teorema
que nos faz quebrar a cabeça,
mas como uma festa sem fim
em que se renove o encontro contigo.
Como um baile,
como uma dança,
entre os braços da tua graça,
na música universal do amor»  [Madeleine Delbrêl]