um espaço de partilha, reflexão, discussão e anuncio do amor misericordioso de um Deus loucamente enamorado por todos os que criou à sua imagem e semelhança...
terça-feira, maio 07, 2013
segunda-feira, abril 08, 2013
MISERICÓRDIA = O AMOR QUE NÃO DESISTE DE RECOMEÇAR…
Caro Tomé,
Há já muito tempo que ando para te escrever. Sempre tive muita
curiosidade em falar contigo mas tenho andado tão a correr que só me
recordo que temos de marcar um encontro nesta altura do ano! No Domingo,
uma vez mais, ouvi falar de ti. Estranha aquela forma como te chamavam
(“Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo” - Dídymos é, na verdade, a tradução
literal em grego do aramaico Toma’ [= «Gémeo»]). E percebi como há,
afinal, um ‘parentesco’ que nos une.
Também eu sou teu gémeo
no meio das minhas ‘incredulidades quotidianas’, quando me recuso a
aceitar que na vida há uma dimensão de ‘Mistério’ que não chegarei mais a
compreender plenamente e, como tal, não adianta nada insistir e
persistir em querer ‘ver’ tudo ou ‘tocar’ (= dominar) todas as
realidades.
Também eu sou teu gémeo quando me ‘tranco’ na casa
sempre cómoda de não acreditar no testemunho dos outros, achando ‘mil
vezes’ que só eu posso ter razão e ser a última palavra sobre
determinada matéria, assunto…e bem sabes também quantas vezes vivo de
‘opiniões’ e sem ‘ideias’ ou ‘ideais’!
Também eu sou teu gémeo quando me esqueço que no quotidiano nem tudo são ‘sinais’ mas que a vida é sempre um ‘Milagre’.
Também eu sou teu gémeo, neste dia e nesta hora, quando me deixo
‘vencer’ por este Amor-Divino (= Misericórdia) que não me acusa, nem me
recusa, mas me dá a possibilidade de recomeçar a estrada da Fé e da
confiança.
Também eu sou teu gémeo fazendo minha oração as tuas palavras: “Meu Senhor e meu Deus!”.
Sabes, Tomé, partilho contigo algumas mudanças que o Mestre, e a Sua Páscoa, têm realizado em mim:
Vou descobrindo, cada vez mais, que a misericórdia de Deus é o amor que
‘não resiste’ (= não cria obstáculos) e que ‘não desiste’ (= sempre
pronto a recomeçar). E tenho procurado, em cada dia e passo-a-passo,
crescer na confiança. Sei o quanto é difícil amar com um coração com
‘cicatrizes’, fruto de algumas mágoas que durante muito tempo carreguei
dentro de mim, mas posso dizer-te que é muito libertador aceitar a
‘vitória’ do perdão; Afinal só o amor pode curar, e fechar, as mágoas,
fazendo de cada ‘cicatriz’ um convite a amar mais, a amar sempre.
Vou descobrindo, também, desde que aceitei ser discípulo, que a Fé não é
uma questão de ‘medo de Deus’ mas é a porta para entrar no Amor de
Deus, no Seu coração, e para ‘acampar’ aí, deixando que em cada dia, em
cada respiro, esse Amor dê ritmo, forma, saber e sabor a cada coisa que
sou e faço.
Com a tua experiência de discípulo deves, portanto,
imaginar quantas outras coisas tenho descoberto: tenho andado a aprender
a ‘ler’ no rosto de cada pessoa a ‘imagem de Deus’, a pouco e pouco vou
também descobrindo a Igreja como ‘A casa do(s) Ressuscitado(s)’…e,
sabes, desde que descobri que o medo em mim só terá o espaço que eu lhe
quiser dar, tenho tido uma alegria imensa, infinita e serena, no meu
coração que em cada dia me vai dando coragem, determinação e audácia
para perdoar, para recomeçar, para anunciar.
Olha Tomé, ouvindo o
Evangelho neste Domingo, pensava também no facto do meu coração se estar
a transformar, a pouco e pouco, como o teu naquele cenáculo onde Ele te
encontrou fechado e cheio de medo [Jo 20, 19-31].
Com o ‘perfume
do Espírito Santo’ e com a ‘vitória do Amor sobre a morte’ também em mim
se começam a escancarar as portas, a abrir caminhos novos, desenhados
pela alegria de crer e pelo entusiasmo de comunicar esta Fé que é dom e
missão, que é compromisso responsável com o irmão…porque afinal, Crer e
Amar, não são apenas sinónimos, são uma identidade e uma condição para
quem aceita o ‘escândalo’ de ser discípulo d’Aquele que é o ‘Amor de
todo o amor’.
Meu caro Tomé, esta carta já vai longa. Sei que
por estes dias andas cheio de entusiasmo a falar d’Ele, a dar em nome
d’Ele o perdão e a consolação de Deus aos que se sentem sós, cansados,
esquecidos. Aqui, onde vivo o meu quotidiano, irei tentar fazer o mesmo,
pois até nisso quero ser teu gémeo. Em breve voltarei a escrever-te! Um
abraço. E boa páscoa também para ti meu irmão.
*P.S. Tomé,
sempre que houver ‘actualizações’ (= Páscoa) na tua condição de
discípulo não hesites em partilhá-las, mesmo que seja no
facebook, pois nunca se sabe o quanto isso pode ser útil, dinamizador,
para tantos outros ‘teus gémeos’ que habitam o 'continente digital' ;)
quinta-feira, março 14, 2013
uma ‘Igreja a céu aberto’...
Papa Francisco, vou falar-te do meu primeiro encontro contigo:
«Estava na Praça de
S. Pedro. Completamente encharcado. Rezei, cantei, fiz silêncio. Estava acompanhado
de vários italianos, meus colegas da Universidade Salesiana, e por dois
Portugueses, um deles o Pe. Pedro Viva, estimado irmão, amigo e companheiro de
viagem. Subitamente começa a aparecer o fumo que anunciava a tão desejada hora!
Dentro (e fora de
mim) uma explosão de alegria. Estava ali, com milhares de irmãos, numa praça
que era uma “igreja ‘católica’a céu aberto”. Curiosidade e serenidade foi o que
senti ao ver aproximar-se o cardeal Tauran que tinha como missão fazer o “alegre
anuncio”. O eleito não é um dos que
fazia parte do elenco pré-anunciado em toda a comunicação! À minha volta
alguém pergunta: “mas, quem é?”. Respondo: “é o cardeal de Buenos Aires, na
Argentina!”. Alegre com a escolha ‘geográfica’, apesar de não conhecer muito
de ti, mais alegre fiquei com o nome que escolheste.
A América Latina não
é ‘o fim do mundo’ mas é, sem dúvida, um convite a pormos fim a um certo mundo ‘eurocêntrico’
e ‘egocêntrico’ de quem vive a fé de um modo demasiado formal, rico de ritos e
tantas vezes ‘vazio de vida’.
Agrada-me por isso,
para usar as tuas palavras Papa Francisco, que o novo Papa venha do “fim do
mundo”…e isto já diz muito! Não advogas para ti o direito de ser o ‘princípio’
ou o ‘centro’ mas colocaste, desde o início, a partir do fim, dos últimos. E se
isto parecer estranho, sobretudo aos sempre dotados e sabedores comentadores do
momento, creio que se confirma facilmente pela escolha que vem ‘agrafada’ a
esta, o teu ‘novo’ nome: FRANCISCO.
Partir dos pobres e com
os pobres, fazendo brotar uma Primavera (uma Páscoa!) de esperança para a
Humanidade, propondo com audácia o Evangelho e testemunhando-o com a alegria
dos gestos e sinais proféticos. Não estou com isto a ‘fazer o programa’ para o teu
ministério Papa Francisco, és tu quem guiará a barca de Pedro e a ti serei
totalmente fiel, estou apenas a expressar com palavras o que vivi, o que sinto
e como olho este caminho de irmãos que tu nos pede que façamos.
Mas, voltemos à
praça, à ‘Igreja a céu aberto’. Eu estava ali, queria ver-te e queria ouvir-te!
Uma vez mais a surpresa de Deus: um solene “Fratelli e sorelle, buonasera!”.
É assim que tu, o Papa, saúdas não
simplesmente os teus ‘devotos/fiéis’ mas a humanidade. Começas como um irmão
que dialoga com o outro, num tom familiar, mesmo quando ‘já é noite’! E como se
não bastasse esta ‘provocação’ ao ‘diálogo’ (fraterno), eis que nos fazes um
convite muito claro: ‘rezemos todos juntos…!’.
Primeiro a oração, depois o caminho!
«Bispo e Povo…Um caminho de fraternidade, de amor, de
confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo,
para que haja uma grande fraternidade».
Emocionado, ainda tentei esconder algumas lágrimas, mas correram
discretamente pela cara abaixo. E como não ‘estremecer’ com este teu pedido: «antes
de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a
mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio
esta oração vossa por mim». Uma vez mais entre os ‘últimos’ e com todos…para
todos! Porque é:
«é dando que se recebe, é perdoando que se é
perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna» (da oração atribuída a S. Francisco)
Quanto a mim, Papa
Francisco,
este teu irmão fará
todos os dias ‘silêncio’ para te dizer como os peregrinos a
caminho:
«Por amor dos meus irmãos e amigos,
pedirei: "A paz esteja contigo!"
Por amor da casa do Senhor, nosso Deus,
pedirei o bem-estar para ti» (salmo 122).
pedirei: "A paz esteja contigo!"
Por amor da casa do Senhor, nosso Deus,
pedirei o bem-estar para ti» (salmo 122).
Obrigado PAPA FRANCISCO pelo que és e pelo que já suscitas em todos nós!»
segunda-feira, março 11, 2013
Nos (a)braços do Pai…
A nossa vida é uma viagem, melhor, uma ‘peregrinação’ feita de ritmos certos e
de outros ‘descompassados’. Feita de passos dados com firmeza e de falta de
ousadia para dar outros tantos. Somos uma história feita de audácia, de
determinação, de criatividade e, em algumas circunstâncias, de medo(s),
confusão e rotina. Mas quem bebe na fonte da esperança sabe sempre ver mais
longe e mais profundamente…É que a história não se resume aos factos que se
sucedem, aos acontecimentos que vivemos e/ou às memórias que ficaram…
A HISTÓRIA É SEMPRE UM CONVITE A “LEVANTAR-SE!”, é
apelo a construir futuro sem viver agrilhoado ao passado. É desafio a saborear
o presente de modo activo e corresponsável. Gosto pois de olhar a vida como uma
‘pauta musical’ onde o silêncio e as notas entram numa ‘DANÇA’ feita de TERNURA
e de AMOR que dão ritmo e fazem nascer a melodia. E foi assim, nesta cadência
de escrever a melodia de ‘uma vida feita de partidas e regressos’, que me
deixei interpelar pelo Evangelho deste Domingo.
Dei por mim a perguntar-me: «Como terão sido aqueles dias?...»…Um prato que
sempre esteve na mesa, não estava a mais…apenas à espera! Um Pai ‘inquieto’,
que não dorme e corre para a porta, de cada vez que ouve o rumor de passos,
esperando aquele que parece nunca mais chegará...Um filho, ou melhor, dois que
não se dão conta do quanto este Pai os ama e de como aquela casa ‘não faz
sentido’ se eles não viverem esta ‘sinfonia’ de UM AMOR QUE SE DÁ SEMPRE, QUE
SE DÁ TODO…EM TUDO!
Olhando a natureza, por entre a chuva que vai caindo, vejo também uma
‘polifonia de vida e de amor’ a despontar. As árvores vestem-se de ‘Páscoa’,
muitas já cheias de flores, e a Páscoa acontece quando o nosso coração de
filhos, estejamos onde estivermos, decide ‘levantar-se’ e ‘regressar a casa!’…
Por entre a memória e o afeto dos caminhos percorridos, por entre a
exigência e a ternura de um regresso e de um futuro que nos pertence construir
no ‘aqui’ e ‘agora’ da nossa existência, desperta-nos o apóstolo S. Paulo
quando nos diz: «Se alguém está EM CRISTO, é uma nova criatura. As coisas
antigas passaram; TUDO FOI RENOVADO. Tudo isto vem de Deus, que por Cristo nos
reconciliou consigo» (2 Cor 5, 17-21).
A HISTÓRIA É SEMPRE UM CONVITE A “LEVANTAR-SE!”, é apelo a construir futuro sem viver agrilhoado ao passado. É desafio a saborear o presente de modo activo e corresponsável. Gosto pois de olhar a vida como uma ‘pauta musical’ onde o silêncio e as notas entram numa ‘DANÇA’ feita de TERNURA e de AMOR que dão ritmo e fazem nascer a melodia. E foi assim, nesta cadência de escrever a melodia de ‘uma vida feita de partidas e regressos’, que me deixei interpelar pelo Evangelho deste Domingo.
Há um abraço que sempre nos espera,
Há um Deus que só sabe abraçar(-Te)!
A caminho da
Páscoa espera-te 'esse abraço'!...BOA SEMANA!
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